RIO GRANDE DO SUL | Porto Alegre http://www.firs.org.br

História da comunidade judaica do Rio Grande do Sul

A primeira imigração organizada e as primeiras comunidades judaicas no século 20, no Brasil, formaram-se no Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio da Jewish Colonization Association (JCA, entidade judaica que promovia a imigração agrícola), em acordos com o governo do Estado. Imigrantes judeus da Europa Oriental se estabeleceram em colônias agrícolas, a exemplo das colônias instaladas na Argentina a partir de 1893.

A primeira colônia gaúcha foi em Philippson, região de Santa Maria, em 1904, com 37 famílias originárias da Bessarábia. Em 1906, foi criada ali a primeira escola judaica no Brasil na qual se ensinou o currículo oficial brasileiro. Em 1908, a colônia tinha 299 habitantes. Em 1912, foi estabelecida a colônia Quatro Irmãos, que chegou a contar com mais de 350 famílias divididas em quatro núcleos: Quatro Irmãos, Baroneza Clara, Barão Hirsch e Rio Padre. Em cada um dos núcleos, funcionou uma escola que ensinava o currículo oficial e o judaico. Em 1915, a população em Quatro Irmãos atingiu 1.600 pessoas.

Na década de 1920, a maioria dos colonos da JCA já havia se mudado para Porto Alegre e também criado pequenas comunidades no interior do Estado: Santa Maria (1915), Pelotas (União Israelita Pelotense, 1920), Rio Grande (Sociedade Israelita Brasileira, 1920), Passo Fundo (União Israelita Passo-Fundense, 1922), Erechim (Sociedade Cultural e Beneficente Israelita, 1934) e também Erebango, Cruz Alta e Uruguaiana.

Em Porto Alegre, a comunidade se estabeleceu a partir dos anos 1910, quando imigrantes da Europa Oriental fundaram a União Israelita. Em 1915, o primeiro jornal judaico do Brasil, Di Menshhayt, em iídiche, foi publicado. O Centro Israelita Porto-Alegrense foi fundado em 1917. Em 1922, imigrantes sefaradim criaram o Centro Hebraico Rio-Grandense.

A comunidade judaica de Porto Alegre foi bem-sucedida e plenamente inserida na vida da cidade. Entre as instituições fundadas, podem-se citar: Associação Israelita Damas de Caridade (1922), Cooperativa de Crédito Popular (1922), Colégio Israelita Brasileiro (1922), Grêmio Esportivo Israelita (1929), Círculo Social Israelita (1930), Sociedade Beneficente das Damas Israelitas Sefaradis (1931), Sociedade Beneficente de Socorros Mútuos Linath Hatzedek (1932), Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência – Sibra (1936), fundada por judeus alemães chegados nos anos 1930, e os movimentos juvenis Iavne, Habonim Dror, Betar, Shomer Hatzair e Chazit haNoar. Em 1941, a comunidade mantinha um programa de rádio.

Após a Segunda Guerra Mundial, novas instituições foram criadas: Organização Sionista (1945), Wizo (1947), Naamat Pioneiras (1948), Clube Campestre (1958), Federação Israelita do Rio Grande do Sul (1961) e um clube esportivo (em 1966). Após 1956, chegaram imigrantes do Egito, Hungria e Israel. Em 1992, havia cerca de 3.300 famílias vivendo em Porto Alegre, abrangendo cerca de 9 mil pessoas, e 310 em pequenas cidades no Estado.

O Instituto Cultural Judaico March Chagall, estabelecido em 1985, é muito ativo e uma importante referência cultural na cidade, mantendo um Departamento de Memória com publicações, biblioteca e um bem organizado arquivo da imigração no Estado.

Em 1989, com relativa repercussão, teve início em Porto Alegre o Movimento Popular Anti-Racismo – Mopar, aliança entre integrantes do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e ativistas judeus, que combateram a difusão do racismo e do antissemitismo. Em 2004, S.E.Castan, o proprietário-editor da editora Revisão, foi condenado por crime de racismo e antissemitismo pelo STF. Foi a primeira condenação oficial que incluiu antissemitismo pela mais alta corte de Justiça do país, estabelecendo uma importante jurisprudência.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia básica:

Brumer, Anita. Identidade em mudança. Pesquisa sociológica sobre os judeus do Rio Grande do Sul (1994).
Gutfreind, Ieda. A imigração judaica no Rio Grande do Sul. Da memória para a história (2004).
Lesser, Jeffrey H. Pawns of the Powerfull. Jewish Immigration to Brazil 1904-1945 (1989).
Lesser, Jeffrey H. Jewish Colonization in Rio Grande do Sul, 1904-1925 (1991).
Halpern, Josef S. Contribuição para a história da imprensa judaica no Rio Grande do Sul (1999).
Milman, Luis (org.). Ensaios Sobre o Anti-Semitismo Contemporâneo. Dos mitos e da crítica aos tribunais, 2004.
Nicolaiewsky, Eva. Israelitas no Rio Grande do Sul (1984).
Wainberg, Jacques A. (org.). 100 Anos de Amor. A imigração judaica no Rio Grande do Sul (2004).

SANTA CATARINA | Florianópolis http://associacaoisraelitadesc.blogspot.com/

História da comunidade judaica de Santa Catarina

A comunidade judaica em Santa Catarina começou a se estruturar a partir do final dos anos 1970, com a chegada de diversas famílias originárias principalmente de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, que foram em busca de uma melhor qualidade vida e novas oportunidades profissionais.

As famílias que mudaram para o Estado nos anos 1970 foram se aglutinando de maneira informal e acolhendo novos membros. Este processo de construção comunitária foi formalizado com a criação da Associação Israelita Catarinense – AIC, em 2 de junho de 1990, fundada por um grupo de cerca de 20 pessoas durante um encontro em Termas do Gravatal. A sede, no entanto, foi estabelecida em Florianópolis.

A este grupo inicial juntaram-se, nos anos seguintes, outros judeus que viviam em Florianópolis e em cidades próximas, além de imigrantes originários dos Estados Unidos, países da Europa e, principalmente, da América Latina.

As entidades judaicas fundadas no Estado e vinculadas à Associação Israelita Catarinense são a Wizo (Women International Zionist Organization), fundada em 1990, e o movimento juvenil Hashomer Hatzair, criado em 1997.

No censo comunitário realizado pela AIC, em 2005, foram cadastradas 150 famílias. O mesmo censo identificou algumas famílias em cidades como Joinville, Balneário Camboriú, Criciúma, Itajaí e Imbituba.

A AIC tem participação no governo municipal como parte integrante do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) e da Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Coppir) – ambos ligados à Secretaria de Desenvolvimento Social. As comunidades envolvidas são a negra, a judaica, a indígena, a árabe e a cigana.

Bibliografia:

Schweidson, Jacques. Judeus de Bombachas e Chimarrão. Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1985.

Schweidson, Jacques. Saga Judaica na Ilha do Desterro: Orgulhoso de suas raízes. Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1989.

Schucman, Lia Vainer. Produção de sentidos e a construção da identidade judaica em Florianópolis. Dissertação de Mestrado em Psicologia. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.

PARANÁ | Curitiba http://www.feipr.org.br

História da comunidade judaica do Paraná

Em 1889, chegaram os primeiros imigrantes judeus a Curitiba, em sua maioria originários da Europa Oriental e, particularmente, da Polônia. Em 1913, foi fundada a primeira instituição da comunidade curitibana, a União Israelita do Paraná.

A Federação Israelita do Paraná foi fundada em 1977. Curitiba, a capital, tem a maior comunidade judaica do Paraná. As cidades de Ponta Grossa, Paranaguá, Maringá, Rolândia também tem pequenos núcleos judaicos.

A comunidade no Paraná funciona no sistema de kehilá, isto é, todas as entidades da comunidade estão integradas, funcionando no mesmo local. Os membros da kehilá são em torno de 500 famílias, perfazendo um total de 2.500 pessoas, incluindo famílias que vieram recentemente de outros Estados do País.

A kehilá é composta pelo Centro Israelita do Paraná, que tem vários departamentos ativos: Cultural (Instituto Cultural Judaico-Brasileiro Bernardo Schulman); Religioso (Sinagoga; Chevra Kadisha e cemitérios); Social; Esportes e Hilfs Farain – Comitê de Ajuda aos necessitados. As outras entidades que integram a kehilá são: Escola Israelita Brasileira “Salomão Guelmann”, Federação Israelita do Paraná, B´nai B´rith, Biblioteca “Bernardino Schulman”, movimento juvenil Dror (Ichud Habonim), Fundo Comunitário, Idade de Ouro, Wizo e Pioneiras. A comunidade mantém o jornal mensal Kesher, o jornal Visão Judaica e um programa semanal na televisão.

Bibliografia:

Monografias e artigos de Regina Rotemberg Gouveira e Sergio Feldman, além de Schulman, Bernardo. Lexicon – Origem e evolução da Comunidade Judaica em Curitiba.

MINAS GERAIS | Belo Horizonte http://www.fisemg.com.br

História da comunidade judaica de Minas Gerais

A presença de cristãos-novos em Minas Gerais tem sua origem no processo de colonização do Brasil, entre os séculos 16 e 18. Essa presença é indicada por vestígios materializados nos autos da Inquisição, em testamentos e também constituída por bens imateriais, tais como as tradições culturais de origem judaica.

Posteriormente, com o crescimento urbano e as oportunidades profissionais, muitos judeus vieram a residir na região, para trabalhar, principalmente, com pedras e minério (mica) e no comércio.

A primeira loja de material de construção de Belo Horizonte, “A Constructora”, foi fundada por um judeu, Arthur Hass, em 1894. Nesse período, os judeus eram empreendedores ligados ao dinamismo da nova cidade.

Entre as primeiras instituições fundadas na capital mineira, destacam-se a Froein Farain- Sociedade das Damas Israelitas, de caráter beneficente para prestar auxílio aos pobres, principalmente os que se dirigiam à cidade para tratamento de saúde; a União Israelita de Belo Horizonte (1922), que inicialmente congregava a comunidade em torno da sinagoga e, depois, como clube recreativo, social e cultural; a Escola Israelita (1929) e o Cemitério Israelita (1937).

Atualmente, a comunidade judaica mineira é composta de dez entidades: Federação Israelita do Estado de Minas Gerais (fundada em 1964), Associação Israelita Brasileira (clube social-recreativo, fundado em 1953), Congregação Israelita Mineira (fundada em 1996, de culto liberal), Escola Theodor Herzl (fundada em 1961), União Israelita de Belo Horizonte (fundada em 1922), Wizo (estabelecida em Belo Horizonte desde 1945), Pioneiras (criada na cidade em 1960), movimento juvenil Habonim Dror, Sociedade Amigos do Beit Chabad (1986), além do Instituto Histórico Israelita Mineiro (IHIM), fundado em 1984 e que promove pesquisas históricas, palestras, exposições, exibição de fotos e filmes, mantendo arquivo, biblioteca, videoteca, hemeroteca, fitoteca e museu abertos aos sócios e outros interessados.

Aproximadamente 800 famílias, cerca de quatro mil pessoas, vivem no Estado de Minas Gerais, quase a totalidade em Belo Horizonte. Há poucas famílias no interior do Estado, constando registros mais significativos em Governador Valadares.

DISTRITO FEDERAL | Brasília Telefone: (61) 3273-8255 http://www.acibdf.org.br/

História da comunidade judaica de Brasília

A Associação Cultural Israelita de Brasília (ACIB) foi fundada em 1964, quatro anos após a inauguração da cidade, para atender à comunidade judaica que chegou à região a partir de final dos anos 50.

Em sua fundação, havia cerca de 70 famílias, formadas em sua maioria de servidores públicos que vieram transferidos de vários Estados do Brasil, principalmente da cidade do Rio de Janeiro.

Em lote doado pelo governo do Distrito Federal, foi construída, em 1977, a sede da ACIB. A construção deveu-se ao esforço das integrantes da WIZO, organização feminina judaica criada na cidade em 1963, que trabalhou arduamente para arrecadar os fundos necessários.

A comunidade é composta por cerca de 200 famílias, muitas vindas de outras partes do Brasil e do mundo, o que confere um caráter transitório à presença de muitos de seus membros. A comunidade teve somente um rabino, Michel Leipziger mas hoje não tem nenhum.

A ACIB mantém atividades religiosas, culturais e sociais e é responsável pelo setor judaico do Cemitério de Brasília – Campo da Esperança, adquirido em meados dos anos 90. O movimento juvenil Hashomer Hatzair atua na cidade desde 2009.

História da comunidade judaica da Bahia

A história dos judeus na Bahia comporta dois momentos distintos: a presença de cristãos-novos no período colonial, e a imigração e formação de uma comunidade judaica moderna no século 20.

A presença de cristãos-novos na Bahia remonta ao início da colonização do Brasil. Alguns sustentam que já na frota de Pedro Álvares Cabral figurava um cristão-novo, Gaspar da Gama.

Muitos chegaram ao Nordeste, onde tiveram participação no desenvolvimento social, cultural e econômico da região, nos séculos 16 a 18, como senhores de engenho, comerciantes, agricultores, artesãos e outros ofícios. Ao mesmo tempo, enfrentavam restrições para pertencer a ordens religiosas, como as Irmandades de Misericórdia, e às Câmaras Municipais.

De qualquer forma, não existe relação entre a história dos cristãos-novos no período colonial e a história moderna judaica na Bahia no século 20. Uma não é continuidade da outra, e elas se referem a períodos e movimentos históricos inteiramente distintos.

Os judeus imigraram para Salvador na década de 1920 e formaram uma comunidade organizada e com intensa vitalidade social e cultural: em 1924, uma sinagoga foi instalada em uma casa particular e, em 1925, foi fundada a Escola Israelita Jacob Dinenzon. Nos anos 1930, foi criada a escola Ber Borochov, de orientação sionista.

Foram também criados um cemitério, a Sociedade Beneficente, Wizo, Naamat-Pioneiras e o clube Hebraica. A Sociedade Israelita da Bahia foi fundada em 1947. A comunidade chegou a ter cerca de 800 pessoas e suas atividades incluíam teatro e imprensa.

Ao longo do século 20, pequenos núcleos judaicos também se estabeleceram em Ilhéus, Itabuna, regiões do cacau, e Bonfim, Petrolina, Juazeiro e Jacobina, acompanhando o Rio São Francisco.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia básica

Lipiner, Elias. Os judaizantes nas capitanias de cima. São Paulo – estudos sobre os Cristãos-Novos do Brasil nos séculos XVI e XVII, Brasiliense, 1969.

Maio, Marcos Chor Calaça, Carlos “Um balanço da bibliografia sobre anti-semitismo no Brasil”. In: BIB – Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n° 49, p. 15-50, 2000.

Novinsky, Anita. Cristãos-Novos na Bahia. São Paulo, Perspectiva, 1972.

Os judeus na Bahia, Suplemento Especial da revista Shalom, n° 296.

Saraiva, A.J. Inquisição e Cristãos-Novos. Lisboa, Estampa, 1969.

Wiznitzer, Arnold. Os judeus no Brasil colonial, São Paulo, Edusp/Pioneira, 1960.

História da comunidade judaica de Pernambuco

A história dos judeus em Pernambuco comporta três momentos distintos: a presença de cristãos-novos nos engenhos de açúcar no período colonial, a criação da primeira comunidade judaica nas Américas, durante a ocupação holandesa no século 17, e a imigração e formação de uma comunidade judaica moderna no século 20.

A primeira comunidade judaica organizada na história do Brasil se estabeleceu em Recife, durante o período da ocupação holandesa, entre 1630 e 1654. A Holanda explorou os mais de 120 engenhos de açúcar existentes em Pernambuco, e numerosos holandeses judeus integravam a Companhia das Índias Orientais.

Durante o governo de Nassau, Recife foi considerada a mais cosmopolita cidade das Américas. Entre 1636 e 1640, os judeus fundaram em Recife a primeira sinagoga e centro comunitário judaico das Américas, Kahal Kadosh Zur Israel (Santa Comunidade Rochedo de Israel). Depois, fundaram em Maurícia a sinagoga Kahal Kadosh Magen. A união das duas, em 1648, contou com a assinatura de 172 integrantes da comunidade. Além da sinagoga (e da presença do rabino Aboab da Fonseca), existiam uma escola religiosa e um cemitério. As estimativas sobre o número de judeus no período holandês variam muito, entre 350 (cf. Egon e Frieda Wolff) e 1.450 (cf. Wiznitzer).

Um significativo número de cristãos-novos já vivia em Pernambuco nos séculos 16 e 17. A primeira visitação da Inquisição se estabeleceu em Olinda em 1593-1595. O processo mais célebre foi o do cristão-novo Diego Fernandez, marido de Branca Dias, acusada de práticas “judaizantes” e de manter uma “esnorga”, um lugar de culto judaico, em um período em que não havia liberdade de culto e as práticas judaicas eram coibidas.

Já no século 20, a imigração de judeus da Europa Oriental ao Recife começou na década de 1910, quando uma primeira casa de orações em uma residência particular começou a funcionar. Em 1918, foram fundados o Centro Israelita de Pernambuco e uma escola, a Iídiche Schul. O cemitério foi inaugurado em 1927, mesmo ano da Synagoga Israelita da Boa Vista. Em 1930, foi erguida uma sinagoga sefaradi.

Entre as instituições comunitárias, estavam cinco escolas, a entidade assistencial Relief, um clube, biblioteca e teatro iídiche, movimentos juvenis sionistas, organizações femininas Wizo e Pioneiras. Os judeus se aglutinaram principalmente nos bairros de Boa Viagem e Boa Vista, em uma comunidade que chegou a ter 1.600 pessoas.

Em 1992, foi fundado o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco e, em 1994, a Associação para a Restauração da Memória Judaica das Américas. No ano 2000, o edifício onde funcionou a antiga sinagoga Kahal Kadosh Zur Israel durante o período holandês, na “Rua dos Judeus”, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Em 18 de março de 2002, ela foi reinaugurada. Sobre suas ruínas, foi criado um museu que visa documentar a história da vida judaica no Brasil. A data 18 de março foi escolhida para ser o Dia Nacional da Imigração Judaica.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia básica:

Dines, Alberto; Carvalho, Francisco Moreno de e Falbel, Nachman (org.). A Fênix ou o Eterno Retorno. Brasília, Ministério da Cultura, 2001.

Gonçalves de Mello, J. A., Gente da Nação: cristãos-novos e judeus em Pernambuco 1542-1654. 1990.

Kaufman, Tânia Neumann. Passos perdidos – história recuperada. A presença judaica em Pernambuco. 2001.

Wiznitzer, Arnold. Os judeus no Brasil colonial, São Paulo, São Paulo, Pioneira, 1966.

Wolff, Egon e Frieda. A odisséia dos judeus no Recife. São Paulo, CEJ, 1979.

História da comunidade judaica do Rio Grande do Norte

A presença judaica em Natal, Rio Grande do Norte, teve início nas décadas de 1910 e 1920, com imigrantes judeus oriundos de diversos países da Europa, como a Ucrânia, a Espanha e a Polônia, que chegaram à cidade atraídos pelo crescimento do comércio na região. O núcleo inicial foi em torno de quatro irmãos e um tio da família Palatnik. Conforme escreveram Egon e Frieda Wolff: “Seria difícil de imaginar a comunidade judaica de Natal, a partir do segundo decênio do século 20, sem os Palatnik”.

Em 1925, foi fundado o Centro Israelita, que funcionava também como uma sinagoga. Em 1927, as famílias judaicas locais contrataram uma professora que veio da então Palestina para ensinar judaísmo. Ainda na década de 1920, um espaço regular de educação judaica para crianças começou a funcionar, junto a um programa de educação judaica complementar.

Com a criação do Centro Israelita em Natal e o crescimento da comunidade local, que passou a contar com mais de trinta famílias, foi fundado um cemitério (e uma sociedade funerária/Chevra Kadisha) com a doação, em 1931, pela prefeitura de Natal de uma área reservada no Cemitério Público do Alecrim, onde ainda hoje se encontra o cemitério judaico.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estado sediou uma base militar norte-americana, em Parnamirim, e a presença de um pequeno número de soldados judeus, incluindo um capelão, Shaftei Baum, animou a vida comunitária. A escola judaica, que estava sem funcionar, foi formalmente reinaugurada pelo capelão Baum, em 15 de julho de 1944.

O Centro Israelita manteve suas atividades até 1968, quando muitas famílias migraram para a região Sudeste e também para Pernambuco, atraídos pelo desenvolvimento econômico destas áreas. O Centro somente reiniciaria as suas atividades a partir de 1979, por iniciativa de recém-chegados e de alguns descendentes das primeiras famílias.

Em sua grande maioria, os judeus do Rio Grande do Norte vivem em Natal e na região metropolitana. Segundo o censo oficial realizado pela Federação local, em 2005 existiam 75 famílias assim distribuídas: Natal: 50 famílias; Mossoró: 2 famílias; João Pessoa: 5 famílias; Campina Grande: 10 famílias; outras cidades: 13 famílias.

Bibliografia: Wolff, Egon e Frieda. Natal. Uma comunidade singular. Rio de Janeiro, Cemitério Comunal Israelita, 1984.

História da comunidade judaica do Ceará

A comunidade judaica do Ceará organizou-se formalmente nos anos 90, tendo como marco a fundação da SIC- Sociedade Israelita do Ceará, em 1993.

Entre as entidades judaicas ligadas à SIC, atuando em Fortaleza, encontram-se: a Sinagoga Beit Yaacov, a Chevra Kadisha, a Escola Atid de educação judaica não-formal (para crianças de três a dez anos) e o Movimento Juvenil Habonim Dror – snif Fortaleza. Existe também uma ala judaica em cemitério localizado na região metropolitana de Fortaleza.

Atualmente, 25 famílias estão associadas à SIC, perfazendo um total de 100 pessoas. O número estimado de judeus na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará, é de 180 pessoas.

RIO DE JANEIRO | Rio de Janeiro http://fierj.org

História da comunidade judaica do Rio de Janeiro

A segunda atual maior comunidade judaica do Brasil começou a se formar na metade do século 19. Com a proclamação da independência em 1822 e a relativa liberdade religiosa instaurada pela Constituição de 1824, teve início a chegada de judeus à então capital do país. Antes desse período, entre os séculos 16 e 18, houve uma significativa presença de cristãos-novos no Rio de Janeiro (e também ação e perseguição por parte da Inquisição).

A primeira instituição judaica fundada na cidade foi a União Shel Guemilut Hassadim, estabelecida em 1840-1850 por judeus marroquinos que migraram do norte do Brasil. Em 1867, foi criada a Alliance Israélite Universelle; em 1873, a Sociedade União Israelita. Outra instituição dessa época é a Sociedade Israelita do Rito Português.

Na última década do século 19, havia cerca de 200 judeus vivendo no Rio de Janeiro. Em 1900, eram duas as sinagogas, e a população da cidade chegou a cerca de 2 mil pessoas no final da Primeira Guerra Mundial. Foi nesse período que começou um intenso desenvolvimento institucional e comunitário, com a criação de várias outras instituições: sinagoga Centro Israelita do Rio de Janeiro (1910), entidade assistencial Achiezer (1912, que se tornaria em 1920 a Sociedade Beneficente Israelita e Amparo aos Imigrantes – Hilfs-Ferein-Relief, ligada à JCA, Hias e Emigdirect.), Cemitério de Vila Rosali (1920), Sociedade das Damas Israelitas (Froein Farain, 1923), Lar da Criança Israelita (1923), Policlínica Israelita (1937), Lar da Velhice (1936) e outras. A Associação Religiosa Israelita (ARI) foi fundada por imigrantes judeus alemães em 1942. A ARI mantém o Lar União – Associação Beneficente Israelita (1939) e o movimento juvenil Chazit. Um centro social e cultural dos judeus era a Praça Onze, pelo menos até a década de 1950.

O movimento sionista e os grupos judaicos de esquerda eram muito ativos no Rio de Janeiro. O 1° Congresso Sionista no Brasil foi realizado em 1922 com a presença de quarto diferentes movimentos. Entre os movimentos e instituições de esquerda, socialistas, comunistas e seguidores do Bund estavam a Biblioteca Israelita Brasileira Scholem Aleichem (1915), o Colégio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem (1928) e o Centro Operário Morris Vinchevsky (1928). Esta linha de atuação permanece até hoje por meio da Associação Scholem Aleichem. A comunidade judaica no Rio de Janeiro tem, segundo dados da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, 80 entidades afiliadas.

A cidade de Niterói tem uma comunidade judaica organizada desde 1916. Petrópolis e Campos também mantiveram comunidades. Em Nilópolis, a comunidade se organizou a partir dos anos 1920 e, em 1947, quando Nilópolis se tornou um município, havia cerca de 300 famílias judias vivendo ali.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia:

“Judeus no Rio”, Revista Shalom, n° 157, julho 1978

Lesser, Jeffrey H. Welcoming the Undiserables: Brazil and the Jewish Question (1995)

Malamud, Samuel. Recordando a Praça Onze (1988);

Malamud, Samuel. Documentário. Contribuição judaica à memória da comunidade judaica brasileira (1992)

Malamud, Samuel. Do Arquivo e da Memória. Fatos, personagens e reflexões sobre o sionismo brasileiro e mundial (1983).

História da comunidade judaica no Pará

A segunda comunidade judaica organizada na história do Brasil, após a comunidade em Recife no período colonial, foi fundada em Belém, capital do Estado do Pará, a partir da década de 1820, com o início da imigração de judeus do Marrocos (oriundos da Península Ibérica nos séculos 15 e 16).

Com a Abertura dos Portos, em 1808, D. João VI permitiu e incentivou o comércio internacional do Brasil, o que propiciou tolerância religiosa e atraiu ao país viajantes, cientistas e comerciantes. A Inquisição, já praticamente sem ação no Brasil, teve um fim formal em 1821 e a Constituição de 1824, promulgada por Dom Pedro I, garantiu a liberdade de culto, desde que não exercido publicamente.

Atraídos pela riqueza da borracha (mas também especiarias, cacau e drogas do sertão) e as possibilidades comerciais em torno deste produto no início do século 19, imigrantes judeus chegaram à região amazônica e lá se estabeleceram. Trabalharam lado a lado com nordestinos, sírio-libaneses e imigrantes de outros países. Foi, nas palavras do professor Samuel Benchimol, a fase da geração dos pioneiros, em que os judeus foram viver e trabalhar no interior da Amazônia e ao longo dos rios da região.

Em Belém, judeus fundaram a primeira casa de oração (sinagoga sem face pública, o que era restringido pela Constituição do Império) moderna no país, a sinagoga Shaar Hashamain, em torno de 1824, segundo relatos que chegaram ao século 20. Em 1842, foi fundado um cemitério judaico na cidade. Outra sinagoga, Essel Abraham, foi fundada na capital do Pará em 1889/1892. A língua falada pelos judeus do Marrocos era o hakitía, amálgama de espanhol, hebraico, árabe e português.

Nos anos da Primeira Guerra Mundial, a comunidade chegou a contar com cerca de 800 pessoas. Também havia pequenos núcleos em outras localidades ao longo da Amazônia, em Itacoatiara, Cametá, Parintins, Óbidos, Santarém, Humaitá e outras cidades, mas não se estabeleceram comunidades organizadas. Parte destes judeus se misturou à população local, dando origem a muitas lendas regionais.

Em 1918, foi fundado em Belém o Centro Israelita do Pará e, em 1919, a escola Dr. Weizman, marcos da comunidade judaica na cidade. Ainda em 1918, o major Eliezer Levy fundou o jornal “Kol Israel”, de linha sionista.

A comunidade atual, com cerca de 450 famílias, é formada pelos descendentes dos imigrantes marroquinos, somados aos imigrantes da Europa Oriental, ashquenazim, que vieram no período do entreguerras e em outras imigrações posteriores. Os costumes e tradições do Marrocos ainda se mantêm, mesmo com a chegada de judeus asquenazitas no período entreguerras. Estes se adequaram ao estilo marroquino dos judeus da Amazônia.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz. O último parágrafo é de Reneé Avigdor.

Bibliografia:
Benchimol, Samuel. Eretz Amazônia. Os judeus da Amazônia. Manaus, Valer, 2008.
Falbel, Nachman. David José Pérez. Uma biografia. R.J., Garamond, 2005.

História da comunidade judaica do Amapá

As primeiras famílias de judeus provindos do Marrocos, de origem sefaradita, emigraram para a Amazônia brasileira vindos da Península Ibérica, inicialmente com presença nos Estados do Pará e Amazonas, século 19, ano 1824.
Macapá, situada no meio do mundo, no marco zero da carta geográfica brasileira, à época município pertencente à jurisdição do Estado do Pará, passou a ser parte do Território Federal do Amapá, em 1943, que transformou-se no Estado do Amapá, em 1988. A cidade recebeu, entre seus primeiros judeus, as famílias Peres, Zagury, Alcolumbre, Bemergui, Ellarat, Gabay, Barcessat, Cohen, Sananiz, entre outros.

Trabalhadores judeus, efetivos cidadãos incorporados à comunidade, constituíram-se grandes comerciantes. Como exemplo, há Moysés Zagury (z’l) & Cia., Salomão Alcolumbre (z’l) Derivados de Petróleo S/A; empreendedores da área de telecomunicação, as famílias Tobelem e Alcolumbre, das redes de televisão Bandeirantes e Record; relevantes serviços na área política, famílias Tobelem e Alcolumbre, na Assembleia Legislativa do Amapá, na Câmara dos Deputados e Senado Federal; além do ilustre major Eliezer Moisés Levy, prefeito de Macapá, nos anos de 1932 a 1935 e de 1942 a 1944.

A comunidade judaica de Macapá, por suas relevantes significações, deixou indeléveis marcas na história do Estado do Amapá, obtendo o reconhecimento com o registro de muitos nomes aos logradouros – Rua Isaac Alcolumbre, Alameda Abraão Peres, Aeroporto Alberto Alcolumbre, Trapiche Major Eliezer Levy, entre outras homenagens.

As primeiras reuniões da comunidade, nos shabatot e festas religiosas aconteciam na residência da família de Moysés Zagury (z’l), presidente de honra do Comitê Israelita do Amapá, em forma de seudá com kidush, na Avenida Fab, transformando-se em sinagoga. Posteriormente, as reuniões ocorriam na sala comercial da família Ruben Bemergy, mudando-se para os altos da residência da família Sol Errat. A sinagoga passou a ter imóvel próprio, doado pela família Pierre Alcolumbre, à Rua Gertrudes Saturnini de Loureiro 437, cep 68905-830, Perpétuo Socorro.

O Centro Israelita do Amapá foi fundado em 2004, e no ano de 2009 institucionalizou-se sob razão social de Comitê Israelita do Amapá. utilidade pública Há três cemitérios israelitas na cidade.

SÃO PAULO | São Paulo https://www.fisesp.org.br/

História da comunidade judaica de São Paulo

A imigração de judeus para São Paulo começou no final do século 19, mas foi a partir da década de 1910 que teve início a formação de uma comunidade judaica organizada, com imigrantes oriundos principalmente da Europa Oriental (Rússia, Polônia, Romênia, Lituânia e outros) e, pouco depois, do Líbano e da Síria.

O contexto paulista de intenso crescimento urbano e econômico dos primeiros anos do século 20 e o ambiente de uma cidade cosmopolita, culturalmente aberta e receptiva e com uma população significativa de imigrantes atraíram a imigração judaica. Restrições imigratórias nos Estados Unidos, Canadá e Argentina tornaram o Brasil, particularmente São Paulo, um destino preferencial destes imigrantes.

As primeiras entidades fundadas na capital foram: Sinagoga Kahalat Israel (1912), Sociedade Beneficente das Damas Israelitas (1915), Sociedade Beneficente Ezra (1916), movimento sionista Ahavat Zion (1916), Sinagoga Knesset Israel (1916), Gymnasio Hebraico-Brasileiro Renascença (1922), Sociedade Cemitério Israelita (1920), organização feminina sionista Wizo (Women`s International Zionist Organization – 1926), Clube Macabi (1927), Sociedade Cooperativa de Crédito Popular do Bom Retiro (1928) e Policlínica Linath Hatzedek (1929). A imigração sefaradi (mizrahi???) do Líbano e da Síria deu-se nos anos 1920, com a fundação da Comunidade Israelita Sefaradi (1924) e o estabelecimento de duas sinagogas no bairro da Mooca. (Valeria a pena fazer menção à sinagoga Beth-El que virou museu?)

Na década de 1920, portanto, os judeus em São Paulo mantinham uma rede de instituições sociais, culturais, religiosas e assistenciais que moldaram a formação de uma comunidade judaico-brasileira e definiram a inserção dos judeus na cidade e no Estado de São Paulo. A partir da chegada a São Paulo de imigrantes refugiados do nazismo, em 1936, foi fundada a Congregação Israelita Paulista (CIP) e um Lar das Crianças. A CIP chegou a ter 2.000 famílias de sócios. Entre as várias entidades fundadas neste período estão: B´nai Brith (1931), Ginásio Talmud Torá (1932), Sanatório Ezra para doentes com tuberculose (1936, em São José dos Campos), Organização Feminina de Assistência Social (Ofidas, 1940) e Asylo dos Velhos (1941, atual Residencial Israelita Albert Einstein – Lar Golda Meir).

No interior do Estado de São Paulo, comunidades foram estabelecidas em várias cidades: Santos, São Caetano, Santo André, São José dos Campos, Mogi das Cruzes, Sorocaba, Jundiaí, Campinas, Ribeirão Preto, Franca, especialmente em torno do comércio no eixo das ferrovias que serviam à economia do café. Em dezenas de outras cidades, existiram núcleos formados por algumas pequenas famílias. A população judaica de São Paulo atingiu mais de 20 mil pessoas no ano de 1940.

Movimentos juvenis sionistas foram fundados a partir dos anos 30 e 40, como HaShomer Hatzair, Gordonia, Ichud, Dror, Bnei Hakiva, Netzach, Betar, Chazit Hanoar e também o Grupo Escoteiro e Bandeirante Avanhandava. Imigrantes judeus continuaram a chegar mesmo durante a guerra e o fluxo continuou após 1945, com programas específicos para receber os refugiados e sobreviventes do Holocausto. No pós-guerra, foi estabelecida a Organização Sionista em São Paulo e, em 1946, fundada a Federação Israelita do Estado de São Paulo, resultado de campanhas em prol da recepção aos refugiados judeus durante e após a Segunda Guerra Mundial, que permitiram a vinda ao País de muitos sobreviventes do Holocausto.

Em 1940, começaram as transmissões no rádio do programa “Mosaico”. Em 1960 o programa estreou na televisão. É o mais antigo programa ininterruptamente no ar da televisão brasileira. A comunidade judaica manteve uma imprensa significativa, também em iídiche, nas primeiras décadas. Em 1954, foi fundado o Instituto Cultural Israelita Brasileiro (Icib, a Casa do Povo). Junto com o Teatro de Arte Israelita Brasileiro (Taib) e a Escola Scholem Aleichem, representavam os judeus de esquerda, muitos dos quais ligados ao Partido Comunista, que cultivavam a cultura e a língua iídiche. Na década de 50, a comunidade recebeu imigrantes da Hungria e também dos países árabes, entre eles o Egito.

Outras entidades comunitárias importantes são: Naamat Pioneiras (1948), A Hebraica (1954), Centro Israelita de Assistência ao Menor (Ciam, 1959), Casa de Cultura de Israel (1964), Hospital Israelita Albert Einstein (1971), Arquivo Histórico Judaico Brasileiro (1976) e Unibes (1976 – a partir da fusão de Ezra, Policlínica e Ofidas), mais importante entidade assistencial da comunidade judaica em São Paulo. Também existe um Centro de Estudos Judaicos na Universidade de São Paulo, onde funciona um curso de graduação em Língua e Literatura Hebraica, com programas de mestrado e doutorado.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia básica:
-Cytrynowicz, Roney. Unibes 85 anos. Uma história do trabalho assistencial na comunidade judaica em São Paulo. São Paulo, Narrativa Um, 2000.
-Cytrynowicz, Roney e Cytrynowicz, Monica Musatti. A Congregação Israelita dos Pequenos. História do Lar das Crianças da Congregação Israelita Paulista – 65 anos. São Paulo, Narrativa Um, 2002.
-Falbel, Nachman Estudos sobre a comunidade judaica no Brasil. São Paulo, Federação Israelita do Estado de São Paulo, 1984.
-Hirschberg, Alice Irene. Desafio e Reposta. A História da Congregação Israelita Paulista. S.P., CIP, 1976;
-Lesser, Jeffrey H. Welcoming the Undiserables: Brazil and the Jewish Question. University of California Press, 1995.
-Rattner, Henrique Rattner. Tradição e Ruptura (A comunidade judaica em São Paulo). São Paulo, Ática, 1977.
Wolf, Egon e Frieda. Guia Histórico da Comunidade Judaica de São Paulo. São Paulo, B´nai B´rith, 1988.

História da comunidade judaica do Amazonas

A imigração judaica para a Amazônia se deu a partir do século 19, com maioria de judeus sefaradim, originários do Norte da África: Tânger, Tetuan, Rabat, Casablanca, Marrocos francês e espanhol, Argélia e outros lugares, incluindo também Portugal (que era também parte da rota de imigração ao Brasil).

Antes do ciclo da borracha, chegaram à região (incluindo a Amazônia peruana) cerca de 300 famílias judaicas. Entre 1851 e 1910, chegaram outras 700. No total, cerca de 650 foram para o Pará, 200 para o Amazonas e outras dezenas para a Amazônia peruana (Iquitos).

Já no período áureo do ciclo da borracha, lembra o professor Samuel Benchimol, a Amazônia foi povoada, também por grande número de imigrantes portugueses, espanhóis, italianos, franceses, ingleses, alemães, além de sírio-libaneses chegados à região no final do século 19. As atividades exercidas pelos judeus estavam também relacionadas com outros países, como o Peru.

Essa imigração do século 19 não deixou uma comunidade judaica organizada em Manaus e outros centros urbanos na virada para o século 20. Provavelmente a maioria se dispersou em pequenas localidades onde exerciam suas atividades comerciais.

Foi após a decadência do ciclo da borracha que uma comunidade sólida se estabeleceu na capital do Estado. Com a crise econômica na região se fortaleceram as comunidades de Manaus e Belém. Em 1925, foi fundada em Manaus a sinagoga Beth Jacob e, em 15 de Junho de 1929, foi criado o Comitê Israelita do Amazonas – CIAM, marcos da moderna vida judaica. Entre 1930 e 1950, a comunidade em Manaus teve cerca de 250 famílias. As instituições locais incluem também a Sinagoga Beth Jacob/Rebi Meyr, o clube A Hebraica e o Cemitério Israelita/Chevrah Kadishah de Manaus. O “Semana CIAM” é o informativo oficial do Comitê Israelita do Amazonas.