24 de fevereiro de 2017 English Español עברית

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Kibutz
Inspirados pelos ideais do sionismo e do socialismo no início do século 20, imigrantes judeus que se estabeleceram na então Palestina criaram comunidades agrícolas em que todas as propriedades e meios de produção eram coletivos. O nome kibutz deriva da palavra hebraica Kvutzá, que significa grupo. O primeiro deles, chamado Degania, foi fundado em 1909, na margem sul do Lago Tiberíades (Kineret, em hebraico).

Nas primeiras décadas, o kibutz era uma comunidade igualitária, baseada em propriedade comunal. As decisões eram tomadas em assembleias-gerais, por meio do voto majoritário, e a responsabilidade das decisões era de toda a coletividade. Não havia nenhum tipo de bem particular, e a comunidade deveria suprir todas as necessidades de seus integrantes e famílias. Em troca do trabalho, todos recebiam moradia, alimentos, roupa, serviços sociais e de saúde.

Na década de 70, essas comunidades viveram sua primeira grande modificação. Além da atividade agrícola, os kibutzim (plural de Kibutz) desenvolveram parques industriais. Essa época também marcou o início do período de decadência do modelo kibutziano, que se acentuou nos anos 80 e 90. Na virada para o século 21, na tentativa de estancar a crise do movimento, os kibutzim iniciaram o debate para a transição a um novo modelo de convivência. Foram desenvolvidas, então, três propostas, todas baseadas na divisão das receitas financeiras da comunidade:

a) comunal: a divisão da receita do kibutz entre seus integrantes é igualitária e comunal. Os moradores mais antigos e as famílias mais numerosas têm benefícios adicionais na divisão. Não há separação formal entre renda do kibutz e renda dos integrantes. Tudo é parte de um caixa comunitário.

b) integrado: a receita do kibutz é dividida de acordo com três princípios: os moradores mais antigos têm renda e benefícios assegurados; os integrantes que ganham salários com trabalho fora do kibutz contribuem, com parte de sua renda, para o caixa geral; e a divisão da receita respeita critérios estabelecidos em assembleia-geral em cada kibutz.

c) rede de segurança: é o método em que bens e propriedades e receitas são privatizados. A divisão da renda não é igualitária: quem ganha e contribui mais com o kibutz tem uma fatia maior na divisão da receita. A diferença é que o kibutz estabelece o mínimo que cada integrante deve receber para ter um nível de vida que lhe dê segurança. Quem não tem um salário suficiente para receber esse mínimo na divisão dos recursos, ganha uma complementação do caixa-geral.

De acordo com dados do movimento kibutziano, em 2008, havia 256 kibutzim em Israel, com uma população estimada em 106 mil pessoas. Dessas comunidades, cerca de 170 adotam o modelo da rede de segurança, outras 30 usam o método integrado e cerca de 60 se autodenominam de “comunais”.