A

Foi precursor do sionismo trabalhista e inspirador do pioneirismo agrícola sionista (movimento “chalutziano”). Mais do que um teórico, aplicou seu pensamento na prática. Nasceu em 9 de junho de 1856 no vilarejo de Troyanov, coração do império czarista. Sua educação religiosa influenciaria obra e pensamentos. Autodidata, aprendeu diversos idiomas e outras disciplinas gerais. Ainda jovem, já se mostrava um educador carismático. Por vinte anos, ajudou a administrar as propriedades de um parente, o Barão Joseph Guenzburg, mas, em 1904, aos 48 anos, decidiu imigrar à então Palestina.

Gordon acreditava que todo o sofrimento e perseguição eram resultados do estado de imobilismo dos judeus na Diáspora e que a única forma de mudar isso seria a realização de trabalho na terra, do contato sagrado com o solo, na região em que os patriarcas e ancestrais judeus haviam vivido. A salvação e a redenção viriam, segundo ele, do esforço individual do judeu que trabalhasse na agricultura. Como meio de provar isso, mesmo sem nenhuma experiência com o trabalho rural, se tornou agricultor e trabalhou em localidades como Petach Tikva, Rishon Le Tzion e algumas aldeias na Galileia. Mais tarde iria se estabelecer no kibutz Degania.

Em seus escritos, afirmou ter criado a “religião do trabalho” e que essa era a melhor forma de unir e rejuvenescer o povo judeu. Como outros trabalhadores rurais, sofreu com a pobreza, o desemprego e doenças, como a malária. Isso o tornaria uma espécie de líder espiritual dos trabalhadores, que vinham até ele em busca de conselhos e de ajuda. Até o fim da vida, evitou a política e a filiação a partidos dentro da Organização Sionista. Recentemente, acadêmicos que estudam a obra de Gordon afirmaram que ele foi muito influenciado pelo novelista russo Leon Tolstoi, assim como pela cabalá e o chassidismo (*). Gordon morreu em 1922. Depois disso, um grande movimento juvenil na Europa, chamado de Gordonia, foi criado para perpetuar seus pensamentos e ensinamentos. Boa parte dos imigrantes europeus, que fundou pouco tempo depois a maioria dos kibutzim em Israel, saiu dessas fileiras.

(*) O “ch” transliterado do hebraico se pronuncia como um “RR” forte.

No judaísmo, o aborto não é totalmente proibido. Mas há uma divisão entre as diversas correntes religiosas sobre as situações em que sua realização pode ser autorizada. Há concordância geral para efetuá-lo no caso de a gestação ser considerada de risco para a mãe. Neste caso, dá-se prioridade à vida da gestante.

Para algumas correntes judaicas ortodoxas, mesmo no ventre da mãe, o feto não é considerado um “ser vivente”. Ele passa a ser reconhecido como tal somente a partir de seu nascimento parcial, ou seja, se a testa já saiu de dentro do corpo da mãe. No caso de o feto não causar perigo de vida à mãe, a maioria das opiniões dentro das correntes religiosas sustenta que o aborto não deva ser feito, mesmo que a criança possa ter sido concebida por meio de incesto ou estupro.

Há uma polêmica em relação às crianças com graves doenças genéticas, cujo prognóstico é de que não vivam por muito tempo. Há linhas que apoiam a realização do aborto. Mas há outras, baseadas no livro do Zohar, a obra máxima do misticismo judaico, que acreditam que a prática deve ser proibida, sob o argumento de que as almas precisam descer a este mundo, mesmo que para viver por dias ou horas, para completar sua missão divina.

Achad Haam (1856 – 1927)

É considerado o pai do sionismo cultural. Seu nome verdadeiro era Asher Ginzberg. Nasceu em Skvira, pequena cidade próxima a Kiev, Ucrânia. Sua família era ortodoxa, e sua educação nos primeiros anos de vida seguia os princípios chassídicos (*). Ainda jovem, foi atraído pela filosofia moderna e pelas descobertas científicas. Contra os desejos do pai, tornou-se autodidata em vários idiomas, como russo, alemão, inglês e francês. Aprofundou-se nos estudos de filosofia, literatura e ciências. Sua principal linha de trabalho era tentar encontrar uma síntese entre o judaísmo e influências culturais absorvidas por pensadores europeus contemporâneos.

A criação do conceito de “espírito nacional judaico” foi sua marca registrada. Para ele, todas as nações teriam um “espírito” próprio. O dos judeus seria baseado no ideal pregado pelos profetas bíblicos, que consistia na busca da justiça e não do poder. Seria este ideal, segundo Ginzberg, que teria permitido a sobrevivência do povo judeu durante os séculos, sob diversas condições. Associou-se ao movimento Chovevei Tzion (Amantes de Sion), mas logo se tornou um crítico de seus métodos. Escreveu diversos ensaios e os assinava como Achad Haam (que significa uma pessoa do povo). Neles, afirmava que a maneira com que se fundavam pequenos núcleos agrícolas na então Palestina era errada, pois os pioneiros estavam despreparados e desinformados sobre a realidade que os esperava. Isso faria com que abandonassem a iniciativa ou esperassem a ajuda de filantropos judeus da Diáspora, o que não levaria à criação de um centro nacional judaico.

Também se tornou crítico de Theodor Herzl. Dizia que sua proposta de sionismo era quase messiânica e causaria desilusão entre os judeus. Para Achad Haam, na fase inicial, o movimento sionista não precisava de um Estado independente, mas de um grande núcleo populacional, que possibilitaria o desenvolvimento de expressões culturais, agrícolas e científicas. Para ele, esse crescimento cultural passaria a ser o núcleo da nação judaica, que irradiaria a cultura para as comunidades na Diáspora e as atrairia para a então Palestina, fortalecendo a identidade judaica do povo. Segundo Achad Haam, quando a maturidade e a produção cultural dos judeus na Palestina atingissem o auge, o sionismo estaria pronto para passar à próxima etapa, a criação de um Estado. “Então, esse será o Estado Judeu, e não meramente um Estado de Judeus”, afirmava. Achad Haam mudou-se para Tel Aviv em 1922. Morreu em 1927.

(*) O “ch” transliterado do hebraico se pronuncia como um “RR” forte.

Marcaram o início das negociações de paz diretas entre israelenses e palestinos, em 1993.

Foram elaborados após uma série de encontros secretos, que foram mediados pela diplomacia norueguesa e realizados na capital do país escandinavo. Seus princípios básicos eram os seguintes: de um lado, Israel reconhecia a Organização para Libertação da Palestina (OLP) como legítima representante dos direitos e interesses do povo palestino. Do outro, a OLP se comprometia a anular o parágrafo de sua carta de fundação que pregava a destruição de Israel e reconhecia o direito de os judeus viverem em segurança em seu próprio Estado.

Os acordos previam o estabelecimento de datas para o avanço gradual do processo de paz. A assinatura foi feita em uma cerimônia festiva, no dia 13 de setembro de 1993, nos jardins da Casa Branca, em Washington, EUA. O cronograma previa um período interino de cinco anos de autogoverno palestino, a ser implantado em quatro etapas. Em 1994, seria estabelecido o autogoverno na Faixa de Gaza e na área de Jericó. No mesmo ano, seria aplicada a segunda fase, que envolvia a transferência de poderes aos palestinos na Cisjordânia em cinco esferas – educação e cultura, saúde, bem-estar social, impostos e turismo. A terceira etapa estava prevista para 1995 e estabelecia a ampliação de áreas do autogoverno palestino na Cisjordânia e a eleição de uma autoridade autônoma para permitir aos palestinos a condução de seus assuntos internos. A última etapa previa o início das negociações sobre os arranjos para o status final, incluindo assuntos polêmicos como a questão dos refugiados palestinos de 1948, os núcleos judaicos na Cisjordânia, acesso às fontes de água e a divisão de Jerusalém.

Das quatro etapas, três foram cumpridas. Mas uma série de ataques de terroristas suicidas atrasou o início das negociações finais. Outro golpe contra os acordos veio com o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin por um extremista judeu, em 4 de novembro de 1995. Na eleição de 1996, Shimon Peres, mentor do processo de paz, foi derrotado por Binyamin Netanyahu, do Likud. Peres liderava as pesquisas de intenção de voto, mas um atentado no centro de Tel Aviv, às vésperas da eleição, fez a balança pender para Netanyahu.

As negociações enfrentaram dificuldades até 1999, quando, em novas eleições, o trabalhista Ehud Barak superou Netanyahu. Em outubro de 2000, com mediação de Bill Clinton, Barak tentou chegar a um acordo final com Yasser Arafat. Israel se mostrou disposto a fazer concessões históricas. Mas os dois lados não chegaram a um acordo, e a negociação naufragou. Pouco depois, explodiu a segunda Intifada, o que enterraria de vez os acordos de Oslo.

Correntes do judaísmo ortodoxo não veem com bons olhos o uso de métodos anticonceptivos como forma de planejamento familiar, mas não os proíbem totalmente. Eles são aceitos em casos em que há riscos ou limitações de saúde. As demais correntes dentro do judaísmo não fazem restrições explícitas ao uso de anticonceptivos.

Termo usado pela primeira vez em 1879, em um ensaio do filósofo alemão Wilhelm Marr, para descrever o ódio aos judeus. Literalmente, significa “oposição aos povos de origem semita”, o que inclui também outros semitas, como os árabes. Porém, desde sua criação, tem sido usado em referência a pensamentos, conspirações e atitudes violentas ou discriminatórias contra os judeus.

É difícil situar sua origem, mas autores especialistas no tema, como Robert Wistrich e Peter Schafer, afirmam que o ódio aos judeus teria sido difundido pela primeira vez pelos gregos, na Antiguidade, inconformados com a resistência das comunidades judaicas em abrirem mão de seus costumes e tradições.

No século 3 A.E.C., o historiador grego Hecateu de Abdera, referindo-se aos judeus, escreveu que Moisés, “em memória do exílio de seu povo, lhes instituiu um estilo de vida misantrópico (que tem aversão à humanidade) e inospitaleiro”. No mesmo sentido, quase um século depois, Filon, o famoso filósofo judeu-helênico, descreveu em uma das suas obras o ataque à comunidade judaica de Alexandria (atualmente no Egito), no qual milhares teriam morrido. Na ocasião, os judeus também foram acusados de misantropos.

Muitos fatores motivaram e fomentaram o antissemitismo ao longo da história. Os estudiosos apontam para fenômenos religiosos, políticos e socioeconômicos. Na Idade Média, o principal fator foi o religioso. A Igreja Católica defendia a doutrina de que os judeus foram os responsáveis pela morte de Jesus Cristo (deicídio) e que, por isso, deveriam ser punidos. A única forma de salvação da alma para os judeus era a conversão “para a verdadeira fé”. Os massacres de inúmeras comunidades judaicas europeias pelos cavaleiros das Cruzadas a caminho de Jerusalém e, séculos mais tarde, a Inquisição foram marcos deste período de perseguições.

Ao fator religioso, juntaram-se o social e o econômico. Desde a Idade Média até o início do século 20, foi vedada aos judeus, em muitas sociedades europeias, a ocupação de alguns cargos e profissões, dificultando sua integração. Com as atividades restritas, muitos judeus passaram a se dedicar àquelas proibidas pela Igreja aos cristãos, como emprestadores de dinheiro e coletores de impostos, profissões altamente impopulares.

A mistura do ódio religioso e econômico foi um campo fértil, tanto durante a Idade Média como já na Idade Moderna, para a criação de mitos. Talvez o mais famoso e repetido seja o “libelo de sangue”. Os judeus, geralmente na época da Páscoa, eram acusados de sequestrar e matar crianças cristãs para fazer pão ázimo (matzá) com seu sangue. Essas histórias inventadas serviram como pretexto para ataques e pogroms contra comunidades judaicas.

O componente político do antissemitismo ganhou força já no fim do século 19, com o início do processo de unificação dos Estados europeus. Os judeus, mesmo sem ter direitos políticos e sociais equivalentes ao restante da sociedade, foram vistos como indivíduos cuja fidelidade aos países em que habitavam – e aos seus governantes – não era confiável.

Uma das principais expressões desta vertente é a publicação, no início do século 20, dos Protocolos dos Sábios de Sião. Elaborada por integrantes da monarquia czarista, na Rússia, a obra narra uma suposta conspiração judaica para dominar o mundo e enfraquecer as sociedades em que os judeus viviam. Embora reconhecidamente uma farsa, ainda hoje dá margem a inúmeras teorias conspiratórias. Na mesma época, a divulgação de obras paralelas de pseudofilósofos, como o alemão Richard Wagner, o inglês Stewart Chamberlain e o francês Joseph Arthur de Gobineau plantou a semente de ideologias totalitárias.

Juntamente com Chamberlain, o conde Gobineau, que chegou a trabalhar como diplomata no Brasil, em 1869, é considerado o pai do racismo moderno. Foi ele que juntou, pela primeira vez, o antissemitismo ao racismo, misturando os conceitos de povo e raça. Segundo Gobineau, os judeus eram inferiores aos arianos e aos teutônicos europeus, “tanto moral quanto fisicamente”. Esse conceito foi “desenvolvido” por Chamberlain no livro “The Foundations of the 19th Century”, publicado em 1912. Na obra, chega a pedir explicitamente a eliminação da “infecção judaica” no mundo. Poucos anos depois, essas ideias formariam a espinha dorsal do nazismo, o ápice do antissemitismo europeu contemporâneo, que culminou com o Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.

Com a criação do Estado de Israel, em 1948, e a persistência do conflito árabe-israelense, ganharam corpo o antissemitismo originário de países árabes e o antissionismo.

Com as contínuas derrotas militares para Israel, a propaganda no mundo árabe procurou explicar suas derrotas para um povo supostamente inferior, caracterizando os judeus como lacaios de uma potência maior, os EUA, e Israel como ponta de lança do imperialismo ocidental. Temas clássicos do antissemitismo cristão tornaram-se comuns na propaganda de movimentos fundamentalistas islâmicos, como Hamas e Hezbollah e países como o Irã. O Artigo 22 da Carta do Hamas, de 1988, afirma que os sionistas estão por trás da Revolução Francesa, da Revolução Russa, do colonialismo e das duas guerras mundiais.

Como notou o líder negro norte-americano Martin Luther King: “Quando as pessoas criticam os sionistas, elas querem atingir os judeus”. Em 1975, a Assembleia Geral das Nações Unidas, em campanha orquestrada pelos países árabes e pela ex-União Soviética, aprovou uma resolução que afirmava que o sionismo era uma forma de racismo. Posteriormente, quase todos os países não–árabes que a haviam apoiado, como o Brasil, se desculparam e se retrataram.

No início do século 21, a linha que separa antissionismo de antissemitismo é tênue. O antissionismo tem, frequentemente, o propósito de deslegitimar a existência de Israel, ignorando que o sionismo é produto de um processo histórico endógeno e legítimo de aspiração nacional. As críticas antissionistas muitas vezes procuram demonizar Israel e levaram ao ressurgimento de ataques aos judeus e aos símbolos judaicos em muitos países.

(1928 – 2014)

Político e militar israelense, nascido em 26 de fevereiro de 1928, em Kfar Malal, entre as cidades de Tel Aviv e Natânia. Aos 14 anos, se alistou na Haganá, embrião do futuro exército israelense. Quando a Guerra da Independência eclodiu, em 1948, Sharon, então com 20 anos, já era comandante de uma brigada. Nos anos 50, liderou a primeira unidade especial de contra-terrorismo do exército. Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, comandou uma divisão blindada na Península do Sinai. Dois anos depois, assumiu o comando de todo o setor sul de Israel. Em 1972, deixou o Exército. Foi reconvocado um ano depois, com o início da Guerra do Iom Kipur. Ganhou destaque ao cruzar o canal de Suez e iniciar o contragolpe das forças israelenses contra os egípcios, o que mudaria o rumo do conflito.

Sua ascensão política começou quando foi indicado ministro da Agricultura na primeira administração de Menachem Begin pelo partido Likud, a partir de 1977. Nessa época, se aproximou de grupos nacionalistas que defendiam ampla presença israelense nos territórios conquistados por Israel em 1967. Em 1981, assumiu o ministério da Defesa.

Um ano depois, na Operação Paz para a Galileia, o exército israelense invadiu o Líbano, com objetivo de combater a ameaça representada pela presença da OLP naquele país. A carreira política de Sharon sofreu sério abalo naquele mesmo ano por conta do episódio de Sabra e Shatila, quando milicianos cristãos libaneses entraram no campo de refugiados e mataram civis palestinos. Uma comissão de inquérito israelense considerou Sharon “indiretamente responsável” pelas mortes, por não ter evitado a entrada dos milicianos no campo. Ele teve de renunciar.

As consequências desse episódio o perseguiriam por quase duas décadas, quando ocupou ministérios de menor importância, e o impediram de se alçar à liderança do Likud. Isso só mudaria em 1999. Naquele ano, Binyamin Netanyahu perdeu as eleições para o trabalhista Ehud Barak e deixou o comando do partido.

Apesar dos esforços de Ehud Barak, fracassou o processo de paz israelo-palestino em 2000. No ano seguinte, o Likud voltou ao poder com Sharon. Ele formou um governo de União Nacional, com a participação do Partido Trabalhista. No ano seguinte, o governo caiu em meio a uma enorme crise econômica. Nova eleição foi realizada em 2003, e Sharon voltou a vencer, formando um novo gabinete.

Em 2005, num ato histórico, propôs e implementou a retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza, conquistada na Guerra dos Seis Dias, em 1967. A saída de cidadãos israelenses e das tropas ocorreu em setembro daquele ano. A medida provocou um racha no governo e no Likud. Novas eleições foram convocadas para o início do ano seguinte. Em novembro, Sharon anunciou sua saída do Likud depois de mais de 30 anos e fundou a legenda Kadima, que atraiu likudistas e trabalhistas para um partido que ocupou o centro do espectro político israelense. Em janeiro de 2006, dois meses antes da eleição, sofreu um grave derrame cerebral e entrou em coma profundo, que durou oito anos, até sua morte.

(ou Ashkenazi)

Termo utilizado para designar judeus nascidos ou que tenham antepassados da Europa Ocidental. Na tradição judaica, Ashkenaz é o termo para designar a região das “Terras do Reno”, onde hoje está localizada a Alemanha. Muitas das comunidades judaicas espalhadas pela Europa central e oriental no período medieval foram fundadas por judeus originários de Ashkenaz. Na maioria delas, o principal idioma era o iídiche, que tem raízes no hebraico, alemão e línguas eslavas.

B

(ou Bar Kochba)

Líder militar da última revolta judaica contra Roma (132-135 D.E.C. – depois da Era Comum). Seu nome original era Simão Ben Kosiba, mas ganhou o nome de guerra de Bar Kochva, que em aramaico quer dizer “Filho da Estrela”. A revolta começou depois que o imperador de Roma Adriano quebrou sua promessa de reconstruir Jerusalém e o Templo, que haviam sido destruídos pelo general Tito, na revolta de 70 D.E.C. Em vez disso, Adriano decidiu reconstruir, sobre os destroços de Jerusalém, uma cidade romana, com características pagãs. Inspirado por Rabi Akiva, um dos mais proeminentes sábios judeus da época, Bar Kochva deu início à revolta. Ele morreria três anos depois, no cerco à fortaleza de Betar, último reduto da rebelião.

Marca a maioridade religiosa de meninos (bar) e de meninas (bat). Eles atingem essa marca aos 13 anos de idade. Elas, aos 12. A tradução literal do termo é “filho (filha) do Mandamento”. Segundo a tradição judaica, a origem do bar mitzvá está na Bíblia, na passagem em que Levi, um dos filhos de Jacob, ganha o direito de portar uma espada pela primeira vez (Gênesis 34:5). De acordo com as fontes judaicas, Levi tinha, então, 13 anos.

Para o judaísmo, a maioridade religiosa significa que o menino e a menina passam a ter responsabilidades perante a comunidade e assumem o cumprimento dos preceitos religiosos. Sábios judeus afirmam que a criança, ao chegar a essa idade, torna-se intelectualmente madura para assumir estas responsabilidades. Essa maturidade intelectual é também espelhada em seu físico, quando meninos e meninas ingressam na adolescência.

É costume em todas as comunidades que esta data seja comemorada com muita festa e alegria. O menino é chamado pela primeira vez à Torá. Em comunidades não ortodoxas, as meninas também são chamadas. Após o filho (filha) ser chamado à Torá, o pai recita uma prece especial, na qual agradece a D’us por isentá-lo, a partir daquele momento, da responsabilidade pelos atos do filho, transferindo esta responsabilidade ao próprio bar ou bat mitzvá.

(1949 – )

Político israelense, primeiro-ministro de Israel e um dos líderes do partido Likud. Nasceu em 1949, em Tel Aviv. Ainda adolescente mudou-se com a família para os EUA, onde seu pai foi lecionar em universidades. Voltou a Israel e serviu em uma unidade antiterrorista de elite do exército, onde ficou de 1967 a 1972. Completou os estudos superiores no MIT e em Harvard, EUA, cursando Arquitetura e Administração de Empresas. Sua carreira na vida pública começou em 1982, quando foi nomeado vice-embaixador de Israel em Washington. Dois anos depois, tornou-se embaixador israelense na ONU.

Em 1993, após a derrota eleitoral do Likud para os trabalhistas liderados por Yitzhak Rabin, foi escolhido líder do partido. Nas eleições de maio de 1996, derrotou Shimon Peres e tornou-se o primeiro-ministro mais jovem de Israel.

Em 1999, foi derrotado pelo trabalhista Ehud Barak nas eleições e se afastou da vida pública. Em seu lugar, Ariel Sharon assumiu a liderança do Likud. Netanyahu voltou a assumir cargo público em 2003, quando, ainda sob o comando de Sharon, o partido venceu de forma esmagadora o trabalhismo nas eleições. Netanyahu tornou-se o ministro da Economia. Em 2005, o partido sofreu um grave racha, quando Sharon decidiu pela retirada unilateral da Faixa de Gaza. O então primeiro-ministro saiu do partido e fundou uma nova legenda, o Kadima.

Netanyahu reassumiu a liderança do Likud. Nas eleições de 2006, o partido sofreu sua pior derrota desde 1992. Sharon venceu, mas após um grave derrame, em janeiro de 2006, entrou em coma. Em seu lugar, assumiu Ehud Olmert, que montou uma coalizão com os trabalhistas, que se desfez em 2008.

Novas eleições foram convocadas para fevereiro de 2009. O Kadima, liderado por Tzipi Livni, conquistou uma cadeira a mais que o Likud, mas os partidos da direita, como o Israel Beitenu, foram os que mais cresceram, o que favoreceu um arco de alianças com o Likud. Netanyahu também conseguiu atrair os trabalhistas e formou um governo com ampla maioria. Em 31 de março de 2009, assumiu o novo governo e voltou ao poder.

C

De acordo com a tradição religiosa, o calendário judaico (luach, em hebraico) foi criado há mais de 3.300 anos, quando D’us teria mostrado a Moisés a lua nova do mês de Nissan, duas semanas antes do início do êxodo dos escravos judeus do Egito. Esta revelação teria acontecido 2.448 anos após a criação do mundo, que é considerado o marco zero do calendário.

O calendário judaico é lunissolar: os meses seguem as fases da lua – começam a cada lua nova –, porém são feitos ajustes de acordo com as estações do ano, regidas pelo sol. Isso acontece para que as festividades judaicas, que devem ser realizadas em determinadas fases do ano (como a Páscoa, na primavera do hemisfério ocidental) não caiam em estações trocadas. No total, são 12 meses que têm entre 29 e 30 dias. Portanto, cada ano judaico é 11 dias mais curto do que o ano do calendário gregoriano (solar). Para ajustar essa diferença, foram criados anos bissextos, quando ocorre a adição de um mês . No calendário judaico, existem sete anos bissextos a cada 19 anos. Eles são formados, invariavelmente, no 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º anos desse ciclo.

Os meses hebraicos são: Nissan (março/abril); Iyar (abril/maio); Sivan (maio/junho); Tamuz (junho/julho); Av (julho/agosto); Elul (agosto/setembro); Tishrei (setembro/outubro); Chesvan (outubro/novembro); Kislev (novembro/dezembro); Tevet (dezembro/janeiro); Shevat (janeiro/fevereiro); Adar (fevereiro/março) e Adar 2, em consequência do ano bissexto, (março/abril). Como a referência é sempre a lua, os dias não se iniciam depois da meia-noite, como ocorre no calendário gregoriano, mas sempre ao surgimento da primeira estrela na noite anterior. Por isso, as festas e os feriados judaicos sempre começam ao anoitecer. Por exemplo, se um feriado cair na terça-feira, seu início oficial, pelo calendário judaico, será ao anoitecer de segunda-feira.

Há ainda mais uma diferença marcante em relação ao calendário gregoriano: embora o primeiro mês judaico seja o de Nissan, que marca a saída dos judeus do Egito, a contagem de um ano novo não se dá na passagem do mês de Adar para Nissan. Isto porque, pela tradição religiosa, o mundo e os primeiros seres humanos foram criados por D’us no início do mês de Tishrei. Por isso, o Ano Novo Judaico (Rosh Hashaná) é celebrado na passagem do mês de Elul para Tishrei.

O campos de extermínio foram grandes instalações construídas pela Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo aniquilar os “inimigos e elementos indesejáveis” do regime liderado por Adolf Hitler, como judeus, ciganos, homossexuais, adversários políticos, prisioneiros de guerra soviéticos e poloneses. A maior parte destes campos foi erguida para cumprir os objetivos da Solução Final para a questão judaica, decidida pelos nazistas na Conferência de Wannsee, na Alemanha, no início de 1942. Eles receberam “equipamentos especiais”, como câmaras de gás e fornos crematórios, que permitiram sistematizar e tornar a matança impessoal. A maior parte dos campos de extermínio estava localizada na Polônia, país que tinha a maior comunidade judaica e ficava próximo a outros grandes centros judaicos na Europa Central e Oriental.

É preciso distinguir campos de extermínio e campos de concentração. Os últimos faziam parte de um sistema de encarceramento e aglomeração, mas seu objetivo não era o extermínio, ainda que a falta de alimentos e os maus-tratos tenham causado a morte de milhares de prisioneiros nesses locais. Diferentemente dos de extermínio, os campos de concentração dispunham de bases de recursos de trabalho forçado para empresas alemãs. Muitas vezes, os judeus inicialmente detidos nestes campos de concentração eram posteriormente enviados para os campos de extermínio. Também havia campos de trabalhos escravos. Eles foram construídos em todos os países ocupados pelos nazistas, para explorar mão de obra que foi usada por empresas consideradas importantes para o esforço de guerra hitlerista.

O maior campo de extermínio foi Birkenau, também conhecido como Auschwitz II, pois fazia parte do complexo do campo de concentração de Auschwitz, próximo à cidade polonesa de Oswieczim. A estimativa dos historiadores é que mais de 1,1 milhão de pessoas, a maioria judia, tenham perecido em Auschwitz-Birkenau. Outros campos nazistas destinados apenas à matança de prisioneiros foram Treblinka (700 mil mortos); Belzec (430 mil), Sobibor (170 mil), Chelmno (150 mil) e Majdanek (80 mil).

(1874 – 1952)

Cientista e estadista, primeiro presidente de Israel, Chaim Weizmann nasceu na aldeia de Motol, perto da cidade de Pinsk, atualmente na Bielorrússia. Estudou Química na Alemanha e doutorou-se na Suíça. Foi professor nas Universidades de Genebra (Suíça) e de Manchester, na Inglaterra. Abraçou a causa sionista ainda adolescente. Pouco antes do 5º Congresso Sionista Mundial, em 1901, participou da criação da Facção Democrática, que reivindicava, entre outras coisas, mais democracia dentro do movimento sionista. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914- 1918), ajudou os esforços britânicos ao desenvolver um método inovador para a fabricação de acetona, matéria-prima para explosivos.

Utilizou sua influência para atrair jornalistas e políticos do Reino Unido à causa sionista. Seus esforços culminaram com a Declaração Balfour, em 1917, na qual o governo britânico anunciou que via com bons olhos o estabelecimento de um lar judaico na então Palestina. Um ano depois, visitou a região como integrante de uma comissão especial do governo inglês, que fez recomendações positivas sobre a criação de um Estado para os judeus. Durante essa visita, ajudou a elaborar as bases do que viria a ser a Universidade Hebraica de Jerusalém, criada em 1925. Em 1920, foi eleito presidente da Organização Sionista Mundial. Finalmente, em 1937, mudou-se para a Palestina e fixou-se na cidade de Rehovot, onde, no início daquela década, ajudara a fundar o Instituto Daniel Sieff, que em 1949 foi rebatizado como Instituto Weizmann de Ciências.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou na criação do batalhão judaico, que lutou ao lado dos britânicos contra os nazistas e seus aliados. Também foi importante para o esforço de guerra americano, participando da criação da borracha sintética. Após o término do conflito, tornou-se um dos principais porta-vozes do movimento sionista. Em 1947, teve papel fundamental no trabalho de bastidores nas Nações Unidas que, em novembro daquele ano, votou e aprovou a Partilha da Palestina. No fim de 1948, foi indicado e ratificado pela Knesset como presidente de Israel, cargo que ocupou até a sua morte, em 1952. Weizmann está sepultado próximo à sua antiga residência em Rehovot.

Festa que comemora a vitória dos judeus sobre o Império Selêucida (greco-sírio), em 165 A.E.C. (antes da Era Comum), e a purificação do Templo Sagrado, em Jerusalém. Em hebraico, Chanucá significa inauguração. A festa tem esse nome para relembrar que, após a profanação pelos selêucidas, o templo foi “reinaugurado” pelos judeus. A celebração acontece por oito dias, começando, no calendário judaico, em 25 de Kislev.

Por volta de 160 A.E.C., o rei Antioco IV , que dominava a região, iniciou uma forte repressão aos cultos religiosos judaicos, proibindo a circuncisão e o respeito ao shabat (dia do descanso), além de invadir o templo de Jerusalém, centro do monoteísmo judaico, e profaná-lo com a colocação de estátuas de deuses gregos. O objetivo do monarca era promover a assimilação e a aculturação forçada dos judeus aos costumes helenísticos. À repressão, os habitantes da região responderam com uma grande revolta, que foi comandada pelo clã dos Hasmoneus. O líder mais conhecido da revolta é Yehuda. Ele recebeu do povo o apelido de Macabeu por causa de sua grande força e liderança. Macabi é a palavra hebraica para martelo (cuja raiz etimológica é Macav). Morto em combate, Yehuda tornou-se um grande herói na tradição judaica. Os Hasmoneus passaram a ser conhecidos como Macabim.

A rebelião contra os selêucidas durou três anos. Ao final, os judeus expulsaram os conquistadores. O templo foi purificado. Para marcar o evento, era necessário o acendimento da menorá, o tradicional candelabro de sete braços judaico. Porém, foi encontrado um único frasco de óleo puro necessário para acendê-la, quantidade que não era suficiente para mais de uma noite. Era necessário manter o candelabro aceso por um intervalo maior, para dar tempo aos sacerdotes de fabricar uma quantidade maior de óleo purificado, como mandava a lei sagrada. Mesmo assim, o candelabro foi aceso e, milagrosamente, esse único frasco de óleo manteve sua chama durante as oito noites que levaram até a preparação de um novo óleo. Por isso, Chanucá também é chamada de “Festa das Luzes”. Desde então, estes oito dias passaram a ser considerados santificados. Entre os principais costumes da festa está o acendimento da chanukiá, candelabro de oito braços. Entre as crianças, o costume é jogar um pião de quatro faces nas quais estão escritas as letras iniciais das palavras hebraicas que formam a frase “nes gadol haia sham”, cujo significado é “houve lá um grande milagre”. Outro hábito da festa é presentear as crianças.

É uma corrente religiosa ortodoxa fundada em 1740, na Polônia, por Israel Ben Eliezer, conhecido como Baal Shem Tov (O Dono do Bom Nome). Surgiu em meio a uma época difícil para os judeus da Europa Central, afligidos pela pobreza e pelas perseguições. Baal Shem Tov ganhou o respeito e admiração dos judeus pobres e oprimidos, por insistir que não era preciso ser um grande sábio e estudar a fundo as fontes judaicas para se aproximar de D’us. Segundo ele, era possível chegar a esse objetivo com a prática simples e sincera da devoção na reza, associada a alegres canções, danças e histórias. Com isso, o chassidismo (*) abandonou o formalismo ritual e despertou maior importância ao sentimento religioso do que à prática. O mentor do movimento dizia que se a oração fosse feita com devoção e alegria especiais, permitiria aos fieis entrar em ligação direta com o Divino. Essa prática permitiu unir pobres e ricos, sábios e os pouco letrados em uma corrente de reza e devoção. Os seguidores também adotaram uma vestimenta padrão simples, que assim não permitia a diferenciação entre pobres e ricos.

Embora não fosse rabino, Shem Tov conseguiu atrair muitos sábios para seu círculo. Após duas gerações, centenas de rabinos elaboraram os ensinamentos de Shem Tov, atraindo mais discípulos e fundando correntes de sucessão. Foi assim nasceu o movimento chassídico pelo mundo todo, tornando-o o mais popular entre a ortodoxia judaica. O maior e mais conhecido deles é o Chabad, nascido na Rússia e que hoje tem sede em Nova York, Estados Unidos.

(*) O “ch” transliterado do hebraico se pronuncia como um “RR” forte.

Movimento precursor do sionismo. Em hebraico, significa “amantes de Sion”. Foi fundado na Europa, no início dos anos 1880, com o objetivo de promover a imigração judaica à Terra de Israel, então sob domínio do Império Otomano. A ideia de seus fundadores, como o rabino Samuel Mohilever, era desenvolver núcleos rurais. À diferença de outros movimentos que viriam depois, a maioria dos integrantes do Chovevei Tzion (*) não se envolvia em política e não havia uma intenção declarada de criar um Estado judaico na região. Na Europa, o movimento era financiado por filantropos, como o Barão Edmund James de Rotschild. A primeira colônia agrícola fundada pelo movimento foi Rishon Le Tzion (em hebraico, O Primeiro em Sion), em 1882, cidade que existe até hoje em Israel.

Com as ondas de perseguições e massacres das comunidades judaicas no Império Russo, entre 1881 e 1884, o movimento ganhou apoio e se espalhou por toda a Europa. Seu principal executivo foi Leon Pinsker, inicialmente defensor da integração judaica às sociedades em que viviam, e que teve seu pensamento mudado após o sangrento pogrom de Kishinev. No início da década de 1890, o movimento ajudou no estabelecimento das cidades de Hadera e Rehovot e na recuperação da colônia agrícola de Mishmar Hayarden. Em 1897, na véspera da realização do 1º Congresso Sionista Mundial, em Basileia, Suíça, o Chovevei Tzion contava com 4 mil afiliados. Todos se uniram ao movimento sionista encabeçado por Theodor Herzl.

(*) O “ch” transliterado do hebraico se pronuncia como um “RR” forte.

(ou Margem Ocidental)

Território com 5.860 km², (equivalente ao território do Distrito Federal). Também é chamada de Margem Ocidental (do rio Jordão), uma herança dos tempos de ocupação pelos jordanianos; e de Judéia e Samária por algumas correntes nacionalistas e ortodoxas do judaísmo, já que a região é nomeada assim em textos bíblicos. Cerca de 2,65 milhões de pessoas vivem na Cisjordânia. Entre suas principais cidades estão: Ramallah (capital), Jenin, Nablus, Hebron, Belém e Jericó.

Pelo plano de Partilha da Palestina aprovado pelas Nações Unidas, em 29 de novembro de 1947, a maior parte da Cisjordânia seria destinada ao Estado árabe. Com a rejeição da partilha pelos governos árabes e a liderança palestina, estourou a guerra ao fim do mandato britânico, em maio de 1948. O Exército da Transjordânia (atual Jordânia), apoiado por batalhões iraquianos, atravessou a fronteira e conquistou a Cisjordânia. Os assentamentos judaicos na região, como o bloco de Etzion, foram atacados e derrotados. Os jordanianos também tomaram o setor oriental de Jerusalém, incluindo a cidade velha, expulsando os judeus da região.

Com o sucesso militar jordaniano e a criação de Israel, a região recebeu milhares de palestinos. A maioria deles veio da Galileia e de cidades da faixa costeira como Acre, Haifa, Jaffa, Lidda e Ramle. De acordo com estimativas da ONU na época, cerca de 500 mil palestinos se estabeleceram em campos de refugiados espalhados pelas Cisjordânia. Em 1950, o rei Abdullah anexou formalmente a região ao seu reino, sem tratar da questão dos refugiados palestinos. A medida foi criticada pela Liga Árabe. Apenas o Reino Unido e o Paquistão reconheceram a anexação.

Em 1967, começou a Guerra dos Seis Dias. A Jordânia se aliou à Síria e ao Egito. Em apenas dois dias, Israel conquistou toda a Cisjordânia, incluindo a cidade velha e o setor oriental de Jerusalém. Com a rejeição árabe às negociações de paz na conferência de Cartum (Sudão), Israel começou a implantar núcleos na região. Esse projeto ganhou grande impulso nos anos 1980, quando o governo ofereceu incentivos econômicos aos israelenses que quisessem se estabelecer na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Em 1993, Israel e a Organização para Libertação da Palestina (OLP) assinaram o Acordo de Oslo que deu início ao processo de paz. Um ano depois, foi assinado o Acordo do Cairo que concedeu autonomia administrativa aos palestinos nos principais centros urbanos da Cisjordânia. Porém, nos anos seguintes, com o fracasso das negociações, a região tornou-se palco de diversas erupções de violência. Em 2000, explodiu a segunda Intifada. O número de ataques terroristas dentro de Israel aumentou. Numa tentativa de barrar a infiltração de homens-bomba, o governo israelense decidiu construir uma cerca de segurança. O número de ataques reduziu-se drasticamente.

Em 2007, com a guerra civil entre as facções Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, e o Hamas, a Cisjordânia passou a ser a principal base da Autoridade Nacional Palestina. A Faixa de Gaza ficou nas mãos do Hamas. Em 2008, o premiê israelense Ehud Olmert e a Autoridade Palestina concordam em retomar as negociações de paz, mas o diálogo não avançou. De acordo com o Escritório de Estatísticas de Israel, em 2008, havia mais de 340 núcleos judaicos na Cisjordânia, e o número de cidadãos israelenses chegava a quase 300 mil.

Colinas de Golã (ou Golan)

Composto de áreas montanhosas e platôs, é um território de aproximadamente 1.800 km² (pouco maior do que a área do município de São Paulo). Região estratégica, limitada ao norte pelo Líbano, ao sul pela Jordânia, a oeste pela região da Galileia israelense e a leste pela Síria, país que governou a região até 1967. A origem do nome Golã é bíblica. Os relatos sagrados afirmam que na região havia uma cidade-refúgio chamada de Gaulan ou Jaulan. O terreno local é basicamente composto de rochas e solo vulcânico. Sua geografia é entremeada por montanhas, elevações e vales. Seu ponto mais alto é o Monte Hermon, de 2.814 metros, que fica na extremidade norte. Ao sul, na fronteira com a Jordânia, a região é plana e se aproxima do nível do mar.

Além de estar encravada na fronteira entre quatro países, a região é estratégica por outros dois motivos: controle sobre fontes de água e o relevo alto, que permite a vigilância sobre o território dos países vizinhos. Essa segunda característica fez com que a região fosse chamada de “os olhos do país” (em hebraico, Einaim ha Mediná).

Desde a fundação do Israel, em 1948, as cidades, kibutzim e outras colônias agrícolas próximas à região eram alvos de atiradores sírios que ficavam sobre o platô montanhoso. Eram comuns as escaramuças militares na região, seguidas de ações de retaliação das forças israelenses. Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou a região. Seis anos depois, durante a Guerra do Iom Kipur, os sírios, em coordenação com os egípcios, lançaram um ataque surpresa na tentativa de recuperar a região, mas foram repelidos. Em 1981, por meio de uma decisão do Knesset, o território foi incorporado a Israel.

Desde o início da década de 90, algumas iniciativas de paz aproximaram Israel e Síria de um acordo para a devolução do território para o governo de Damasco, em troca de segurança à fronteira norte israelense. Mas os diálogos não prosperaram. De acordo com os dados mais recentes do censo de Israel, há, aproximadamente, 40 mil pessoas vivendo na região. Desse total, 19,3 mil são drusos, 2,1 mil muçulmanos não-drusos (os dois grupos já viviam no Golã antes de 1967) e 16,5 mil israelenses.

D

David Ben-Gurion (1886-1973)

Foi o primeiro primeiro-ministro de Israel. Foi o político mais influente do país e líder que conduziu o processo político que levou à decisão da ONU pela Partilha da Palestina em dois Estados, em novembro de 1947 e, depois, à fundação do Estado judaico. Na condição de líder do Governo Provisório Judaico na então Palestina, foi Ben-Gurion quem leu a declaração de independência de Israel, em 14 de maio de 1948, em Tel Aviv.

Nascido em Plonsk, na Polônia, em 1886, David Gruen imigrou para a Palestina em 1906, onde adotou o nome de David Ben-Gurion. Foi um dos fundadores e líder do movimento socialista Poalei Tzion (Trabalhadores de Sion), que mais tarde deu origem ao Mapai (sigla, em hebraico de Mifleguet Poalei Eretz Israel, Partido dos Trabalhadores de Israel), criado em 1930. Devido às suas intensas atividades sionistas, foi preso e expulso da Palestina pelo Império Otomano, em 1915. Estabeleceu-se nos EUA, onde conheceu e casou com Pola Munweis. Eles voltaram à Palestina em 1917, já sob mandato britânico, ao final da Primeira Guerra Mundial.

Ben-Gurion participou, também, da fundação de instituições importantes como a Histadrut (Confederação Geral dos Trabalhadores) em 1920. Em 1948, após a independência de Israel, organizou o exército, unificando todos os braços paramilitares que atuavam na Palestina. Durante os primeiros anos de governo, acumulou os cargos de primeiro-ministro e ministro da Defesa. Foi premiê por duas vezes. A primeira, entre 1948 e 1952. No fim de seu mandato instalou-se no kibutz Sde Boker, no deserto do Negev, sul do país, e tentou impulsionar a colonização da região. Sucedido por Moshe Sharret, voltou ao cargo em 1955, depois de uma crise dentro do governo. Deixou o poder em 1962, substituído por Levi Eshkol. Em 1965, desligou-se do Mapai e fundou um pequeno partido de oposição, o Rafi. Mesmo afastando-se da política, continuou exercendo forte influência até a sua morte, em dezembro de 1973.

Fundado em 1909 por sete imigrantes judeus da Romênia, foi o primeiro kibutz estabelecido em Israel, em terras compradas pelo Fundo Nacional Judaico e repassadas ao movimento sionista. Localizado na margem sul do Lago Tiberíades (em hebraico, Kineret), foi abandonado um ano depois, quando o grupo de fundadores se dispersou. Em 1911, um novo grupo de imigrantes, dessa vez de origem russa, se estabeleceu no mesmo local. Em pouco tempo, o kibutz cresceu. Este grupo de pioneiros impôs obstáculos à adesão de novos membros e, em 1920, com a chegada de uma nova onda imigratória da Europa, foi fundado, ao lado, o kibutz Degania Bet.

Degania e Degania Bet desempenharam papel importante na história de Israel. Além de serem os primeiros kibutzim – um modelo socialista e coletivo de vida e de produção totalmente diferente do que era experimentado pelo mundo até então –, foram o lar e o local de nascimento de algumas personalidades do país. Entre eles o pensador sionista Aaron David Gordon, o ativista sionista Joseph Trumpeldor, o primeiro-ministro Levi Eshkol e o líder militar e político Moshe Dayan. Em 1948, durante a Guerra da Independência, Degania foi importante ao ajudar a deter o avanço do Exército sírio sobre o norte de Israel.

Degania e Degania Bet têm, hoje, mais de mil habitantes. Em 2007, passaram por um importante movimento de reforma estrutural. Como a maioria dos kibutzim de Israel, deixaram o modelo coletivista e passaram ao que foi chamado em Israel de “processo de privatização” (leia mais no verbete “Kibutz”).

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Jerusalém foi reunificada e, pela primeira vez após 2.000 anos, não só os judeus puderam ir livremente aos seus lugares sagrados, como também a liberdade de culto para muçulmanos e cristãos foi garantida, pela Lei de Proteção dos Lugares Santos, promulgada imediatamente após a vitória.

Em 1968, foi decidido que o dia que marcou a libertação – 28 de Iyar, de acordo com o calendário lunar judaico – seria um feriado nacional em Israel, o Dia de Jerusalém. Nessa data, é celebrada a reunificação da cidade e a ligação visceral do povo judeu com Jerusalém ao longo de sua história.

O dia é marcado por cerimônias de Estado, serviços de memorial para os soldados que morreram na batalha por Jerusalém, desfiles pelo centro da cidade, orações nas sinagogas, palestras sobre temas relacionados e programação especial de televisão.

Os alunos das escolas em todo o país aprendem sobre o significado da Cidade Sagrada e realizam festas. O dia é comemorado também nas escolas judaicas de todo o mundo. A frase “No ano que vem, em Jerusalém” fez parte das preces dos judeus por quase 2.000 anos.

A força evocada pela cidade está presente nestas palavras do profeta Isaías e do Salmo 137:

“Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a Sua justiça como um resplendor, e a Sua salvação como uma tocha acesa”. [Isaías 62:1]

“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao céu da boca, se não me lembrar de ti” [Salmo 137:5-6]

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Instituição antiga dentro da religião judaica, oficializada por um documento chamado Guet. Segundo a tradição, o divórcio é concedido pelo homem à mulher, porque, no casamento, a noiva é consagrada ao noivo. Portanto, quando uma união termina, é a mulher quem recebe o documento formalizando o fim do casamento, que não pode ocorrer sem o seu consentimento. Pelas leis religiosas, se houver um novo casamento, sem que o Guet tenha sido emitido, homem e mulher estarão cometendo adultério.

O marido pode ser obrigado por uma corte religiosa a oferecer o divórcio, quando é infiel ou não pode prover sustento à esposa ou a agride fisicamente. Em outras situações, há um esforço por parte das autoridades para que haja a conciliação entre as partes e o divórcio não ocorra.

Assunto polêmico. Não há um posicionamento definitivo entre as correntes judaicas. A exceção é a doação intervivos, aceita por todos os ramos.

A principal polêmica em torno da doação está na definição, pelas correntes religiosas, de quando a morte ocorre. Algumas linhas ortodoxas do judaísmo rejeitam a definição médica da morte cerebral. Para elas, o óbito só acontece com a parada do coração, o que inviabiliza a doação.

Mas, de acordo com outras correntes e até mesmo dentro de setores da ortodoxia, a vida cessa com o fim da atividade cerebral. Assim, a doação de órgãos não só é permitida como também é vista como um dos princípios religiosos mais importantes dentro do judaísmo, chamado de “pikuach nefesh” (salvação da vida), que tem precedência sobre outros mandamentos, como, por exemplo, o respeito aos mortos (em hebraico, kavod ha mêt). Esse princípio religioso judaico ordena que os corpos sejam enterrados o mais rápido possível, intactos.

Um exemplo do debate recente sobre o assunto foi a aprovação da lei de doação de órgãos em Israel, em abril de 2008. O projeto causou muita polêmica entre a população e dentro do Parlamento. Mas acabou aprovado, até mesmo com apoio de setores da ortodoxia.

(1881 – 1917)

É a principal figura do sionismo socialista. Nasceu no vilarejo de Zolotonosha, na Ucrânia. Educou-se em uma escola pública russa, mas, por ser judeu, o ingresso em universidades lhe foi negado. Autodidata, mergulhou nos estudos de idiomas e obras filosóficas. Aproximou-se do sionismo graças à influência de seu pai, Aaron Moses, professor de hebraico que ajudou a organizar o grupo Chovevei Tzion. Foi influenciado pelas teorias de Karl Marx e Friedrich Engels e, aos 19 anos, entrou para a política russa filiando-se ao Partido Social Democrata. Em 1901, ao começar a desenvolver suas próprias teorias, que envolviam o nacionalismo judaico, foi expulso do partido. Em 1905, juntou-se ao partido Poalei Tzion. Suas atividades políticas o levaram à prisão pelo governo czarista e, em 1907, ao exílio nos EUA.

A principal marca de sua obra foi a derivação do pensamento marxista na crença de que as forças econômicas não eram os únicos fatores que determinavam a história. Para Borochov, cada povo estava sujeito a condições nacionais únicas e teria de resolvê-las antes de iniciar a luta de classes. No caso do povo judeu, ele dizia, o problema era a condição de ser “hóspede” em todos os países, o que impedia sua real integração na estrutura de classes das sociedades. Pelo fato de os judeus serem impedidos, por lei, de assumir uma série de profissões e atividades, a estrutura social judaica era uma “pirâmide invertida”, composta, na maioria, por profissionais liberais e intelectuais (burgueses), e por uma minoria de proletários e trabalhadores. Em contraste com as estruturas sociais tradicionais, havia um choque. Borochov dizia que, na tentativa de evoluir, o proletariado de outros povos se chocava com a burguesia judaica, o que causava o antissemitismo.

Segundo ele, a única maneira de o povo judeu reverter sua pirâmide social e tornar-se um “povo normal” seria a imigração para a Terra de Israel, onde uma classe maior de operários e trabalhadores seria desenvolvida. O nacionalismo judaico era uma forma de libertação da opressão na Europa. A partir de então, o povo judeu ingressaria normalmente no processo da luta de classes, descrito por Marx e Engels. Esse seu pensamento de libertação nacional o levou a criticar o bolchevismo. Quando a revolução russa explodiu, em 1917, ele voltaria à Rússia para reorganizar o Poalei Tzion e evitar que seus integrantes aderissem ao comunismo. Durante sua missão, adoeceu e morreu poucos meses depois, vítima de pneumonia, em Kiev, aos 36 anos. O Poalei Tzion se tornou um dos principais grupos sionistas e de suas fileiras saíram líderes que formaram os partidos sionistas socialistas que, por décadas, dominaram a política israelense.

E

(1942 – )

Militar e político israelense, nasceu em 12 de fevereiro, no kibutz Mishmar Hasharon. Alistou-se em 1959, foi comandante de uma unidade de elite do exército, especializada em ações antiterroristas. Fez brilhante carreira militar, chegando ao comando do Estado-Maior das Forças Armadas, cargo que ocupou entre os anos de 1991 e 1994. Após dar baixa, anunciou sua filiação ao Partido Trabalhista. Serviu como ministro do Interior e, após o assassinato de Yitzhak Rabin, assumiu o ministério das Relações Exteriores.

Em 1996, com a derrota de Shimon Peres para Binyamin Netanyahu, do Likud, Barak conquistou a liderança dos trabalhistas. Em 1999, em crise, o governo de Netanyahu caiu e foram convocadas eleições antecipadas. Barak obteve uma grande vitória nas urnas, tornando-se primeiro-ministro. Seu governo começou sob pressão interna, por reformas sociais, e externas, pela retomada das negociações de paz. Logo no primeiro ano, Barak anunciou a retirada unilateral do sul do Líbano, que foi completada em maio de 2000. Barak iniciou negociações de paz indiretas com os sírios, mas a iniciativa fracassou.

No segundo semestre de 2000, com ajuda do presidente americano Bill Clinton, em fim de mandato, Barak tentou chegar a um acordo definitivo de paz com a Autoridade Nacional Palestina de Yasser Arafat. Israel fez concessões importantes, como a saída da maior parte dos territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias. Arafat, no entanto, recusou a proposta e as negociações fracassaram. A coalizão política em torno do primeiro-ministro rachou. Em outubro, explodiu a segunda Intifada, com uma onda de atentados dentro de Israel. Barak dissolveu o governo e convocou “eleições especiais”. Devido a mudanças na lei eleitoral, ocorridas em 1996, pela primeira vez na história de Israel, foi possível eleger apenas o primeiro-ministro, sem a dissolução do Knesset.

Em 2001, concorreu com Ariel Sharon, do Likud. Derrotado com uma diferença de quase 25 pontos percentuais, Barak se afastou da vida pública e da liderança do partido. Voltou a ocupar essa posição apenas seis anos depois, em 2007, quando os trabalhistas aceitaram participar da coalizão de governo liderada pelo partido Kadima. Barak foi indicado vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa. Em 2008, investigado por corrupção, o premiê Ehud Olmert anunciou sua renúncia e convocou novas eleições para o início de 2009. Na disputa, o Partido Trabalhista teve o pior desempenho de sua história e obteve apenas 13 cadeiras. Em negociações com Binyamin Netanyahu, do Likud, Barak fechou acordo para que os trabalhistas participassem da coalizão de governo. Em março de 2009, foi nomeado vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa.

(1945 – )

Político israelense, foi primeiro-ministro de Israel (2006-2009). Nasceu na pequena cidade de Binyamina, entre Haifa e Natânia. Entrou no exército em 1963, onde serviu como comandante de uma unidade de combate da infantaria. Ainda nas Forças Armadas, foi correspondente do jornal do exército, o “Ba Machané” (No Acampamento). Após dar baixa, formou-se em Direito e fez pós-graduação na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Filosofia e Psicologia. Em 1973, foi eleito pela primeira vez à Knesset, pelo partido Likud. Em 1990, tornou-se ministro da Saúde no governo de Yitzhak Shamir.

Em 1993, Olmert ganhou destaque dentro e fora de Israel ao ser eleito prefeito de Jerusalém, derrotando o lendário Teddy Kollek, que administrou a cidade por 28 anos. Ficou no cargo até 2003. No mesmo ano, elegeu-se para a Knesset e foi um dos principais negociadores da equipe de Ariel Sharon para formar uma coalizão de governo. Assumiu o ministério da Indústria e do Trabalho e acumulou a pasta das Comunicações nos dois primeiros anos do governo Sharon. Em 2005, tornou-se um dos principais defensores da ideia da saída unilateral da Faixa de Gaza, iniciativa que foi adotada no fim daquele mesmo ano pelo governo de Sharon. A retirada provocou um racha dentro do governo. Binyamin Netanyahu deixou o cargo de ministro da Economia e a vaga foi assumida por Olmert. Em novembro de 2005, Ariel Sharon anunciou sua saída do Likud e a fundação do partido Kadima. Olmert acompanhou o primeiro-ministro. Em janeiro de 2006, Sharon entrou em coma depois de sofrer um grave derrame. Olmert assumiu o governo provisório. Em março, nas eleições gerais, com a vitória do Kadima, ele sagrou-se primeiro-ministro.

Em julho, explodiu a primeira grande crise em seu governo. O grupo terrorista Hezbollah lançou uma barragem de foguetes contra cidades no norte de Israel e atacou uma patrulha na fronteira com o Líbano, matando cinco soldados e ferindo gravemente outros dois. Os terroristas sequestraram os feridos e os levaram como prisioneiros. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva contra alvos do Hezbollah em todo o território libanês. A operação durou um mês, até que as duas partes aceitassem um cessar-fogo. Uma comissão oficial foi estabelecida para analisar os resultados da guerra. O relatório fez críticas ao governo e à condução do conflito por Olmert, mas não recomendou sua renúncia. Ainda assim, sua liderança ficou abalada.

Em 2007, apoiou a iniciativa do presidente George W.Bush de tentar retomar as negociações com a Autoridade Palestina. Mas discordâncias em relação à construção de núcleos judaicos fizeram o processo estancar. No ano seguinte, Olmert foi acusado de uma série de irregularidades, entre elas, suspeita de corrupção. Os crimes teriam acontecido quando ele ainda não ocupava a chefia do governo. O procurador-geral do Estado o acusou de receber doações ilegais de campanha e de receber dinheiro para favorecer empresários. Em resposta, Olmert anunciou sua renúncia e a intenção de deixar a liderança do partido Kadima. Ficou na chefia do governo provisório até março de 2009. Em setembro, mesmo afirmando inocência, tornou-se o primeiro ex-chefe de governo de Israel a ser indiciado formalmente por corrupção.

O modelo político de Israel é parlamentarista. As eleições para a Knesset (Parlamento) são realizadas a cada quatro anos, a não ser em casos de dissolução do gabinete. Qualquer cidadão israelense, independente de sua etnia ou religião, pode votar a partir dos 18 anos de idade. São disponibilizadas seções eleitorais especiais para militares, pacientes internados, detentos, diplomatas que servem no exterior e marinheiros.

Os eleitores escolhem um partido que os representará na Knesset. Antes das eleições, cada partido apresenta uma plataforma e sua lista de candidatos, em ordem de precedência, conforme determinado em prévias internas ou por outros procedimentos. Os candidatos devem ser cidadãos israelenses de mais de 21 anos. Os 120 assentos do Parlamento são distribuídos de acordo com o percentual de votos em cada partido. Para conseguir representação no Parlamento, as legendas têm de ultrapassar a cláusula de barreira que, em Israel, corresponde a 2% do total de votos válidos.

O número 1 na lista do partido com maior número de votos ou com melhores chances de montar uma coalizão de governo é indicado pelo presidente do Estado para tentar montar um gabinete. Se for bem-sucedido, ele será o novo primeiro-ministro.

Uma mudança na lei eleitoral estabeleceu, a partir de 1996, eleições diretas e separadas para primeiro-ministro e a Knesset, sendo possível convocar eleições antecipadas para premiê sem a obrigação de dissolver o Parlamento. Isso ocorreu apenas uma vez, em 2001, quando Ehud Barak (Trabalhista) e Ariel Sharon (Likud) se enfrentaram, com a vitória de Sharon. Naquele mesmo ano, a Knesset revisaria a lei e retomaria o sistema original, criado quando da fundação de Israel.

A maior parte do financiamento de campanhas é pública. A distribuição de recursos para os partidos respeita uma fórmula sobre o desempenho das legendas nas duas últimas eleições. Também é estabelecido um teto de doações particulares que cada partido pode receber. Esse valor pode variar a cada período eleitoral. Não são permitidas doações particulares de não-israelenses.

(1858 – 1922)

Considerado o pai da língua hebraica moderna, nasceu na cidade de Luzki, na Lituânia, filho de Yehuda Leib e Fayga Perelman. Foi educado em uma ieshivá (seminário religioso), onde recebeu os preceitos do judaísmo ortodoxo e tomou contato com o hebraico, então considerado apenas como a “língua sagrada” do povo judeu. No fim da adolescência, conheceu os ideais do sionismo. Aos 17 anos, deixou a vida religiosa e passou a atuar no movimento sionista. Mudou seu sobrenome para Ben Yehuda e passou a trabalhar em prol do restabelecimento de um lar na antiga Terra de Israel e da união do povo judeu pelo uso do mesmo idioma.

Em 1881, Ben Yehuda, já casado, mudou-se para Jerusalém. Poucos anos depois, ajudou a fundar duas organizações – a Techiat Israel (Renascimento de Israel) e Safá Brura (Linguagem clara/simples) – com o objetivo de estimular o ensino e o uso do hebraico entre os imigrantes judeus que começavam a chegar à Terra de Israel. Também participou da fundação do primeiro jornal em hebraico da região. Foi na atividade de repórter e editor que começou a modernizar o idioma, cuja maioria dos termos remontava às épocas bíblicas. Várias palavras e conceitos de outras línguas, como o árabe, o russo, iídiche, o inglês e idiomas latinos foram incorporadas ao hebraico. Ben Yehuda também foi um dos criadores do Conselho da Língua Hebraica, que antecedeu a Academia de Língua Hebraica, e publicou o primeiro dicionário do Hebraico Moderno e Antigo. Foi um dos pioneiros do desenvolvimento do alfabeto hebraico em letra cursiva.

Ao morrer, aos 64 anos, em Jerusalém, Ben Yehuda já tinha visto seu sonho tornar-se realidade. O crescimento da comunidade judaica na antiga Terra de Israel unida pelo uso do idioma hebraico remodelado e que continua a ser atualizado.

A divisão entre esquerda e direita em Israel não segue os critérios utilizados com mais frequência ao redor do planeta. Na maioria dos países, mesmo após o fim da Guerra Fria, a definição se aplica principalmente às visões socioeconômicas dos partidos e o papel do Estado na economia. Isso acontecia em Israel até 1967. Mas, com a conquista de territórios na Guerra dos Seis Dias, esse conceito mudou. Pela nova definição, à esquerda ficam os grupos políticos que apoiam integralmente o processo de paz e estão dispostos a um compromisso amplo de troca de terras por paz. À direita, ficam aqueles partidos que acreditam que, por motivos políticos ou históricos, a conciliação entre as aspirações árabes e judaicas é muito difícil. Por isso, tendem a rejeitar concessões territoriais.

O modelo de desenvolvimento econômico israelense também ajudou a complicar o entendimento desta divisão entre esquerda e direita. Nas primeiras três décadas de existência, auge do movimento trabalhista no poder, o país viveu sob o modelo de uma sociedade de bem-estar social, com sindicatos fortes e intensa presença do Estado. A partir da década de 80, Israel migrou para uma espécie de “capitalismo social”. O livre mercado passou a dar as cartas. A onda de privatizações não poupou nem os símbolos socialistas, como os kibutzim. No campo socioeconômico, hoje as divisões em Israel ficam por conta do debate sobre o tamanho da participação do Estado na economia de mercado e seu controle sobre alguns serviços essenciais. E, sob esse ponto de vista, alguns partidos da esquerda israelense “são mais liberais”, enquanto alguns da direita são “mais estatizantes”.

Em linhas gerais, é condenada pelo judaísmo. A prática da eutanásia ativa – ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente – é considerada um delito grave e é equiparada ao homicídio. No entanto, em casos extremos, quando apenas as máquinas são o suporte à vida de um doente terminal, a prática da chamada eutanásia passiva – a morte que ocorre dentro de uma situação de terminalidade, ou porque não se inicia uma ação médica ou pela interrupção de uma medida extraordinária, com o objetivo de minorar o sofrimento do paciente – pode ser autorizada pelos rabinos.

F

Território com pouco mais do que 40 km de extensão e largura que varia de 6 a 12 quilômetros (área de 360km², equivalente a um terço da área de Hong Kong). É limitado a oeste pelo Mar Mediterrâneo e a leste pelo deserto israelense do Neguev. Ao norte está Israel e, ao sul, o Egito. A primeira referência a Gaza é bíblica. Entre os episódios famosos que tiveram a região como palco, estão os de Sansão e as batalhas entre israelitas e filisteus.

Durante a Guerra da Independência, em 1948, quando exércitos árabes invadiram o recém-criado Estado de Israel, a Faixa de Gaza recebeu milhares de refugiados palestinos. Em 1949, após o fim da guerra, o território ficou sob administração egípcia. Nos anos 50, começou a ser usada como base por grupos terroristas palestinos que faziam operações contra Israel.

Em 1967, foi tomada pelos israelenses durante a Guerra dos Seis Dias. Com apoio do governo israelense, núcleos judeus começaram a se estabelecer na região. Em 1987, foi um dos berços da Intifada, o levante palestino contra Israel. Na esteira do processo de paz iniciado de 1993, Israel e Autoridade Nacional Palestina assinaram, em maio de 1994, os Acordos do Cairo, que deram autonomia à região. Foi esse tratado que possibilitou a volta de Yasser Arafat, então na Tunísia, aos territórios palestinos naquele mesmo ano.

Em 2005, o então primeiro-ministro Ariel Sharon anunciou a retirada unilateral de cidadãos e tropas israelenses do território. Após quase 40 anos de presença, os núcleos judaicos foram desmantelados e seus habitantes deslocados para outras áreas dentro de Israel. Em 2006, nas eleições palestinas, o movimento fundamentalista e terrorista Hamas, com longo histórico de atentados e rejeição à existência de Israel, venceu o laico Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas.

No ano seguinte, a rivalidade entre as duas facções desembocou em violento conflito. O Hamas, num golpe militar, expulsou o Fatah de Gaza e passou a controlar a região. EUA, União Europeia e outros países asiáticos interromperam o fluxo de ajuda financeira à região, enquanto o Hamas não se comprometesse a participar do processo de paz e aceitasse o direito à existência de Israel. O movimento recusou a oferta.

O governo israelense também impôs um bloqueio econômico à região, devido à posição beligerante e intransigente do Hamas, que defende a destruição do Estado judeu. O Egito, que controla um pedaço da fronteira com Gaza, também impôs bloqueio.

Em 2008, o Hamas recusou-se a prorrogar uma trégua e promoveu uma série de ataques contra alvos civis em Israel, com o lançamento de foguetes e morteiros contra cidades e povoados no sul do país. Em resposta, Israel lançou, em dezembro, uma ofensiva para destruir a infraestrutura do Hamas em Gaza e interromper o contrabando de armas e o bombardeio contra a população civil israelense.

Veja abaixo a relação de festas judaicas contempladas neste glossário:

Chanucá

Iom Kipur

Pessach

Purim

Rosh Hashaná

Shavuot

Sucot

G

Região que compõe a parte norte de Israel. É limitada a oeste pelo Mar Mediterrâneo, ao sul pelo vale de Jezreel e a leste pelo lago Tiberíades (em hebraico, Kineret). Sua área total é estimada em 4 mil km². O Galil é formado por extensas formações rochosas com alturas que variam, em média, de 500 metros a 700 metros. No inverno, as chuvas podem variar de 900 mm a 1.200 mm, o que torna a região a mais rica em flora e fauna de Israel. A origem do nome é bíblica. De acordo com o livro de Isaías, o rei Salomão presenteou o rei fenício Hiram I com terras em meio às montanhas da tribo israelita de Naftali. Isso ocorreu depois que os dois reinos fecharam uma aliança comercial e militar que assegurou o acesso à maior rota de comércio na época, que ligava o Egito à Mesopotâmia e à Arábia. Essa região ficou conhecida como Distrito das Nações (em hebraico, Glil Hagoyim).

Atualmente, a Galileia é dividida em duas sub-regiões: a Baixa Galileia, que vai dos montes Carmel e Guilboa, no sul, até o vale de Beit Hakerem, ao norte, limitada a leste pelo rio Jordão; e a Alta Galileia, que vai do vale de Beit Hakerem até a fronteira com o Líbano, sendo limitada, a leste, pelo lago Tiberíades e pelas colinas de Golã. As principais cidades da região são Acre, Naharia, Safed, Karmiel e Tiberíades. Por causa de seu porto, Haifa é o centro comercial de toda a região.

(1898 – 1978)

Uma das mulheres mais poderosas e influentes na história de Israel. Foi primeira-ministra entre 1969 e 1974. Nasceu Golda Mabovitch, em Kiev, Ucrânia. Sua família imigrou para Milwaukee, Wisconsin, nos EUA, em 1906. Lá, por influência de sua irmã Sheyna, passou a atuar no movimento sionista. Também em Wisconsin, conheceu e se casou com o pintor Morris Meyerson. Em 1921, imigraram para a Palestina e se estabeleceram no kibutz Merhavia. Três anos depois, o casal se mudou para Tel Aviv, onde Golda assumiu cargos de liderança na central sindical Histadrut. Às vésperas da criação de Israel, em 1948, foi enviada como emissária secreta à Transjordânia, na tentativa de demover o rei Abdullah de atacar o novo país.

Após a fundação de Israel, foi nomeada por David Ben Gurion como embaixadora na União Soviética. Um ano depois, voltou a Israel. Participou das eleições para a Knesset (Parlamento) e assumiu o ministério do Trabalho no gabinete de Ben Gurion. Em 1956, assumiu o Ministério das Relações Exteriores, cargo em que ficou até 1965. Nesse período que Golda “hebraicizou” seu nome de Meyerson para Meir. Foi responsável por estreitar as relações de Israel com a África e com a América Latina. Em 1968, foi peça-chave para a unificação da centro-esquerda israelense, que três anos antes havia passado por um racha. Um ano depois, com a morte do premiê Levi Eshkol, assumiu o governo.

Em outubro de 1973, Israel foi surpreendido por um ataque coordenado entre Egito e Síria. Era a Guerra do Iom Kipur, que causou um trauma profundo na sociedade israelense. A comissão Agranat, criada para apurar os erros que levaram o exército a ser surpreendido, isentou Golda e seu ministro da Defesa, Moshe Dayan, de maiores responsabilidades. Mesmo assim, sob forte pressão, renunciou em 1974. Em seu lugar, assumiu Yitzhak Rabin.

Golda Meir morreu em Jerusalém, em dezembro de 1978, vítima de câncer. Está sepultada na ala dos líderes israelenses, no cemitério do Monte Herzl, em Jerusalém.

Em 15 de maio de 1948, um dia após o término do mandato britânico na Palestina, e após a declaração de independência do Estado de Israel, os exércitos de Egito, Síria, Transjordânia (atual Jordânia), Iraque e Líbano, com apoio de unidades militares de países como Arábia Saudita e Sudão, invadiram o novo país. A esses exércitos se juntaram milícias e grupos paramilitares palestinos. Os governos árabes haviam rejeitado a Partilha da Palestina decidida pela ONU, em novembro de 1947.

Nesta guerra, Israel teve problemas para conseguir armamento, uma vez que os Estados Unidos, apesar de apoiarem a resolução da Partilha da Palestina, não quiseram fornecer armas para a defesa do Estado judeu. A única opção que restou aos israelenses foi o contrabando de armas da Tchecoslováquia.

As tropas jordanianas e iraquianas conquistaram a Cisjordânia, incluindo a cidade velha de Jerusalém. A parte ocidental da cidade ficou nas mãos dos israelenses. Ao norte, a Síria fez avanços na região do Lago Tiberíades (em hebraico, Kineret). Aos sul, os egípcios avançaram até a região de Beer Sheva.

O primeiro cessar-fogo foi declarado em 11 de junho. Com a retomada dos combates, um mês depois, Israel conquistou cidades importantes ao norte, sul e a leste. Após um segundo cessar-fogo, toda a Galileia foi conquistada, bem como o deserto do Neguev, ao sul. Cidades importantes como Lydda (Lod), Ramle e Beer Sheva caíram em mãos israelenses.

A Cisjordânia ficou sob domínio da Jordânia, e foi anexada pelo país dois anos depois. A Faixa de Gaza ficou sob domínio egípcio e tornou-se um território administrado militarmente.

Em termos absolutos, essa foi a guerra que mais causou baixas aos israelenses. Cerca de 6 mil soldados morreram, quase 1% da população de Israel na época.

O conflito terminou com a assinatura de vários acordos de armistício; o primeiro com o Egito, em fevereiro de 1949; o último, com a Síria, em julho do mesmo ano.

No dia 6 de outubro de 1973, tropas egípcias e sírias lançaram um ataque surpresa e coordenado contra Israel, que comemorava o dia mais sagrado do calendário judaico, o Iom Kipur.

A guerra era uma tentativa de Egito e Síria de recuperar os territórios perdidos seis anos antes, na Guerra dos Seis Dias: a Península do Sinai e as Colinas de Golan. Para os governos árabes, a derrota em 1967 teve também alto preço político e diplomático. Anuar Sadat, o presidente egípcio que assumiu após a morte de Nasser, em 1970, dizia que era preciso mudar o status quo da região.

Durante os meses que antecederam a guerra, houve indícios da preparação dos dois países para começar o conflito. Mas, presos à concepção de que Egito e Síria não atacariam enquanto não tivessem superioridade aérea garantida, os responsáveis pela inteligência militar israelense não levaram as ameaças a sério. O resultado foi um início de guerra favorável aos exércitos árabes. Os egípcios cruzaram o canal de Suez e estabeleceram cabeças de ponte no lado israelense. Os sírios avançaram no Golan e quase chegaram às margens do lago Tiberíades (em hebraico, Kineret). Israel só conseguiu reagir a partir da segunda semana da guerra.

Ao sul, os israelenses cruzaram o canal de Suez e surpreenderam o 3º Exército egípcio, cercando-o. Ao norte, os israelenses avançaram, chegando a pouco mais de 40 quilômetros de Damasco.

A guerra do Iom Kipur terminou a 26 de outubro e significou um trauma para a sociedade israelense. A surpresa, a derrota inicial e o alto número de baixas levaram o país a criar uma comissão para investigar os erros que levaram ao conflito. A comissão Agranat, que levou esse nome por ser presidida pelo ex-presidente da Suprema Corte, Shimon Agranat, responsabilizou a cúpula militar israelense, mas inocentou a direção política. Ainda assim, sob forte pressão popular, em abril de 1974, a primeira-ministra Golda Meir renunciou.

A guerra causou mudanças profundas em Israel e no Oriente Médio. Nas eleições gerais seguintes, em 1977, o Likud venceu e tirou do poder os trabalhistas, que dominavam a política israelense desde 1948. No Egito, o presidente Anuar Sadat lançou-se numa ousada missão diplomática, que acabaria desencadeando as negociações e o Tratado de Paz de Camp David, assinado em março de 1979, nos EUA, o primeiro acordo entre um país árabe e Israel.

(outubro de 1956 a março de 1957)

Em julho de 1956, o presidente do Egito, Gamal Abel Nasser, líder do movimento nacionalista pan-árabe, anunciou a nacionalização do canal de Suez, região estratégica para as rotas marítimas internacionais. A Companhia do Canal de Suez, que tinha participação britânica e francesa, foi nacionalizada. A região também ficou fechada para a navegação israelense.

Em resposta, França, Reino Unido e Israel, em negociações sigilosas, formaram uma aliança militar para devolver o antigo status quo à região. Pelo plano, as tropas israelenses deveriam invadir o Sinai e chegar próximo à região do canal. Sob o pretexto de defender a região, paraquedistas ingleses e franceses desembarcariam na região e estabeleceriam uma área desmilitarizada de 16 quilômetros em ambos os lados do canal. A Israel, a operação interessava por três razões: o enfraquecimento militar de Nasser, que defendia a destruição do Estado judeu, a neutralização de ataques terroristas a partir da Faixa de Gaza e o livre trânsito de navios israelenses pela região do Mar Vermelho.

Israel iniciou a ofensiva em 29 de outubro. Seu planejador era Moshe Dayan, que a nomeou Operação Kadesh, em referência a um local sagrado no norte da Península do Sinai, mencionado na Bíblia. Com a operação em curso e a derrota iminente do exército egípcio, a URSS ameaçou intervir. O governo dos EUA, que não havia sido consultado sobre a ação, exigiu o fim das operações para evitar uma escalada na região. Depois de uma tensa negociação, ingleses e franceses retiraram-se no dia 22 de dezembro. As tropas israelenses deixaram o Sinai em março de 1957. Por ter enfrentado o Ocidente, Nasser tornou-se o grande vencedor político do conflito e se fortaleceu no mundo árabe. Além disso, aproximou-se da URSS, com quem forjou sólida relação estratégica e militar.

Na operação, 96 soldados britânicos morreram. A França teve dez baixas e Israel, 189. Não há dados exatos das perdas egípcias, mas há estimativa é que 1.650 mil tenham morrido nos combates.

Conflito ocorrido entre 5 e 10 de junho de 1967 e que mudou a geopolítica no Oriente Médio. Desde abril de 1967, a região vivia uma escalada militar sem precedentes. No dia 16 de maio, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, que se notabilizava por uma linha nacionalista e de confronto com países ocidentais, exigiu a retirada das Forças de Paz da ONU da fronteira com Israel. No dia 21, comandos egípcios invadiram uma base militar em Sharm El Sheik e, no dia seguinte, o governo do Egito decidiu fechar o estreito de Tiran para a navegação israelense, cortando a ligação marítima do país com Ásia e África. O premiê de Israel, Levi Eshkol, considerou a ação um ato de guerra e recorreu à ONU. No dia 30, a Jordânia aderiu à aliança militar entre Síria e Egito, aumentando a pressão militar sobre os israelenses.

Depois de três semanas com o exército mobilizado e diante das ameaças, Israel lançou um ataque preventivo. Em seis dias, o Deserto do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, incluindo o setor oriental de Jerusalém, e as Colinas de Golã foram conquistados por Israel.

Em agosto de 1967, reunidos na cúpula de Cartum (Sudão), os países árabes adotaram uma postura política que ficou conhecida como a dos “três nãos”: “Não à paz com Israel; não às negociações com Israel; não ao reconhecimento de Israel”.

H

Fundada em 1920, representou o embrião do futuro exército de Israel. A palavra Haganá, em hebraico, significa defesa. Foi responsável pela organização militar e defesa da comunidade judaica na Palestina até a fundação do Estado. Também participou na organização da imigração clandestina de refugiados judeus europeus. Sua criação foi motivada por ataques de grupos árabes a núcleos judaicos. Nos primeiros anos, funcionou sem um comando forte e centralizado.

A grande mudança ocorreu em 1929, depois de uma nova onda de ataques de grupos árabes. O comando passou a ser centralizado e a contar com a convocação de jovens e adultos. Os integrantes começaram a receber treinamento militar ostensivo, e a liderança política organizou um sistema clandestino de compra de armas na Europa. Em 1931, houve um racha na organização. Uma parte de seus comandantes discordou da política de contenção (em hebraico, havlagá). As ordens eram de apenas defender os núcleos judaicos e evitar ações retaliatórias contra grupos árabes e as aldeias que os hospedavam. Os dissidentes abandonaram a organização e criaram a Organização Militar Nacional (Irgun Tzvai Leumi, cujo acrônimo hebraico é Etzel), que passou a ser conhecida como Irgun.

Em 1941, a Haganá criou sua própria força de elite, que ficou conhecida como Palmach, (acrônimo em hebraico de Plugot Machatz, ou batalhões de vanguarda). A força foi criada com ajuda dos britânicos, interessados em defender a Palestina de uma eventual invasão por tropas nazistas, que lutavam no Norte da África. Em 1942, com a derrota do general alemão Erwin Rommel, os britânicos ordenaram o desmantelamento da força que seguiu, assim, para a clandestinidade.

(1921 – 1944)

Militante judia, morta durante a Segunda Guerra Mundial, quando participava de uma missão para resgatar judeus húngaros, ameaçados de deportação para campos de extermínios nazistas. Nasceu em 17 de julho, em Budapeste, Hungria, em meio a uma família que tinha poucos vínculos com o judaísmo. Seu pai, Béla Senesh, foi um famoso jornalista e dramaturgo. Mesmo com a morte do pai, quando Hannah tinha apenas 6 anos, ela e o irmão George, um ano mais velho, tiveram uma infância relativamente estável do ponto de vista financeiro.

Estudou em uma escola particular para garotas protestantes, onde se destacou por suas habilidades na escrita e na oratória. Ao fim do secundário, tentou entrar para o serviço público, mas o Estado húngaro não aceitava judeus no funcionalismo. Em 1938, a Alemanha anexou a Áustria, o que causou grande tensão na Hungria, que, por iniciativa própria, publicou uma lei que restringia ainda mais a participação judaica na vida local.

Exposta ao antissemitismo em seu país e percebendo que a Europa estava prestes a mergulhar em outro conflito, Hannah decidiu imigrar para a então Palestina, onde desembarcou em setembro de 1939, quando a Alemanha já havia invadido a Polônia, dando início à Segunda Guerra. Chegou à Escola Agrícola de Nahalal, onde aprendeu o trabalho no campo e estudou hebraico.

Em 1941, mudou-se para o kibutz Sdot-Yam, de onde partiu para o assentamento de Cesarea, onde ficou por quase dois anos. Nesse mesmo período, alistou-se na Haganá, embrião do futuro exército israelense. Em 1943, tornou-se voluntária para a missão de resgatar os judeus da Europa sob domínio nazista. Como era nascida em Budapeste e conhecia bem a cidade, deveria ajudar os judeus locais a fugir da deportação para os campos de extermínio e criar uma rota de fuga com a ajuda de partisans (membros da Resistência).

Hannah alistou-se no exército britânico, onde recebeu treinamento militar adicional. Em março de 1944, ela e mais dois companheiros desceram de paraquedas sobre a antiga Iugoslávia, onde fizeram contato com os homens da resistência local sob o comando do marechal Tito. Porém, ao tentar cruzar a fronteira húngara, foram delatados e presos.

O martírio de Hannah foi relatado por várias testemunhas. Ela foi torturada por quase oito meses para entregar códigos de guerra aos nazistas. Seus captores chegaram a prender sua mãe Catherine, que ainda vivia em Budapeste, e ameaçaram torturá-la. Hannah resistiu. Em 28 de outubro de 1944, foi julgada por conspiração e traição. Com o avanço do exército soviético sobre a Hungria, os juízes que analisavam seu processo fugiram do país. Mesmo sem um veredito final, em 7 de novembro, Hannah foi levada ao pelotão de fuzilamento e executada.

Seus restos mortais foram trazidos para Israel em 1950 e enterrados no cemitério de Monte Herzl, em Jerusalém. Hannah é uma das heroínas modernas do país. Em 1993, depois da queda do regime soviético e do bloco socialista, uma corte militar húngara reabriu o processo contra ela e a reabilitou de todas as acusações. A audiência final foi acompanhada por seus familiares.

Língua materna do povo judeu e idioma oficial do Estado de Israel. Também é chamado de língua sagrada (em hebraico, lashon hakodesh) pelo fato de a Torá e as principais fontes religiosas do judaísmo estarem escritas neste idioma. Filólogos afirmam que sua origem remonta ao século 8 A.E.C. (antes da Era Comum).

É classificada como uma língua afroasiática. O hebraico arcaico foi falado na antiga Terra de Israel até a conquista pelos babilônios em 586 A.E.C., onde a língua oficial era o aramaico. A partir daí, o hebraico passou por grandes modificações. Boa parte das fontes religiosas produzidas no exílio recebeu palavras e expressões em aramaico, que continuam a existir até os dias de hoje. Com a dispersão judaica causada pelo exílio forçado após a destruição de Jerusalém e do Templo Sagrado pelos romanos, em 70 D.E.C. (depois da Era Comum), o hebraico deixou de ser utilizado pelos judeus no cotidiano e passou a ser empregado apenas nos serviços religiosos. Por muitos anos, foi considerada uma língua em extinção.

Seu renascimento coincidiu com o crescimento do movimento sionista. Por volta de 1880, o linguista Eliezer Ben Yehuda decidiu iniciar o trabalho de modernizar a antiga língua dos judeus. Utilizando a base do hebraico bíblico, Ben Yehuda dedicou-se a desenvolver um idioma que os judeus que imigrassem para a antiga Terra de Israel pudessem usar para a comunicação no cotidiano. Foi um dos fundadores do Conselho da Língua Hebraica, que antecedeu a Academia de Língua Hebraica, e publicou o primeiro dicionário do Hebraico Moderno e Antigo. Yehuda e o conselho foram os responsáveis por inventar inúmeras palavras ligadas a conceitos e objetos que na época bíblica não existiam. Além de utilizar o antigo alfabeto, Ben Yehuda e seus colegas também desenvolveram um alfabeto para a escrita cursiva moderna, o que foi considerado como uma das grandes inovações no idioma.

Algumas palavras de origem árabe foram incorporadas. Elementos do iídiche, do russo e do inglês também tiveram papel na reformulação do idioma. Hoje, o hebraico é um idioma dinâmico, que continua a passar por atualizações e modificações.

Massacre de judeus e outras minorias perseguidas pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A origem da palavra é grega e significa “sacrifício pelo fogo”. Desde o século 18, o termo era utilizado para descrever a morte violenta de um grande número de pessoas. Depois da guerra, também passou a ser usado como a tradução da palavra hebraica “Shoá”, que definiu o extermínio de milhões de judeus pelos nazistas. Embora as duas palavras tenham significados diferentes – Shoá pode ser traduzida como catástrofe, – elas ficaram automaticamente relacionadas. O termo ganhou notoriedade mundial durante os julgamentos de Nuremberg, em que nazistas foram acusados e processados por crimes de guerra e contra a humanidade.

O Holocausto tem dimensão única. Foi a primeira vez na história da humanidade em que um Estado criou uma política de extermínio de um povo inteiro e empregou todos os seus recursos para cumprir esta meta. Após a conferência de Wannsee, em janeiro de 1942, os nazistas decidiram pela eliminação física dos judeus de toda a Europa. O ministério do Interior alemão e seus funcionários nos países ocupados forneceram arquivos identificando os judeus; o das Finanças confiscou suas propriedades; o dos Transportes forneceu caminhões e trens para a deportação; foram abertas licitações para a construção de câmeras de gás e crematórios nos campos de extermínio. Empresas usavam a mão de obra escrava dos prisioneiros, e laboratórios faziam experiências com cobaias humanas. Além disso, uma verdadeira linha de montagem da morte foi montada dentro dos campos de extermínio. Tudo foi minuciosamente arquitetado, desde a chegada dos prisioneiros, passando pela separação de seus pertences, execução e cremação.

A estimativa oficial é de que, desde o início da Segunda Guerra até a rendição nazista, 6 milhões de judeus tenham sido mortos pelos nazistas e seus colaboradores, quase 70% da comunidade judaica que vivia na Europa. A Polônia, por exemplo, que tinha mais de três milhões de habitantes judeus, no início da guerra, chegou ao fim do conflito com apenas 300 mil. Os historiadores também calculam que de 2 a 3 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos, 2 milhões de poloneses, 1,5 milhão de ciganos, 200 mil dissidentes e pessoas com necessidades especiais, 15 mil homossexuais e 5 mil testemunhas de Jeová tenham perecido nos campos de concentração e extermínio nazistas durante a guerra.

I

Língua falada por judeus de origem ashkenazita. Teve grande importância na disseminação de parte da cultura e da tradição judaicas por vários séculos. O nome iídiche vem do termo em alemão jüdisch, que se referia a qualquer característica judaica. Historiadores linguistas estimam que o iídiche surgiu entre os séculos 9 ou 10 D.E.C. (depois da Era Comum), quando uma grande onda imigratória de judeus vindos de regiões que hoje são parte da Itália e da França se estabeleceram no Vale do Reno, atualmente na Alemanha. Eles adotaram a língua de origem germânica e acrescentaram vários elementos em hebraico, aramaico e até alguns de origem latina (franco-italianos). Embora sua pronúncia seja próxima do alemão, a escrita é feita com caracteres do alfabeto hebraico, no sentido da direita para esquerda. Os textos mais antigos disponíveis em iídiche datam do século 13.

Alvo de perseguição e massacres, como as chacinas cometidas durante as Cruzadas, os judeus começaram um novo movimento migratório, dessa vez para o leste da Europa, entre 1200 e 1250. Estabeleceram-se na região englobada por Rússia, Ucrânia, Polônia e Romênia. Juntamente com o movimento de dispersão pela Europa, teve início a expansão da língua iídiche, que atingiu o auge por volta de 1700. Os judeus que habitavam a Europa Central adicionaram elementos de línguas eslavas ao iídiche, que passou a ser falado por judeus de quase todo o continente, com sotaques e palavras que se diferenciavam de acordo com as influências locais. O iídiche tornou-se um importante meio pelo qual a cultura judaica floresceu na Europa, com a produção em grande escala de literatura e dramaturgia. Entre os escritores famosos que usaram o idioma em suas obras estão I.L.Peretz, Sholem Aleichem e Isaac Bashevis Singer, este vencedor do Prêmio Nobel de Literatura.

Durante a segunda metade do século 20, com o advento do nazismo e o massacre de quase toda a comunidade judaica europeia , o uso da língua entrou em franco declínio. Outro fator contribuiu para isso: o fortalecimento do sionismo e a criação do Estado de Israel, que rejuvenesceu o hebraico. O iídiche, por muito tempo, foi associado à imagem da Diáspora e da perseguição aos judeus. Depois do Holocausto, seu estudo foi desestimulado para dar lugar ao hebraico. Mas, no fim do século 20, movimentos espalhados por Europa, Estados Unidos e Israel começaram a atuar no sentido de revigorar o uso da língua.

Principal feriado nacional de Israel. Celebra a independência do país, marcada pelo fim do mandato britânico. É celebrado de acordo com o calendário judaico, no 5º dia do mês de Iyar. Pelo calendário gregoriano, a data da independência é 14 de maio de 1948. O principal costume dos israelenses no Iom Haatzmaut é reunir as famílias e os amigos e comemorar a data com churrascos (em hebraico, Al haesh) ou piqueniques. Também há festas nas grandes cidades, onde o povo se reúne para ouvir shows de música e dança. A cerimônia oficial acontece no Monte Herzl, em Jerusalém.

Iom HaShoá (Dia do Holocausto)

Feriado nacional de Israel. A data é dedicada à lembrança das vítimas do Holocausto, perpetrado pelos nazistas e seus colaboradores durante a Segunda Guerra Mundial. Chamada de Iom HaShoá VehaGvurá (Dia do Holocausto e do Heroísmo), a data também celebra o espírito de resistência de todos os judeus que pegaram em armas para combater as tropas nazistas, mesmo sabendo que não tinham chances de vencer ou sobreviver. O episódio mais famoso é o levante do Gueto de Varsóvia, que começou em abril de 1943, quando os nazistas decretaram a liquidação do gueto judaico na capital polonesa e iniciaram o envio de seus habitantes para os campos de extermínio, como o de Treblinka.

Por este motivo, a data inicial proposta para celebrar o feriado foi o dia 15 do mês hebraico de Nissan, dia no calendário judaico que marcou o início da revolta no gueto. Mas a proposta foi rejeitada devido ao fato de coincidir com o primeiro dia de Pessach, a Páscoa judaica. O feriado, aprovado como lei por David Ben Gurion, em 1959, foi estabelecido no 27º dia de Nissan, por se antecipar em oito dias aos festejos de Iom Haatzmahut (Dia da Independência de Israel), em uma analogia da tragédia e da redenção do povo judeu após o Holocausto.

No Iom Hashoá, as sirenes soam por dois minutos e os israelenses param tudo o que estão fazendo em homenagem às vítimas do nazismo. O ato central do feriado se realiza no Memorial Yad Vashem, em Jerusalém, que além de museu e monumentos, concentra um dos maiores arquivos do mundo de imagens e textos sobre o Holocausto.

Iom Hazikaron (Dia da Lembrança)

Feriado nacional de Israel. A data é dedicada à lembrança de soldados mortos em guerras e operações do Exército, bem como de todas as pessoas que foram vítimas de ações terroristas. O feriado é observado no 4º dia do mês hebraico de Iyar, na véspera das comemorações de Iom Haatzmahut, o Dia da Independência de Israel. É repleto de cerimônias em recordação aos militares mortos, nas quais soldados veteranos de guerras estão presentes.

Tradicionalmente, uma sirene de dois minutos soa por volta das 11 horas da manhã e marca a abertura das cerimônias. Ela toca em todo o país e em todos os cemitérios em que haja militares enterrados. O feriado termina com um ato no cemitério nacional de Monte Herzl, em Jerusalém, o maior de Israel, onde as bandeiras ficam a meio mastro. Logo após o encerramento da cerimônia, começam os festejos pela independência, o principal feriado nacional israelense.

É o dia do perdão e é a data mais sagrada do calendário judaico. Sua origem está nos templos bíblicos e remete ao pecado cometido pelo povo judeu ao fazer o bezerro de ouro no deserto do Sinai. Segundo a Bíblia, no décimo dia do mês hebraico de Tishrei, Moisés recebeu a segunda versão dos Dez Mandamentos, e D’us concedeu pleno perdão ao povo. Desde então, a data tornou-se o Iom Kipur, o Dia da Expiação. “No décimo dia do sétimo mês (Tishrei) afligirás tua alma e não trabalharás, pois neste dia, a expiação será feita para te purificar; perante D’us serás purificado de todos teus pecados.” (Vayikra/Levítico 16:1-34) O Iom Kipur é o fechamento de um ciclo anual para os judeus, que se inicia trinta dias antes, no mês de Elul, um período marcado pela reflexão. É uma época de renovação espiritual, na qual se busca uma aproximação maior com D’us e se costuma pedir perdão às pessoas que possam ter sido ofendidas ao longo do ano. Pela tradição judaica, assim como nos dias do bezerro de ouro, o Iom Kipur é o dia do julgamento.

O jejum completo, de comida e bebida, que dura 25 horas, se inicia na véspera de Iom Kipur (no fim da tarde, já que o calendário é lunar), quando os judeus vão à sinagoga e ouvem a prece de Kol Nidrei, a declaração coletiva que anula promessas, votos ou juramentos feitos a D’us, mas que não foram cumpridos. Há outras proibições como banhar-se e manter relações conjugais. O objetivo do jejum e das outras limitações é causar aflição ao corpo, dando prioridade à alma e aos aspectos não materiais da vida. Pela perspectiva judaica, o ser humano é constituído pelo “yetzer hatóv” (o instinto de fazer as coisas corretamente, que é identificado com a alma) e o “yetzer ha ra” (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde ao corpo). O judaísmo diz que um dos maiores desafios na vida é sincronizar nosso corpo com o “yetzer hatóv”.

O cumprimento mais comum entre os judeus em Iom Kipur é “chatimá tová” (ou boa assinatura), pois a crença é que, nesse dia, D’us assina o nome das pessoas no chamado Livro da Vida, para que todos tenham saúde e sustento para mais um ano que se inicia.

O Estado de Israel é um país situado na margem oriental do Mar Mediterrâneo; sua área é próxima à do estado brasileiro de Sergipe. Terra histórica do povo judeu, que lá habita desde os tempos bíblicos, sua versão contemporânea surgiu em 1948, após o fim do colonialismo britânico e a independência decidida pela ONU. É o único país do mundo com maioria de judeus, que constituem cerca de 75% de seus 8 milhões de habitantes. Israel é a única democracia do Oriente Médio e sua capital é Jerusalém.

Israel se destaca como um dos principais polos de inovações tecnológicas do mundo. Tem uma economia dinâmica, apesar da situação de beligerância imposta por seus vizinhos.

A sociedade israelense é pluralista, com amplo respeito aos direitos individuais, como liberdade de culto e de expressão, respeito a minorias religiosas, étnicas ou sexuais. Israel reconhece 15 religiões diferentes e abriga pessoas oriundas de 70 países. A maioria dos judeus israelenses é laica, mas em geral ligada a alguma forma de tradição judaica, como o acendimento das velas de Shabat, a observância das leis dietárias e dos feriados judaicos. Cerca de 20% da população judaica de Israel é composta de observantes mais estritos da religião.

O país tem cerca de 40 partidos políticos. Árabes israelenses, que compõem 20% da população, são eleitos para o parlamento e servem na Suprema Corte. O árabe é uma das línguas oficiais de Israel e seu ensino é obrigatório nas escolas públicas.

O moderno Estado de Israel tem as suas raízes históricas e religiosas na bíblica Terra de Israel, central para o judaísmo desde a Antiguidade. O povo judeu formou nesta terra sua identidade espiritual, religiosa e política e jamais esqueceu sua ligação com ela, durante os 2.000 anos de dispersão, a qual ocorreu principalmente após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelo Império Romano, em 70 D.E.C.

Após séculos de exílio, a então Palestina, província do Império Otomano, começou a receber, no final do século19, imigrantes judeus que buscavam voltar à terra de seus antepassados, além de escapar da miséria e das perseguições na Europa. Com a fundação da Organização Sionista Mundial, por Theodor Herzl, em 1897, este movimento ganhou base política. Ao longo dos 50 anos seguintes, houve várias ondas de imigração judaica à região.

Em novembro de 1947, as Nações Unidas recomendaram a partilha da Palestina em dois Estados; um judeu, um árabe. A partilha foi aceita pelos líderes judeus, mas rejeitada pelos árabes, que, após a declaração de independência de Israel em maio de 1948, atacaram o novo país. Desde então, israelenses e árabes travaram uma série de guerras (ver verbetes na letra G deste glossário). No início do século 21, algumas das fronteiras de Israel continuam em litígio, mas o país já assinou tratados de paz com o Egito, em 1979, e com a Jordânia, em 1994, e busca resolver o conflito com os palestinos, de uma maneira que lhe garanta fronteiras seguras.

Em seus 70 anos de história, Israel tem uma longa lista de realizações a apresentar ao mundo.

Dentro da tradição judaica de dar importância central à justiça social, o país oferece ajuda humanitária por todas as partes: às vítimas do terremoto no Haiti, do tsunami na Indonésia, do furacão Katrina, em Nova Orleans, EUA. Possui uma agência de cooperação internacional, que já ajudou 140 países em desenvolvimento no combate à pobreza, em serviços básicos de saúde e educação, em técnicas agrícolas. Além disso, oferece ajuda médica a crianças de diversos países árabes e da Autoridade Palestina, portadoras de doenças graves.

Israel é líder mundial em tecnologia médica e biológica. É o país com maior número per capita de novas empresas na área de biotecnologia. Também está na linha de frente das tecnologias de informática e comunicações: há mais empresas israelenses registradas na NASDAQ (bolsa de valores com ações de empresas de alta tecnologia), em Nova York, do que de qualquer outro país estrangeiro. O programa de mensagens instantâneas ICQ e a tecnologia para telefones celulares foram desenvolvidos em Israel. O país é o segundo do mundo em número de computadores per capita e o terceiro em registro de patentes.

No cuidado com o meio ambiente, também se destaca: é líder mundial em conservação de água e reflorestamento; trata 92% do esgoto gerado e reutiliza 75% na agricultura – a taxa mais alta do mundo. Israel é uma das poucas nações que possui mais árvores no início do século 21 do que possuía no início do século 20, apesar de estar em região desértica. A tecnologia de irrigação por gotejamento, desenvolvida pelos israelenses, foi exportada para muitos países, inclusive para o Brasil. Desde a década de 1960, Israel contribui para o desenvolvimento da agricultura no semiárido brasileiro. O país também está na vanguarda do uso de fontes alternativas de energia.

Os judeus são conhecidos como o “Povo do Livro”; Israel justifica o epíteto: 97% de sua população é alfabetizada. Esta é a segunda maior taxa de alfabetização do mundo.

Partido político israelense. Seu nome significa Israel, Nosso Lar. Fundado em 1999 por imigrantes da ex-União Soviética. Sua orientação é nacionalista e, no espectro político, é classificado como uma legenda de direita e ultranacionalista. Seu principal líder é Avigdor Lieberman. A plataforma em relação ao conflito no Oriente Médio prevê a criação de um “Estado Palestino viável”, separado de Israel e em fronteiras que não necessariamente respeitem os limites da linha verde (demarcação que se estabeleceu no armistício árabe-israelense de 1949). Prega a separação entre Estado e religião e, na linha econômica, é liberal.

Nas eleições gerais de 2000, obteve quatro assentos na Knesset (Parlamento). Três anos depois, uniu-se ao partido Ichud Leumi (União Nacional) e chegou a sete cadeiras. Sua influência entre os imigrantes russos cresceu e, nas eleições seguintes, convocadas de maneira antecipada em 2006, obteve 11 cadeiras, tornando-se a quarta força política do país. Ainda assim, ficou fora da coalizão governamental encabeçada pelo partido Kadima e pelos Trabalhistas. Na disputa de 2009, passou a controlar 15 assentos no Parlamento, sendo a terceira legenda mais votada no país, atrás apenas do Kadima e do Likud. Tornou-se peça central na formação do novo governo, chefiado por Binyamin Netanyahu, do Likud. Avigdor Lieberman foi indicado ministro das Relações Exteriores, o segundo cargo mais importante dentro do governo.

J

(1878 – 1942)

Médico pediatra, pedagogo e escritor infantil. Nascido em Varsóvia, seu nome verdadeiro era Henryk Goldszmit. Embora sua formação profissional tenha sido a medicina, tornou-se conhecido mundialmente por sua dedicação e trabalho na educação das crianças. É considerado pioneiro no direito infantil.

Com a morte de seu pai, em 1896, passou a sustentar a família com aulas particulares. Em 1898, adotou o pseudônimo de Janusz Korczak para participar de um concurso literário. A inspiração do nome veio de um romance de ficção polonês. Em 1904, graduou-se em medicina e, um ano depois, serviu como médico no exército imperial russo na guerra contra o Japão. Em 1907, embarcou para Berlim, onde complementou seus estudos. Quatro anos mais tarde, teve sua primeira experiência de dirigir um orfanato para crianças judias em Varsóvia. Em pouco tempo, criou métodos revolucionários para a época, como a instituição de uma espécie de república das crianças, com um parlamento, tribunal e jornal próprios.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, ele deixou o orfanato para se alistar como médico no Exército russo. Em 1918, quando a Polônia reconquistou a independência, Korczak regressou a Varsóvia e fundou outro orfanato: o Nasz Dom (em polonês, Nosso Lar). Na década de 30, realizou diversas viagens pela Europa para conhecer experiências pedagógicas diferentes. Foi também à então Palestina, onde conheceu o modelo educacional dos kibutzim. Em 1939, os alemães invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra. Menos de um ano depois, estabeleceram o Gueto de Varsóvia e obrigaram a mudança do orfanato de Korczak para dentro do gueto. Lá, ele continuaria a desenvolver suas atividades até agosto de 1942. Naquele mês, como parte da Solução Final, os nazistas iniciaram as deportações de judeus para os campos de extermínio. No dia 6 de agosto, as 200 crianças do orfanato foram levadas para o campo de Treblinka. Korczak, já então um renomado educador, ganhou a opção de permanecer em Varsóvia. Ele recusou e seguiu no mesmo trem com as crianças. Foi exterminado nas câmaras de gás.

Korczak pregava o respeito aos menores e criticava o que chamava de “tirania dos adultos”. “As crianças não vão tornar-se pessoas no futuro porque já são pessoas”, dizia. Foi influenciado pelo pensamento pedagógico do começo do século 20, que criticava a escola tradicional, segundo a qual as crianças eram tratadas como adultos pequenos, sem interesse pelas especificidades dessa fase. Sugeria uma educação não repressiva, que não fosse baseada no medo, mas que acompanhasse a curiosidade infantil. Transformou as crianças em seus ajudantes, valorizando-as. Delegava várias funções da casa aos seus pupilos por acreditar que, assim, se tornariam responsáveis pelo que havia lá e participariam do processo educacional de todos que morassem e trabalhassem no orfanato. As ideias, os ensinamentos e os valores defendidos por Janusz Korczak na educação e na vida das crianças continuam a se espalhar pelo mundo até os dias de hoje.

(1880 – 1920)

Ativista sionista e pioneiro da imigração para a então Palestina. Nasceu em Pyatigorsk, na Rússia, onde passou a maior parte de sua adolescência. Ainda na juventude, tomou contato com as ideias sionistas. Acreditava que as comunidades coletivas agrícolas, como os kibutzim, poderiam ajudar na construção da Terra de Israel. Deixou o curso de odontologia quando se alistou no exército russo, em 1902. Dois anos depois, participou da guerra russo-japonesa e, na famosa batalha de Port Arthur, perdeu o braço esquerdo após ser atingido pelo estilhaço de uma bomba. Os russos perderam a guerra, e Trumpeldor foi feito prisioneiro. Em 1906, tornou-se o primeiro soldado de origem judia a ser condecorado pelo Czar. Nesse mesmo ano, voltou a São Petersburgo, onde se reaproximou do movimento sionista. Em 1911, imigrou para a Terra de Israel e se estabeleceu na Galileia, onde chegou a trabalhar no kibutz Degania e em outras colônias às margens do Lago Tiberíades.

Em 1914, explodiu a Primeira Guerra Mundial. Trumpeldor recusou-se a se alistar no exército otomano, e foi expulso para o Egito. Lá, conheceu Vladimir Zeev Jabotinsky. Os dois decidiram criar a Legião Judaica para lutar ao lado dos britânicos. Com sua experiência militar, Trumpeldor comandou um batalhão em Galipoli. Com o fim da guerra e a vitória britânica, as tropas judaicas foram dissolvidas. Em 1918, Trumpeldor voltou à Rússia, onde ajudou algumas comunidades judaicas a organizar sua autodefesa e onde fundaria o movimento juvenil sionista Hachalutz (O Pioneiro), que preparava jovens para a imigração. Um ano depois, regressou à Terra de Israel, onde participou da montagem da defesa de vários kibutzim e assentamentos agrícolas.

No início de 1920, a situação de segurança era crítica na região da Alta Galileia. A indefinição de uma fronteira entre o mandato britânico, na então Palestina, e o francês, na Síria e no Líbano, era motivo de choques constantes entre clãs árabes, tropas francesas e britânicas e imigrantes judeus. Em 1º de março, no assentamento de Tel Chai, Trumpeldor foi gravemente ferido depois de mais de sete horas de tiroteio com inimigos árabes. Ao ser transferido, não resistiu. Antes de morrer, a última frase de Trumpeldor teria sido: “ein davar: tov lamut bead artzeinu” (não importa: é bom morrer lutando pela nossa terra). É um dos heróis modernos do Estado de Israel. Em sua homenagem, ainda na década de 30, Jabotinsky nomeou o movimento juvenil de sua corrente do sionismo revisionista como Betar, acrônimo, em hebraico, de Brit Trumpeldor, ou “Aliança Trumpeldor”. A cidade de Kiriat Shmona (Colina dos Oito), próxima à fronteira com o Líbano, também foi batizada em homenagem a Trumpeldor e aos outros sete combatentes judeus que morreram naquele dia, em Tel Chai. Trumpeldor está enterrado no kibutz Kfar Guiladi.

Assim como a definição do termo judeu não é única, o mesmo se aplica ao judaísmo. Existem aqueles que encaram o judaísmo apenas como a religião do povo judeu. Há outros que consideram o judaísmo um modo de vida, refletido por costumes e expressões culturais próprias (judaísmo cultural). Há ainda outra definição, surgida após a fundação do Estado de Israel, que coloca o judaísmo como a nacionalidade do povo judeu.

A origem da palavra vem do termo latino Iudaismus e do grego Ioudaïsmos, que são derivados da palavra hebraica יַהֲדוּת, ou iahadut. Do ponto de vista religioso, o judaísmo é uma fé monoteísta. Seus patriarcas são os personagens bíblicos Abraão, Isaac e Jacob. Dentro da visão religiosa judaica do mundo, D’us é o criador do universo e de tudo o que há nele. Ele é a divindade única e o Todo-Poderoso. Por meio da aliança iniciada com Abraão e estendida aos seus descendentes, D’us revelou seus mandamentos a Moisés, cujas leis escritas e orais orientam até os dias de hoje a fé judaica. O judaísmo é a religião monoteísta mais antiga do mundo, sobrevivendo a conquistas, dominações e perseguições de outros povos. Deu origem a outras religiões monoteístas, como o cristianismo e o islamismo.

Outras correntes judaicas consideram o judaísmo não apenas como a prática de preceitos e mandamentos religiosos. Para elas, é a manifestação de um conjunto de traços culturais, como a língua hebraica, a história judaica, a dança, a culinária, a literatura, entre outros. Assim, o estudo e a prática dessas características significam o exercício do judaísmo.

Mas há ainda quem pense bem diferente disso. Em 2006, uma pesquisa feita em Israel, pelo Escritório Central de Estatísticas, indicou que pouco mais da metade dos judeus do país não consideram o judaísmo uma religião ou uma cultura, mas uma condição nacional. Entre os judeus acima de 20 anos, 44% se definiram como judeus seculares, que não praticam os preceitos religiosos e não guardam costumes ou tradições, mas exercem o judaísmo simplesmente por morar em Israel, prestar o Exército e pagar impostos.

É difícil encontrar uma definição única sobre o que é ser judeu. Na visão religiosa ortodoxa, é judeu aquele que nasce do ventre de uma mulher judia. Há também a chamada definição cultural: judeu é aquele que considera os ensinamentos do judaísmo, bem como sua ética, seus costumes, suas fontes e literatura como parte integrante e fundamental de sua identidade. Já a definição mais amplamente aceita, inclusive pelo Estado de Israel, é que judeu é aquele que se considera judeu e que assim é reconhecido por sua comunidade. Um ponto importante a salientar: os judeus não formam uma raça ou etnia, como muitos costumam afirmar, mas um povo, que tem uma religião (judaísmo), uma língua (hebraico), e que, desde 1948, conquistou o direito de poder viver em um país próprio, Israel.

Os judeus são descendentes dos antigos hebreus, que, de acordo com a tradição, surgiram com o patriarca Abraão. A origem do termo vem do latim judaeu e do grego ioudaîos. As duas variações são derivadas do hebraico ידוהי, ou iehudí. A palavra era usada para identificar os descendentes das tribos de Judá e, posteriormente, para os moradores da Judeia. De acordo com os historiadores, os hebreus passaram a ser chamados de judeus após o fim do exílio na Babilônia (em 539 A.E.C. – antes da Era Comum), quando os persas permitiram o retorno a Jerusalém e a reconstrução do Templo Sagrado.

A dispersão histórica dos judeus pelo mundo, principalmente após a destruição do Segundo Templo pelo Império Romano, em 70 D.E.C. (depois da Era Comum), fez com que surgissem, dentro do povo, divisões de cultos e de costumes, que variavam de acordo com o local onde as comunidades judaicas se organizavam. Foi assim que surgiram, por exemplo, os judeus ashkenazitas, (na Europa Central e Oriental) e sefaraditas (Península Ibérica). Há também judeus africanos (etíopes) ou orientais (Kai-Fung, na China). Apesar das diferenças pontuais em ritos e costumes, a essência entre todas essas comunidades é a mesma.

A estimativa da Agência Judaica indica que em 2008 havia 13,2 milhões de judeus no mundo. O maior número se concentrava em Israel, com cerca de 5,6 milhões, seguidos pelos Estados Unidos, com 5,4 milhões. O Brasil tem cerca de 120 mil judeus.

K

Partido político israelense. Seu nome significa “adiante” ou “avante”. Foi fundado em 2005, pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon, após um racha do Likud. No espectro político de Israel, é classificado como uma legenda de centro. A atual líder é a deputada Tzipi Livni. A decisão de Ariel Sharon, quando ainda era líder do Likud, de promover a saída unilateral do exército e dos cidadãos israelenses da Faixa de Gaza foi o fato catalisador para a criação do novo partido. A retirada de Gaza gerou um desacordo dentro do Likud, ao mesmo tempo em que outros partidos de centro e de esquerda apoiaram a medida.

Em novembro de 2005, pouco depois da saída de Gaza, Sharon anunciou sua desfiliação do Likud, a fundação do Kadima e a convocação de eleições gerais para o mês de março do ano seguinte. Vários likudistas, como Ehud Olmert e Tzipi Livni, o acompanharam. Também se aliaram a ele figuras importantes do trabalhismo israelense, como Shimon Peres, que deixou o Partido Trabalhista depois de quase 60 anos de ativismo. A agenda principal do Kadima é o avanço do processo de paz em busca de um arranjo definitivo com os palestinos. Em janeiro de 2006, dois meses antes das eleições, Sharon sofreu um grave derrame cerebral que o deixou em estado de coma. Em seu lugar, assumiu Ehud Olmert. Nas eleições, o Kadima tornou-se a principal força do país, ao obter 29 assentos na Knesset, formando coalizão com os trabalhistas e o ortodoxo Shas.

Em 2008, Olmert renunciou à liderança do partido e convocou eleições antecipadas para o início do ano seguinte, após acusações de corrupção. Para seu lugar, foi escolhida Tzipi Livni. Na disputa de 2009, o Kadima conquistou 28 assentos no Parlamento, um a mais do que o Likud liderado por Binyamin Netanyahu. Mas o resultado geral das eleições mostrou um avanço dos partidos de direita, como o Israel Beitenu, o que deu a Netanyahu a chance de formar a nova coalizão de governo e deixou o Kadima como o principal partido de oposição.

Inspirados pelos ideais do sionismo e do socialismo no início do século 20, imigrantes judeus que se estabeleceram na então Palestina criaram comunidades agrícolas em que todas as propriedades e meios de produção eram coletivos. O nome kibutz deriva da palavra hebraica Kvutzá, que significa grupo. O primeiro deles, chamado Degania, foi fundado em 1909, na margem sul do Lago Tiberíades (Kineret, em hebraico).

Nas primeiras décadas de sua criação, o kibutz era uma comunidade igualitária, baseada em propriedade comunal. As decisões eram tomadas em assembleias-gerais, por meio do voto majoritário, e a responsabilidade das decisões era de toda a coletividade. Não havia nenhum tipo de bem particular, e a comunidade deveria suprir todas as necessidades de seus integrantes e famílias. Em troca do trabalho, todos recebiam moradia, alimentos, roupas, serviços sociais e de saúde.

Na década de 70, essas comunidades viveram sua primeira grande modificação. Além da atividade agrícola, os kibutzim (plural de Kibutz) desenvolveram parques industriais. Essa época também marcou o início do período de decadência do modelo kibutziano, que se acentuou nos anos 80 e 90. Na virada para o século 21, na tentativa de estancar a crise do movimento, os kibutzim iniciaram o debate para a transição a um novo modelo de convivência. Foram desenvolvidas, então, três propostas, todas baseadas na divisão das receitas financeiras da comunidade:

a) comunal: a divisão da receita do kibutz entre seus integrantes é igualitária e comunal. Os moradores mais antigos e as famílias mais numerosas têm benefícios adicionais na divisão. Não há separação formal entre renda do kibutz e renda dos integrantes. Tudo é parte de um caixa comunitário.

b) integrado: a receita do kibutz é dividida de acordo com três princípios: os moradores mais antigos têm renda e benefícios assegurados; os integrantes que ganham salários com trabalho fora do kibutz contribuem, com parte de sua renda, para o caixa geral; e a divisão da receita respeita critérios estabelecidos em assembleia-geral em cada kibutz.

c) rede de segurança: é o método em que bens e propriedades e receitas são privatizados. A divisão da renda não é igualitária: quem ganha e contribui mais com o kibutz tem uma fatia maior na divisão da receita. A diferença é que o kibutz estabelece o mínimo que cada integrante deve receber para ter um nível de vida que lhe dê segurança. Quem não tem um salário suficiente para receber esse mínimo na divisão dos recursos, ganha uma complementação do caixa-geral.

De acordo com dados do movimento kibutziano, em 2008, havia 256 kibutzim em Israel, com uma população estimada em 106 mil pessoas. Dessas comunidades, cerca de 170 adotam o modelo da rede de segurança, outras 30 usam o método integrado e cerca de 60 se denominam “comunais”.

Parlamento israelense. É unicameral e tem 120 integrantes. Seu nome, formato e número de deputados têm origem histórica na antiga Knesset Hagdolá (Grande Assembleia em tradução literal), o órgão representativo judaico convocado em Jerusalém, no século 5 A.E.C. (antes da Era Comum). A Knesset é eleita por um período de quatro anos, mas pode se dissolver ou ser dissolvida pelo primeiro-ministro em qualquer momento. Para se atingir a maioria absoluta, são necessárias 61 cadeiras. Desde a fundação de Israel, em 1948, nenhum partido conseguiu atingir esse número.

Para tornar-se lei, uma proposta deve passar por três leituras na Knesset. Na primeira, o texto é apresentado em plenário para um breve debate e votação do mérito. Aprovado, ele é remetido a uma das comissões que lidam diretamente com o assunto a ser votado. Nessa fase, o projeto pode sofrer emendas. Quando a comissão termina seu trabalho, a proposta retorna ao plenário para uma segunda leitura, durante a qual são apresentadas e votadas emendas ou restrições dos integrantes da comissão. Se houver novas modificações, o projeto volta às comissões para uma nova rodada de debates. Caso contrário, vai à votação em terceira leitura.

A sanção de leis aprovadas é diferente do Brasil, onde o sistema é presidencialista. Em Israel, a sanção é conjunta, feita pelo primeiro-ministro, pelo presidente do país, pelo presidente da Knesset e pelo ministro que será responsável pela implementação do texto aprovado.

O presidente de Israel, que tem um papel sobretudo cerimonial, é eleito pela Knesset para um mandato de sete anos. Após as eleições legislativas, cabe a ele conferir ao membro da Knesset que julga ser o mais apto a tarefa de formar uma coalizão de governo. Com a formação da coalizão, seu líder torna-se o primeiro-ministro.

L

Língua latina semelhante ao castelhano, falada por comunidades judaicas originárias da Península Ibérica, os chamados sefaraditas. É também conhecida como judeu-espanhol. O ladino tornou-se uma língua caracteristicamente judaica apenas depois da expulsão dos judeus da Espanha em 1492, como consequência da tentativa das comunidades sefaraditas de manter suas tradições. Ele corresponde ao espanhol do período clássico (com a conservação da letra f, da distinção entre a s surda e sonora e entre a z surda e sonora, e a conservação do valor sh para x e j). Afastados da Espanha e radicados em outros países europeus ou do norte da África, os judeus sefaraditas, ou seus descendentes, continuaram a falar o espanhol arcaico. Uma das grandes obras dos judeus sefaraditas foi a tradução do Velho Testamento para o Ladino, conhecido como a Bíblia de Ferrara. Foi editada por Jeronimo de Vargas (cujo nome em hebraico era Iom Tov Atias) e Duarte Piñel (Abraham Usque), judeus espanhol e português, respectivamente, em 1553, na cidade italiana de Ferrara.

Nas comunidades sefaraditas do Império Otomano, o ladino não só preservou as formas antigas do espanhol, como agregou inúmeros termos do hebraico, árabe, grego, turco e francês, tornando-se mais distante de sua forma original. Alguns termos foram transferidos de uma comunidade para outra, por causa das relações econômicas e culturais, enquanto outros se tornaram peculiares a comunidades específicas. Até o século 19, o ladino era escrito com o alfabeto hebraico. Foi apenas no século seguinte que se passou a utilizar o alfabeto latino. Houve grandes comunidades que falavam o ladino nos Países Baixos, Iugoslávia, Bulgária, Romênia, França, no norte da África, Egito, Grécia, Turquia, além dos Estados Unidos e América Latina.

O uso do idioma declinou no século 20. Alguns fatores contribuíram para isso: a dispersão das comunidades e o ensino obrigatório da língua local aos sefaraditas e seus descendentes; o advento do nazismo e o extermínio de algumas comunidades nos Bálcãs que falavam o ladino; e o fortalecimento do hebraico. A estimativa dos linguistas é que cerca de 150 mil pessoas, a maioria em Israel, ainda falam e compreendem o ladino fluentemente.

Lag BaOmer é o 33º dia dos 49 dias entre as festas de Pessach e Shavuot. Chamado de “Ômer”, este é um período de luto, em que os judeus lembram a morte de milhares de discípulos do Rabi Akiva.

Rabi Akiva viveu no período da destruição do Templo, ano 69 E.C., quando os judeus eram perseguidos pelos romanos e proibidos de estudar a Torá. Mesmo com a proibição, Rabi Akiva estudava e ensinava os preceitos da religião a seus discípulos.

Um conflito entre seus discípulos gerou uma peste que matou milhares de seus alunos, e apenas no 33º dia [Lag BaOmer] a morte cessou.

Lag BaOmer é o único dia em que se quebra o luto do Ômer, celebra-se a vida e os ensinamentos de grandes sábios da história judaica: Rabi Akiva e Rabi Shimon bar Yochai.

É costume dançar em volta da fogueira, jogar arco e flechas e comer ovos cozidos.

Maior rebelião organizada pelos judeus contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Embora não tenha sido a única, tornou-se a mais conhecida por causa do tempo que os alemães precisaram para dominá-la. Durou de 19 de abril a 16 de maio de 1943. É, até os dias de hoje, o principal símbolo de resistência e heroísmo dos judeus diante de seus carrascos.

O Gueto de Varsóvia, formado em 1940, chegou a abrigar quase 500 mil pessoas. Em 1942, a liderança nazista colocou em prática a chamada Solução Final para a questão judaica. As deportações em massa para campos de extermínio foram iniciadas. Em Varsóvia, a primeira delas ocorreu entre agosto e setembro de 1942, quando cerca de 300 mil judeus foram enviados para o campo de Treblinka. No fim daquele ano, quando ficou claro para os habitantes do gueto que o destino das deportações era o extermínio, grupos liderados por jovens ligados aos movimentos sionistas decidiram resistir.

Em janeiro de 1943, a segunda onda de deportações dos judeus pelos nazistas teve início. Os revoltosos organizaram operações esporádicas de sabotagem, visando atrapalhar o envio de prisioneiros aos campos de extermínio. Ainda assim, mais 5 mil habitantes do gueto foram transportados para Treblinka. Em 19 de abril, quando tropas nazistas invadiram o gueto com ordens de liquidá-lo e enviar os judeus restantes para o extermínio, foram recebidas a tiros e coquetéis molotov. Registros do Museu do Holocausto, em Israel, dão conta de que a resistência judaica era composta por cerca de 1,5 mil homens e mulheres, a maioria entre 18 e 25 anos. No arsenal do grupo havia três carabinas automáticas, pouco mais do que uma centena de rifles, revólveres e pistolas, e dezenas de granadas caseiras.

Havia dois grupos de combate. O menor deles era o ZZW (Zydowski Zwiazek Wojskowy, ou União Militar Judaica), composto na maioria por integrantes do movimento juvenil Betar, inspirados nos ideais do sionismo revisionista de Jabotinsky. O outro era o ZOB (Żydowska Organizacja Bojowa, ou Organização Judaica de Combate), composto por uma aliança de movimentos juvenis, os principais deles ligados ao sionismo socialista, como Hashomer Hatzair e Dror. O ZOB era comandado por Mordechai Anielewicz, considerado o líder da rebelião. Mesmo mal armados, os combatentes montaram uma eficiente rede de bunkers e esconderijos, de onde saíam para realizar ataques surpresa às tropas alemãs. No fim de abril de 1943, a maior parte da resistência judaica havia sido dominada. Porém, o fim oficial da revolta ocorreu no dia 16 de maio, quando os nazistas descobriram e cercaram o comando dos rebeldes, na rua Mila, número 18. 7.000 judeus foram mortos. Os 50 mil sobreviventes foram enviados para campos de extermínio. Os alemães sofreram 300 baixas.

(1895 – 1969)

Político e estadista israelense, foi o terceiro primeiro-ministro de Israel (1963-1969). Nasceu em um vilarejo próximo a Kiev, Ucrânia, dentro de uma família ortodoxa. Ainda jovem, aderiu ao movimento sionista e, em 1914, imigrou para a Palestina. Foi um dos fundadores do kibutz Degania Bet. No início da década de 20, entrou para a Agência Judaica, órgão que dirigia a comunidade judaica na então Palestina durante o mandato britânico, e se envolveu em atividades ligadas à agricultura e defesa. Em 1934, um ano depois da posse de Adolf Hitler, viajou à Alemanha para incentivar a imigração dos judeus à então Palestina e foi responsável pela transferência de bens de integrantes da comunidade que desejavam sair do país. No início dos anos 1940, pouco antes da fundação de Israel, foi fundamental na organização da Haganá, embrião do futuro exército israelense.

Tornou-se uma das principais lideranças políticas após a criação do Estado. Em 1952, foi indicado ministro das Finanças, por David Ben Gurion. Seus conhecimentos agrícolas tornaram-no um dos principais idealizadores e consultores do Condutor Nacional de Águas de Israel (em hebraico, Movil Hamaim Haartzi), projeto que, por meio de canais e bombeamento, transportava água do norte para irrigação do deserto, no sul de Israel. Em 1963, Eshkol substituiu Ben Gurion como primeiro-ministro. Durante sua gestão, o país estabeleceu relações diplomáticas com a então Alemanha Ocidental, vinte anos depois do término da Segunda Guerra Mundial.

Em junho de 1967, depois do fechamento pelo Egito do Estreito de Tiran , no Mar Vermelho, à navegação israelense e da escalada da tensão com a Jordânia e a Síria, Eshkol autorizou um ataque surpresa contra esses países. Sob sua liderança, Israel obteve sua mais ampla vitória militar, na chamada Guerra dos Seis Dias. Um ano depois, mostrou-se favorável à devolução de todos os territórios conquistados, desde que os países árabes concordassem em negociar um fim ao conflito. Eshkol morreu repentinamente, com problemas no coração, em fevereiro de 1969, em meio ao seu segundo mandato. Foi substituído por Golda Meir.

Partido político israelense e uma das principais e mais tradicionais legendas do país. No espectro político, é classificado como centro-direita. Sua origem histórica é ligada aos ideais do sionismo revisionista.

Em 1965, o Herut se fundiu com o Partido Liberal e, dessa aliança, surgiu o Gahal (acrônimo em hebraico de Bloco Herut e Liberal). Sob a liderança de Menachem Begin ganhou espaço na Knesset, mas manteve-se como segunda força política do país, atrás da aliança de centro-esquerda que governava Israel. Embora na oposição, foi chamado a participar do governo de união nacional em 1967, por causa da ameaça de eclosão da Guerra dos Seis Dias. O Gahal ficou no governo até 1970. Três anos depois, uma nova fusão, dessa vez com uma série de legendas menores de centro-direita, deu formato final ao partido, que ganhou o nome de Likud (em hebraico, Consolidação). Na economia, sua plataforma sempre foi liberal, com a defesa da diminuição da presença do Estado no setor produtivo. Em relação às negociações de paz, era contra o princípio de trocas de territórios por paz e defendia a visão de uma “Grande Israel”, que incluía os territórios na margem ocidental do rio Jordão. Nos últimos anos, o partido vem adotando posições mais pragmáticas.

Em 1977, quatro anos depois da Guerra do Iom Kipur, o Likud, ainda sob a liderança de Begin, venceu as eleições e tirou do poder o trabalhismo, que predominou durante os primeiros trinta anos de Israel. Uma das principais marcas históricas do partido foi liderar o processo de paz com o Egito, até a assinatura do Tratado de Camp David, em 1979, que marcou uma grande transformação programática na legenda.

Begin assinou os acordos com o Egito e aceitou deixar a Península do Sinai em troca de relações estáveis com o país vizinho. Desde 1977, o Likud alternou-se no poder com os trabalhistas, em várias ocasiões. Em 2005, registrou seu primeiro grande racha histórico, após a decisão do então primeiro-ministro Ariel Sharon de retirar-se unilateralmente da Faixa de Gaza. Dessa divisão surgiu o Kadima, partido que ocupa o centro do espectro político e que atraiu figuras importantes tanto do Likud, como do trabalhismo.

M

Antiga fortaleza, localizada no deserto do Neguev, foi o último reduto da primeira revolta judaica contra Roma, que terminou em 73 D.E.C. (depois da Era Comum). Os combatentes, conhecidos por zelotes, e suas famílias cometeram suicídio coletivo antes da invasão romana ao local. É visto pelos judeus como um símbolo histórico de resistência e bravura. Massada é um monte rochoso, com o topo achatado, que se eleva a cerca de 520 metros acima do Mar Morto, a cerca de dois quilômetros e meio de sua margem ocidental. O topo apresenta forma ovalada e plana. De acordo com o historiador judeu Flavio Josefus, o local servia de fortaleza e refúgio espiritual a Jônatas, sumo sacerdote judeu (cerca de 150 A.E.C.- antes da Era Comum). Foi expropriado e reformado por Herodes, que lá construiu um palácio, entre os anos 37 e 31 A.E.C.

Com a destruição de Jerusalém e do Templo Sagrado pelos romanos, em 70 D.E.C., os últimos revoltosos judeus tomaram Massada do pequeno destacamento da 10ª Legião, que patrulhava o local. Lá, 960 pessoas, entre homens, mulheres, idosos e crianças se estabeleceram e passaram a resistir ao cerco romano, que durou quase três anos. De acordo com Josefus, quando a invasão era iminente, os rebeldes zelotes sortearam dez homens para matar todos os habitantes de Massada. Depois, escolheram aquele que deveria matar os sobreviventes e, por último, matar-se. Por essa mensagem histórica de bravura e resistência, a antiga fortaleza foi, por muitos anos, o local onde soldados israelenses, que completavam seu treinamento, se formavam com o juramento de que Massada “não cairá novamente”.

Depois de sua queda para os romanos, a fortaleza foi transformada em igreja bizantina durante os séculos 5 e 6 D.E.C.. O local, no entanto, foi abandonado e permaneceu assim até a fundação do Estado de Israel. Na década de 60, uma expedição arqueológica recuperou o lugar. Massada é hoje um dos pontos turísticos mais visitados em Israel. Além das ruínas no topo da montanha, é possível explorar os antigos acampamentos romanos em volta dela, bem como a gigantesca rampa de acesso construída pela legião para invadir a fortaleza.

(1913 – 1992)

Sexto primeiro-ministro da história de Israel (no período 1977 – 1983). Nasceu em Brest-Litovsk (hoje na Bielorrússia), em 16 de agosto de 1913. Ainda adolescente, aderiu ao movimento juvenil Betar, inspirado nas ideias do sionismo revisionista de Vladimir Zeev Jabotinksky. Na década de 30, foi líder do movimento na Tchecoslováquia e, depois, na Polônia. O movimento comprava armas, realizava treinamentos para defender as comunidades judaicas e enviava judeus clandestinamente à então Palestina.

Em 1940, foi preso pela polícia secreta soviética (NKVD) e enviado à Sibéria. Um ano depois, com a invasão alemã ao país durante a Segunda Guerra Mundial, foi libertado e juntou-se ao Exército Livre da Polônia, onde fazia parte de um pelotão judaico. Em 1943, imigrou clandestinamente para a então Palestina, onde se juntou ao grupo paramilitar revisionista Irgun Tzvai Leuni (Etzel), ou Organização Militar Nacional, que combatia o mandato britânico e grupos paramilitares palestinos. Logo, seria nomeado líder do Etzel.

Com a criação do Estado de Israel, em 1948, foi um dos fundadores do partido Herut (Liberdade) e liderou a oposição a David Ben Gurion. Em 1965, o Herut se uniu ao Partido Liberal criando o Gahal, legenda que seria precursora do Likud.

Em 1977, com o país mergulhado em uma crise, o Likud venceu os trabalhistas pela primeira vez desde 1948. Meses depois de sua posse, Begin recebeu em Jerusalém o presidente egípcio Anuar Sadat, dando início ao processo de paz entre os dois países. Em março de 1979, assinou o tratado no qual se comprometeu a devolver a Península do Sinai, conquistada por Israel em 1967. Com o parceiro egípcio, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Do iídiche, pessoa de bem, pessoa digna.

Partido político israelense, fundado pouco antes das eleições de 1992, é a união de antigos partidos tradicionais do país como Mapam, Ratz e Shinui. Além do acrônimo representando a junção das legendas, Meretz também significa “vigor”, em hebraico. Tem como principais objetivos políticos o acordo de paz com os palestinos, a criação de um Estado Árabe nos limites anteriores à Guerra dos Seis Dias, e a defesa dos direitos civis e das minorias no país. No espectro político israelense está localizado à esquerda. É conhecido por ser pioneiro na inclusão política das minorias. Nas primeiras eleições das quais participou, sob liderança da ativista Shulamit Aloni, conseguiu eleger 12 parlamentares, tornando-se, na época, a terceira força política do país, e contribuindo para o Acordo de Oslo com os palestinos.

Com o assassinato de Yitzhak Rabin e o fracasso do processo de paz, o partido sofreu uma grande derrota em 1996, perdendo um quarto de seus assentos na Knesset. Três anos depois, reconquistou parte de sua força elegendo 10 deputados, entre eles Hussniya Jabara, a primeira mulher árabe a chegar ao parlamento. Mas voltou a perder força com novo fracasso do diálogo, no fim de 2000, em Camp David, EUA, entre Ehud Barak e Yasser Arafat. Em 2002, seu deputado Uzi Even tornou-se o primeiro parlamentar assumidamente homossexual a ocupar uma cadeira na Knesset. Nas eleições gerais de 2003, sofreu um duro golpe e conquistou apenas seis cadeiras. Na esteira da derrota eleitoral, a legenda mudou de nome e passou a se chamar de Iachad (em hebraico, Juntos), acrônimo de Israel Chevratit Democratit, ou Social Democracia Israelense.

Em 2005, diante das pesquisas que mostravam que os eleitores não reconheciam no Iachad o legado deixado pelo Meretz, a liderança optou por uma nova mudança de nome: Meretz-Iachad. Mas, nas eleições de 2006, o partido voltou a concorrer apenas como Meretz. A disputa confirmou a decadência da legenda, que conquistou apenas cinco cadeiras no Parlamento. No ano seguinte, com a decisão do líder Yossi Sarid de deixar a Knesset, assumiu a vaga Tsvia Greenfeld, a primeira judia ortodoxa a participar da vida política israelense.

Em dezembro de 2008, o Meretz se fundiu com o Novo Momento, pequeno partido que também é identificado com causas sociais, numa tentativa de dar mais fôlego à legenda. Mas voltou a fracassar nas eleições de 2009, conquistando apenas três cadeiras.

Mizrachim (Edot ha Mizrach)

Termo utilizado para designar os judeus e seus ancestrais originários de países do Oriente Médio, norte da África, Cáucaso, região da Pérsia, Curdistão e Ásia Central. Em hebraico, Mizrach signfica leste. Portanto, os judeus mizrachim são os judeus orientais. Geralmente, o termo é utilizado para designar judeus que vivem ou viveram no mundo islâmico. Nessa categoria, incluem-se os judeus não-sefaraditas do mundo árabe, como os iraquianos e iemenitas. São comunidades com fortes costumes árabes, na alimentação, na cultura e no idioma.

Apesar de suas origens heterogêneas, os mizrachim geralmente praticam ritos e têm alguns costumes parecidos aos dos sefaraditas. Ainda assim, não são considerados descendentes dos judeus que viveram e foram expulsos da Península Ibérica, em 1492. Os judeus iraquianos e seus descendentes, por exemplo, formam uma das comunidade mais longevas fora da antiga Terra de Israel, fundada após o exílio forçado pela conquista babilônica em 586 A.E.C. (antes da Era Comum). História similar têm os judeus iemenitas.

Essa confusão de ritos e costumes fez com que os mizrachim fossem chamados, de forma equivocada, de sefaraditas. A fundação do Estado de Israel contribuiu ainda mais para aumentar essa mistura. Quando foi estabelecido o rabinato oficial no país para administrar questões religiosas, ele foi dividido em dois: um ashkenazita e outro sefaradita, sendo que esse último incluiu rabinos mizrachim.

(1919- 1943)

Líder da resistência judaica contra o exército nazista no Gueto de Varsóvia, em abril de 1943. Nasceu em 1919, na cidade polonesa de Wyszków, próxima a Varsóvia. Ainda na adolescência se juntou ao movimento juvenil sionista Hashomer Hatzair. Uma semana depois da invasão alemã contra a Polônia, em setembro de 1939, decidiu partir com seus companheiros de movimento para o leste do país, onde pretendiam se juntar ao Exército para combater os nazistas. Ao perceber que a região já estava sob controle soviético e que não haveria como combater os alemães, Anielewicz e seus companheiros decidiram ir para Vilna, na Lituânia, onde planejaram uma rota de fuga para judeus poloneses que quisessem imigrar clandestinamente para a então Palestina. De Vilna, seguiu para a Romênia, mas, ao tentar cruzar a fronteira, acabou preso pelos soviéticos.

Foi libertado pouco tempo depois e, em janeiro de 1940, retornou para Varsóvia, já sob controle nazista. Em junho de 1942, Anielewicz viajou para o sudoeste da Polônia, onde passou a comandar a organização de um grupo de autodefesa. Mas o plano não foi adiante por falta de apoio da resistência polonesa. Ao voltar para Varsóvia, foi informado de que os alemães haviam começado a deportar os judeus do gueto para o campo de extermínio de Treblinka. Anielewicz se juntou, então, à Organização Judaica de Combate (Żydowska Organizacja Bojowa ou ZOB, em polonês), formada por integrantes de vários movimentos juvenis sionistas, sendo escolhido seu comandante.

Em 19 de abril de 1943, véspera de Pessach, os nazistas iniciaram a liquidação do Gueto de Varsóvia, que previa a deportação dos judeus restantes para os campos de extermínio. Quando tropas nazistas entraram no gueto, foram recebidas com tiros e coquetéis molotov. Os combatentes, mesmo mal armados, haviam organizado uma boa rede de bunkers e esconderijos, de onde realizavam ataques surpresa. A resistência no gueto durou quase um mês. Em 16 de maio, o posto de comando dos revoltosos, que ficava na rua Mila, número 18, foi cercado pelos alemães. Embora não haja testemunhas, nem relatos escritos sobre o que aconteceu naquele dia, a versão de outros sobreviventes do ZOB é que Anielewicz e alguns de seus companheiros teriam se suicidado. Os corpos de todos teriam sido jogados pelos alemães em meios aos escombros do gueto e incinerados.

Hoje, em Mila, 18, há um monumento em memória a Anielewicz e aos outros combatentes judeus mortos no levante do gueto. Em dezembro de 1943, integrantes do movimento juvenil Hashomer Hatzair fundaram um kibutz próximo à cidade de Ashkelon, hoje, no sul de Israel, e o nomearam com Yad Mordechai (Memorial Mordechai) em homenagem a Anielewicz.

(1915 – 1981)

Líder militar e político israelense, nasceu no kibutz Degania e cresceu no Moshav Nahalal. Aos 15 anos, já servia como guarda nos campos do moshav e logo depois se alistou na Haganá. Em 1939, foi preso pelos britânicos após participar de ações armadas de defesa de assentamentos judaicos durante a Grande Revolta Árabe. Libertado, juntou-se ao batalhão judaico no Exército Britânico e combateu o Exército francês de Vichy, aliado dos nazistas, na Síria. Em uma dessas batalhas, perdeu o olho esquerdo e passou a usar um tapa-olho, que se tornaria sua marca registrada. Na Guerra de Independência de Israel, em 1948, comandou a defesa das cidades e núcleos judaicos no Vale do Jordão. Depois, foi nomeado comandante do front de Jerusalém. Em 1949, participou das negociações de armistício com a Jordânia e ajudou a delimitar a chamada Linha Verde, que separou os dois países até 1967.

Em 1953, assumiu o comando do Estado Maior das Forças Armadas de Israel e foi o planejador das operações militares na Guerra do Suez, em 1956. O conflito foi bem sucedido militarmente, mas no campo político acabou por fortalecer o Egito. Em 1958, Dayan deixou o Exército e entrou para a política. Filiou-se ao partido Mapai e, um ano depois, foi eleito para a Knesset. Como membro do gabinete de governo de David Ben Gurion, foi indicado para o Ministério da Agricultura. Em 1964, deixou o partido e filiou-se ao Rafi, seguindo Ben Gurion. Em 1967, antes da eclosão da Guerra dos Seis Dias, assumiu o Ministério da Defesa e ajudou a construir a estratégia que levou Israel à vitória Com o sucesso, Dayan continuou no cargo. Porém, após a Guerra de Iom Kipur, em 1973, tornou-se alvo de inúmeras críticas por não ter preparado o exército para o ataque simultâneo de Síria e Egito, o que causou um elevado número de baixas entre os israelenses. Renunciou ao cargo um ano depois.

Em 1977, foi centro de nova polêmica. Eleito pelos trabalhistas para a Knesset, aceitou o convite de Menachem Begin, do Likud, rival histórico dos trabalhistas, e tornou-se ministro das Relações Exteriores, um dos cargos mais importante do governo. Nessa posição, ajudou as negociações que culminaram com os Tratados de Camp David e o acordo de paz com o Egito. Nas eleições de 1981, fundou um novo partido, o Telem (acrônimo de Tnuá LeHithadshut Mamlachtit, ou Movimento de Renovação Nacional), e conseguiu uma vaga na Knesset, mas em 16 de outubro daquele ano, morreu vítima de um infarto fulminante. Moshe Dayan ainda hoje é considerado por muitos em Israel um dos grandes líderes militares e políticos que o país já teve. Ele está sepultado em Nahalal.

(1894 – 1965)

Estadista israelense, foi o primeiro ministro das Relações Exteriores e o segundo primeiro-ministro da história de Israel (1953-1955). Moises Shertok nasceu em Kherson, Ucrânia, em 10 de outubro de 1894. Imigrou com a família para a então Palestina em 1906. Seus pais ajudaram a fundar Tel Aviv, em 1909. Estudou Direito em Constantinopla (atual Istambul). Após o fim do conflito, foi ao Reino Unido, onde se graduou em Economia. Regressou à então Palestina já sob mandato britânico em 1931, quando começou a trabalhar na Agência Judaica, o principal órgão da comunidade judaica no país, antes da criação do Estado.

Com boa oratória e grande carisma, foi um dos principais negociadores judeus durante o período que precedeu a votação da Partilha da Palestina nas Nações Unidas, em 29 de novembro de 1947. Depois da fundação do Estado de Israel, mudou seu nome para Sharret, em hebraico, e foi indicado por David Ben-Gurion como o primeiro chanceler do país. Comandou o processo de aceitação e filiação de Israel à ONU. Nesse período, também foi o responsável pela formação e treinamento dos primeiros diplomatas israelenses.

Em dezembro de 1952, Ben Gurion anunciou sua retirada da vida política, quando ainda ocupava o cargo de primeiro-ministro. Sharret foi indicado para substituí-lo e formar um novo governo. No início do ano seguinte, tomou posse como premiê. Em 1955, explodiu um grave escândalo político em Israel envolvendo sabotagens e espionagem no Egito. O caso fez Ben Gurion abandonar sua aposentadoria e voltar à vida pública, como ministro da Defesa. Investigações revelaram que as ações foram realizadas sem autorização de Sharret, mas o desgaste político o levou a renunciar e romper com Ben Gurion. Em 1960, foi eleito para chefiar a Agência Judaica e a Organização Sionista Mundial. Nesse período, também se dedicou à literatura e à poesia, publicando e traduzindo várias obras para o hebraico. Morreu em 1965 e está enterrado no cemitério Trumpeldor, em Tel Aviv.

N

Pogrom nazista organizado contra a comunidade judaica na Alemanha e na Áustria em 9 de novembro de 1938. Em alemão, é chamado de “Kristallnacht”. O nome deriva das vitrines de lojas e vitrais de sinagogas destruídos naquela noite pela turba nazista. É considerado por vários historiadores como o prenúncio do Holocausto.

A Noite dos Cristais foi uma represália organizada pelo governo nazista ao assassinato do diplomata nazista Ernst von Rath, em Paris, por Hershel Grynszpan, jovem judeu, cuja família havia sido expulsa da Alemanha em 1938. O diplomata foi baleado dentro da embaixada alemã, em 7 de novembro. Foi socorrido, mas morreu dois dias depois. Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Adolf Hitler, pretendia fazer do caso uma evidência da “guerra que os judeus travavam contra o 3º Reich”. A morte de Von Rath ocorreu no mesmo dia em que os nazistas comemoravam o 15º aniversário do Putsch de Munique, a primeira tentativa do partido de chegar ao poder, e que tornou Hitler conhecido na Alemanha. Tratava-se de uma das datas mais importantes no calendário nazista. Discursando na mesma cervejaria, em Munique, de onde Hitler e seus comparsas partiram para tentar dar o golpe em 1923, Goebbels incitou os dirigentes do partido e das SA (a tropa de choque do Partido Nazista) a vingar o assassinato de Von Rath e atingir os judeus.

O principal organizador dos ataques foi Reinhard Heydrich, chefe dos serviços de segurança do partido nazista (e que mais tarde comandaria a aplicação da Solução Final). Heydrich deu ordens para que os soldados da SA se vestissem à paisana, para que o movimento parecesse ser espontâneo. Em apenas uma noite, 91 judeus foram mortos, 30 mil foram presos e enviados a campos de concentração. Quase 8 mil lojas e comércios pertencentes a judeus e mais de 200 sinagogas na Alemanha e na Áustria foram destruídas. Não bastasse a violência, o governo nazista cobrou da comunidade judaica uma indenização de 1 bilhão de marcos pela destruição causada pelos seus próprios agentes.

A selvageria do ataque assustou a opinião pública mundial na época e causou uma onda de emigração judaica. Grynszpan, o jovem que matou Von Rath, ficou sob custódia das autoridades francesas até 1940, quando foi entregue à Gestapo após a invasão da França pela Alemanha. Seu destino exato é desconhecido. Em 1960, o governo da então Alemanha Ocidental o declarou “legalmente morto”. Suspeita-se de que tenha morrido em uma prisão nazista entre os anos de 1944 e 1945.

O

(junho 1982 – junho 1985)

Operação militar também conhecida como Primeira Guerra do Líbano e que teve o objetivo de combater a ameaça representada pela presença da OLP em solo libanês. Desde o início da década de 70, a OLP, chefiada por Yasser Arafat, havia se instalado no Líbano, após ter sido expulsa da Jordânia. A chegada da organização foi um forte fator de desestabilização no país, cujo poder era dividido entre árabes cristãos e muçulmanos. Em 1975, o Líbano mergulhou em uma sangrenta guerra civil. Arafat criou uma poderosa infraestrutura, de onde planejou e realizou diversos ataques terroristas. No início dos anos 1980, esses ataques atingiram o auge, com disparos diários de foguetes contra o norte de Israel. Em 1981, os EUA mediaram um acordo de cessar-fogo. Mas, em 3 de junho de 1982, terroristas palestinos balearam o embaixador israelense na Grã-Bretanha, ferindo-o gravemente. Em retaliação, o Exército bombardeou as bases palestinas no Líbano. A OLP reagiu e voltou a lançar foguetes contra Israel.

Após o episódio, o governo israelense respondeu ao deslanchar a operação. O objetivo era expulsar a organização palestina do país, fortalecer as falanges cristãs lideradas por Bashir Gemayel e assinar um acordo de paz com os libaneses. No dia 6 de junho, Israel deu início à ação. Dois meses depois, em 23 de agosto, os terroristas foram expulsos de Beirute. Mas, como nem toda a estrutura da OLP havia sido destruída, o governo israelense decidiu ampliar a operação e deu autorização ao exército para seguir em direção ao norte do Líbano. Essa decisão sinalizou o início de uma guerra de longa duração, o que desagradou boa parte da sociedade israelense. No início do setembro, um atentado terrorista matou Bashir Gemayel e sepultou as esperanças da assinatura do tratado de paz. Em Israel, iniciou-se uma forte campanha pelo fim da guerra.

Pela primeira vez na história do país, durante uma guerra, quebrou-se o consenso nacional. Com o crescimento das baixas militares e falhas operacionais do Exército, o governo de Menachem Begin enfraqueceu-se. Tornou-se claro que a operação não conseguiria cumprir todos os seus objetivos e começou-se a planejar a saída das tropas. Em 1983, Begin renunciou ao cargo. Nas eleições do ano seguinte, sem um vencedor claro, Likud e Partido Trabalhista concordaram em formar um governo de União Nacional. Em junho de 1985, o exército completou a retirada. Ainda assim, manteria o controle de uma pequena área no sul do Líbano, que chamou de “zona de segurança”, numa tentativa de evitar que as cidades e comunidades do norte do país voltassem a ser ameaçadas. Israel deixaria completamente o Líbano em 2000, após decisão unilateral do governo do trabalhista de Ehud Barak. Após essa retirada, o grupo terrorista Hezbolah passou a dominar a área do sul do Líbano e, após um ataque em solo israelense em 2006, ocorreu a Segunda Guerra do Líbano.

P

Um dos mais importantes e tradicionais partidos de Israel. No espectro político, é classificado como centro-esquerda. É herdeiro de partidos socialistas e trabalhistas que, entre as décadas de 1940 e 1960, passaram por uma série de cisões e reunificações. As principais legendas que deram origem ao trabalhismo israelense atual são: Mapai (acrônimo em hebraico de Mifleguet Ha Poalei Eretz Israel, ou Partido dos Trabalhadores de Israel), Achdut Ha Avodá (União Trabalhista) e Rafi (acrônomo de Reshimat Ha Poalei Israel, ou Lista dos Trabalhadores de Israel). A unificação final se daria em 1968, consolidando o partido. A maioria de sua liderança participou da colonização da Palestina no início do século e na fundação dos kibutzim. Entre suas figuras históricas estão David Ben Gurion, Golda Meir, Levi Eshkol, Moshe Dayan, Yitzhak Rabin e Shimon Peres.

Apesar da influência socialista em seu DNA, o partido sempre foi defensor do livre mercado. Na plataforma econômica, o Estado tem presença, não como regulador do setor produtivo, mas como fiador de que a sociedade deve receber os benefícios do desenvolvimento econômico. No campo das negociações de paz, os trabalhistas defendem o princípio de troca de territórios por paz e aceitam a criação de um Estado palestino, desde que Israel seja reconhecido pelos vizinhos. Nos primeiros trinta anos do país, a corrente política do trabalhismo foi hegemônica, fator que só mudaria em 1977, com a vitória do Likud, de Menachem Begin, nas eleições. Desde então, os dois partidos intercalaram-se no poder.

A crise global das forças à esquerda no espectro político, após o fim da URSS, e o fracasso de vários processos de busca de paz marcaram o início da decadência do partido. Ehud Barak ainda o lideraria em mais uma vitória eleitoral em 1999, mas seu governo duraria pouco, após o fracasso do processo de paz em Camp David, mediado pelo presidente americano Bill Clinton, em 2000, com a OLP de Yasser Arafat. Desde então, a legenda vem perdendo espaço no cenário político de Israel. Em 2005, algumas de suas principais figuras deixaram-na para se juntar ao Kadima, fundado pelo então premiê Ariel Sharon, que deixou o Likud. Nas eleições de fevereiro de 2009, os trabalhistas conquistaram 13 assentos na Knesset, tornando-se apenas a quarta força política do país atrás do Kadima, Likud e Israel Beitenu.

Decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas que, em 29 de novembro de 1947, criou um Estado judeu e outro árabe na então Palestina. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, todas as propostas para a criação de dois países na região fracassaram. Ao mesmo tempo, a Palestina vivia uma espiral de violência e instabilidade, o que contribuiu para levar os britânicos a desistirem de continuar administrando o território e entregarem à ONU a tarefa de achar uma solução para o impasse. Uma comissão especial, composta por delegados de 11 países, foi formada e enviada à Palestina. Em sua visita à região, a Unscop (Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina) reconheceu a necessidade de se obter consenso, mas não vislumbrou nenhuma solução por falta de entendimento entre árabes e judeus.

Na volta aos Estados Unidos, sete dos 11 delegados concordaram que a melhor solução passava pela criação de dois Estados, um judeu e um árabe, economicamente unidos, tendo Jerusalém como enclave internacionalizado. A Agência Judaica na Palestina ficou insatisfeita com o pequeno território que fora destinado aos judeus, e descontente por Jerusalém ter sido cortada do novo Estado. Mas a liderança judaica aceitou negociar. Os árabes rejeitaram qualquer acordo. Pelo rascunho final do plano de partilha, os judeus ficariam com a maioria do deserto do Neguev, a faixa costeira de Haifa até alguns quilômetros ao sul de Tel Aviv e com uma pequena parte da Galileia Oriental. Aos árabes, foi concedida boa parte da Galileia, os territórios na Margem Ocidental do rio Jordão e uma parte da faixa costeira do sul de Tel Aviv, até a fronteira com o Egito. Jerusalém e seu entorno seriam áreas que ficariam sob administração da ONU. A data de votação do plano foi marcada para novembro de 1947.

Os dias que precederam a votação foram de intensas negociações. Após alguns adiamentos, o plano de partilha, sob o nome de Resolução 181, foi finalmente ao plenário na noite de sábado, 29 de novembro de 1947. A sessão foi presidida pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha. O plano foi aprovado por 33 votos a favor – incluindo o do Brasil –, 13 contra e 10 abstenções. A resolução deveria entrar em vigor a partir de 14 de maio de 1948, com o fim do mandato britânico. Mas tanto a população árabe da Palestina como os países vizinhos se recusaram a aceitar a decisão das Nações Unidas, dando o início às hostilidades que marcariam a Guerra da Independência.

Em 2011, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, reconheceu que os árabes erraram ao rejeitar a Partilha.

(Páscoa judaica)

Festa que comemora o êxodo dos judeus do Egito antigo, liderados por Moisés, e o surgimento de sua identidade como povo e nação. A tradução literal do nome da festa é “passar por cima”, em referência à última das dez pragas, à qual, segundo a tradição judaica, o faraó e o povo egípcio foram submetidos por não libertar os judeus da escravidão. Conforme o texto bíblico, o anjo da morte passou por cima das casas das famílias judias e entrou em cada lar ou propriedade egípcia, levando a alma de todos os primogênitos. Foi apenas depois dessa praga que o “coração do faraó teria amolecido”, permitindo a saída dos judeus do país. Pelo calendário hebraico, o êxodo ocorreu no mês de Nissan do ano de 2448, o que seria equivalente a abril de 1313 A E.C.. De acordo com a Bíblia, três milhões de pessoas deixaram o Egito, sendo que entre elas havia 600 mil homens adultos (acima dos 13 anos). O episódio está narrado no livro Êxodo, do Pentateuco.

A festa é comemorada por oito dias nas comunidades judaicas em todo o mundo. Em Israel, são sete dias de festa. Ela começa ao entardecer do dia 14 do mês Nissan. Pelos costumes judaicos, é vedado comer alimentos fermentados e à base de farinha de trigo, como forma de lembrar o que passaram os antepassados durante a saída do Egito. Nas primeiras duas noites, é realizado um jantar especial chamado de seder. Nele, é narrada a história do êxodo, faz-se a leitura de bençãos, cantam-se músicas judaicas e come-se o pão ázimo (matzá) e ervas amargas (maror). Nos últimos dias da festa, é costume realizar uma refeição para marcar o fim do período e reza-se em memória de familiares mortos.

Movimento sionista, socialista europeu, que viria a se organizar como partido político na então Palestina e, mais tarde, em Israel. Em hebraico, significa “Trabalhadores de Sion”. Seu principal ideólogo era Dov Beer Borochov. Fundado na Rússia, no início dos anos 1900, por dissidentes do Bund, partido judaico socialista que recusou o sionismo como uma solução nacional para os judeus. O Poalei Tzion compartilhava da visão marxista, mas adicionou o nacionalismo judaico a sua plataforma. Sua liderança acreditava que os judeus precisavam imigrar para Eretz Israel, onde iniciariam a luta de classes local. Os simpatizantes desta ideologia fundaram a União Mundial Poalei Tzion, que começou a arrecadar fundos para o estabelecimento de projetos socialistas na então Palestina. Além dos kibutzim criados por seus simpatizantes, o movimento abriu escritórios, refeitórios e serviços médicos para seus afiliados. Esses projetos semearam, anos mais tarde, as instituições ligadas ao sionismo trabalhista, como a Histadrut, a central única dos trabalhadores israelenses.

Em 1920, o Poalei Tzion sofreu um grande racha. Alguns integrantes da direção, preocupados com a violência e com os rumos que a revolução bolchevique seguia na Rússia, decidiram se afastar do programa marxista. Criaram-se, então, as alas direita e esquerda do Poalei Tzion. A ala direita, comandada por David Ben Gurion e Yitzchak Ben Tzvi, adotou a linha social-democrata. Uniu-se a outros movimentos de centro e formou o partido Achdut Avoda (Trabalhismo Unido) e depois o Mapai, que mais tarde daria origem ao Partido Trabalhista. Essa corrente política foi o establishment político em Israel desde sua fundação até as eleições de 1977, quando foi derrotada pela primeira vez pelo Likud.

A ala esquerda continuou seu apoio ao bolchevismo e seus integrantes russos chegaram a participar de batalhas ao lado do Exército Vermelho em unidades que ficaram conhecidas como Batalhões Borochov. O partido existiu na Rússia até 1928, quando foi posto na ilegalidade pelo regime comunista. Na Palestina, a ala esquerda do Poalei Tzion se dividiu em duas. A primeira fundou o Miflguet Hapoalim Socialistim, ou o Partido dos Trabalhadores Socialistas, que mais tarde seria renomeado como Partido Comunista Palestino e, depois, Partido Comunista Israelense. A outra ala aliou-se a um setor do movimento de kibutzim e criou o Mapam, acrônimo de Mifleguet Hapoalim Hameuchedet, ou Partido dos Trabalhadores Unidos. Essa corrente participou ativamente em alianças de governo com o Mapai e depois com o Partido Trabalhista até 1977. Na década de 90, o Mapam uniu-se a outros partidos e deu origem ao Meretz, que atua até os dias de hoje.

Palavra russa que significa “causar estragos, destruir violentamente”. Os pogroms eram ataques maciços e organizados contra comunidades inteiras, que destruíam casas, lojas e templos religiosos. Historicamente, o termo é usado para denominar atos coletivos de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus, tendo como pretextos ressentimentos econômicos, sociais, políticos e religiosos. A palavra foi empregada pela primeira vez em 1821, após um violento surto antissemita na cidade de Odessa. Os ataques aconteceram em decorrência da morte do patriarca Grego Ortodoxo Gregório 5º, em Istambul. O religioso foi morto por turcos otomanos, mas rapidamente espalhou-se a história de que teriam sido os judeus os que arremessaram seu corpo ao mar.

O termo passou a ser mais conhecido após as ondas de violência contra comunidades judaicas no Império Russo (que também incluíam regiões atuais da Ucrânia e da Polônia) entre 1881 e 1884, quando mais de 200 ataques foram realizados. A morte do Czar Alexandre 2º desencadeou a violência. Os judeus foram falsamente acusados pelas autoridades como os responsáveis pela conspiração. Os perpetradores dos pogroms os organizavam localmente, algumas vezes com o incentivo do governo e da polícia. Um dos mais conhecidos é o pogrom de Kishinev (atualmente na Moldova), em 1903. Os judeus foram falsamente acusados de assassinar um menino de 6 anos para usar seu sangue na fabricação de pão ázimo (matzá) para a Páscoa Judaica.

A tese do assassinato ritualístico também estava por trás do mais violento dos ataques coletivos contra comunidades judaicas da Rússia. Ele ocorreu em 1905 quando, em dois dias, 2,5 mil judeus foram mortos na cidade de Odessa. Uma nova onda de pogroms ocorreu depois da Revolução Russa, em 1917. Na maioria dos casos, aldeias judaicas sofreram ataques de integrantes do Exército Branco, apoiadores do czarismo que viam os judeus como responsáveis por um “complô judaico-bolchevique”.

Após a subida dos nazistas ao poder na Alemanha, em 1933, uma nova onda de pogroms foi realizada na Europa. O mais famoso aconteceu em 1938, na chamada Noite dos Cristais. Houve, ainda, um ataque após a Segunda Guerra Mundial, em 4 de julho de 1946, em Kielce, na Polônia. Moradores da cidade massacraram alguns sobreviventes do Holocausto que retornavam à cidade e tentavam reaver propriedades já ocupadas pela população local. A violência começou após falsos rumores de que os judeus haviam raptado uma criança cristã para sacrificá-la em um ritual religioso. Pelo menos 42 pessoas foram mortas.

Festa que comemora a salvação dos judeus do extermínio na Pérsia antiga, por volta de 450 A.E.C. (antes da Era Comum). É celebrada todos os anos no 14º dia de Adar do calendário judaico. O nome tem origem na palavra Pur, que significa sorteio. Pela tradição judaica, Haman, o conselheiro do rei Achashverosh (Assuero), convenceu o monarca persa da cidade de Sushan (Susa) a exterminar os judeus. Em um sorteio (Pur), ficou determinado que a matança começaria no dia 13 de Adar. O plano de extermínio foi abortado com a intervenção da mulher de Achasverosh, a rainha Esther e seu parente Mordechai (Mardoqueu), que até então mantinham em sigilo sua condição judaica. Desde então, a festa se realiza na data em que os judeus de Sushan venceram seus inimigos. Toda a passagem é narrada na Meguilat Esther (Livro de Esther), lida durante as celebrações.

Entre os costumes está o envio de alimentos aos amigos e parentes, como um símbolo de união e amizade entre o povo judeu. Também se estimula a doação de dinheiro e alimentos aos necessitados. O costume mais popular, principalmente entre as crianças, é o uso de fantasias. Essa tradição começou ainda na antiguidade e tem algumas explicações. Uma delas é que D’us realizou milagres de maneira disfarçada, ao não agir diretamente, mas por intermédio de pessoas que atuaram sob inspiração divina, como Esther e seu parente Mordechai. Para lembrar esses milagres disfarçados, que salvaram os judeus do perigoso Haman, costuma-se usar disfarces e fantasias.

R

(1865 – 1935)

Abraham Yitzhak Kook, ou o rabino (rav) Kook, foi fundador e líder do chamado sionismo religioso. Também foi o primeiro rabino-chefe ashkenazita na então Palestina, ainda sob mandato britânico. Nasceu em 1865, na cidade de Griva, Rússia. Estudou na Yeshivá (seminário rabínico) de Volozhin, na Lituânia. Tinha especial interesse pela filosofia e pelo misticismo judaico. É considerado um grande conhecedor da cabalá e da halachá (o código de leis judaicas). Em 1904, tornou-se o rabino de Jaffa, e chegou à então Palestina em meio à segunda grande leva de pioneiros judeus que buscavam colonizar a região. Tinha dois grandes objetivos: mostrar que a imigração à Terra de Israel e o sionismo eram parte integral do judaísmo e tornar a Torá e os preceitos da halachá uma rotina comum e conhecida para a população judaica local.

Numa época em que os rabinos ortodoxos condenavam o sionismo, pois, de acordo com o pensamento religioso (da época), não poderia haver a volta dos judeus à Terra Prometida sem a vinda do Messias, rav Kook foi responsável pelo desenvolvimento de uma doutrina alternativa, que o tornou muito popular e respeitado mesmo entre os judeus não-religiosos da Palestina. Ele dizia que a volta a Israel tinha significado teológico e histórico, ou seja, era o início da divina redenção. Quanto mais judeus cumprissem a missão de imigrar para a Terra de Israel, mais próxima estaria a vinda do Messias e a redenção. Para ele, os imigrantes eram inspirados pela Vontade Divina. Essa filosofia foi chamada de sionismo religioso e deu origem ao movimento juvenil Bnei Akiva, raiz para a criação do Partido Nacional Religioso (em hebraico Miflagá Hadati Leumi, ou Mafdal, no acrônimo).

Em 1924, rav Kook fundou a Ieshivá Merkaz Ha Rav, em Jerusalém, instituição religiosa que persiste até os dias de hoje. Kook morreu em 1935 e está sepultado em Jerusalém.

Entre meados da década de 1940 e o final da década de 1960, mais de 800 mil judeus foram forçados a abandonar os países árabes, nos quais haviam vivido por vários séculos.

A partir da década de 1940, com o acirramento das tensões entre judeus e árabes na então Palestina, os judeus passaram a sofrer mais perseguições e discriminação econômica nos países árabes. Eles foram expulsos do Egito e da Líbia. E fugiram de Iraque, Líbano, Síria, Iêmen e países do Norte da África, por causa da insegurança política e das ameaças à própria integridade física. Quase todos foram forçados a abandonar suas propriedades, e jamais foram compensados por isso.

Israel absorveu 600 mil refugiados, com grande dificuldade, devido à falta de infraestrutura em seus primeiros anos após a independência. Já os restantes foram absorvidos por países como França, Inglaterra, Itália, Austrália, países latino-americanos, EUA e Canadá.

Nas décadas de 1950 e 60, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) reconheceu como refugiados os judeus que foram obrigados a deixar os países árabes. Em 2002, foi criada a campanha “Justice for Jews” [Justiça para os Judeus], com o objetivo de assegurar que os direitos destes judeus sejam reconhecidos e abordados em qualquer discussão que venha a ser feita sobre a questão dos refugiados no Oriente Médio. A Confederação Israelita do Brasil é signatária desta campanha.

No início do século 21, restam nos países árabes menos que 10 mil judeus, sendo que, em países como a Argélia e Líbia, a população judaica é próxima de zero.

Festa que marca o Ano Novo Judaico. Sua tradução literal do hebraico é “cabeça do ano”. De acordo com a tradição judaica, a festa marca a criação divina de Adão e Eva. A primeira citação existente sobre a festa está na Bíblia: “No sétimo mês, no primeiro dia do mês, será um descanso solene para vocês, uma comemoração proclamada com o toque do shofar (trompete feito de chifres de carneiro), uma convocação santa” (Levítico 23:23-25). Pelo calendário hebraico, o sétimo mês é Tishrei. O primeiro é Nissan, mês da libertação do Egito (Pessach), quando o povo judeu se tornou uma nação.

Até os tempos do domínio romano sobre Israel, Rosh Hashaná era comemorado apenas em um dia. A extensão da festa por mais um dia aconteceu por influência dos sábios ligados a Yochanan Ben Zakai, entre 30 D.E.C. e 80 D.E.C.(depois da Era Comum). Isso aconteceu por divergências sobre os cálculos do calendário hebraico. Naquele período, a promulgação da lua nova em Jerusalém (que marca o início de cada mês) dependia de uma corte rabínica. Isso, eventualmente, causava discrepâncias no calendário. Para pôr fim a isso, os sábios decidiram realizar a festa em dois dias, de modo que ela sempre pudesse ser comemorada na data correta.

Para os judeus, a festa de Rosh Hashaná é um tempo de renovação espiritual, quando se pede perdão às pessoas, por ofensas que possam ter sido cometidas contra elas durante o ano, e a D’us. Nesse período é costume se desejar às pessoas que sejam inscritas por D’us no “Livro da Vida”, que traz consigo a promessa de um ano bom. A crença judaica é que, durante Rosh Hashaná, os nomes são escritos no livro e, no Iom Kipur (Dia do Perdão), celebrado dez dias depois, o livro é selado. Este período de dez dias é chamado Iamim Noraim (dias temíveis). O cumprimento da festa é o tradicional “Shaná Tová” (Bom Ano).

Entre os costumes culinários, Rosh Hashaná é marcado principalmente pela ingestão de alimentos doces, como a maçã com mel e o bolo de mel, como uma forma de augúrio para que o novo ano seja doce.

S

(ou Sefaradi)

Termo utilizado para designar judeus cujos ancestrais eram originários da Península Ibérica. Sefarad, em hebraico, significa Espanha. Os sefaraditas fugiram da região em meio à perseguição empreendida pela Igreja Católica durante a Inquisição. Os judeus foram expulsos da Espanha, em 1492, e de Portugal, em 1496 (com a possibilidade de permanecerem no país, mediante conversão ao catolicismo). Muitos fugiram para o norte da África, onde permaneceram por séculos. Outros se dirigiram aos Países Baixos e para as Américas.

Um dos traços mais fortes da presença judaica no Brasil, no século 17, foi a fundação de uma comunidade no Recife, onde está a sinagoga mais antiga de todo o continente. Parte desse núcleo de judeus deixaria Pernambuco para ajudar a fundar a cidade de Nova Amsterdã, na América do Norte, que mais tarde viria a ser chamada de Nova York.

Entre os séculos 15 e 19, esses judeus criaram inúmeras comunidades que também se espalharam pela Ásia, geralmente em cidades que eram parte de importantes rotas comerciais, chegando à Índia e à China. Os sefaraditas têm ritos religiosos próprios, bem como uma língua particular, o ladino, que mistura principalmente o espanhol antigo com o hebraico.

Nome dado, no judaísmo, ao dia de descanso semanal, simbolizando o sétimo dia da criação, em que D’us descansou : “… Era noite e era manhã, o sexto dia. E os céus e a terra e tudo que havia. E D’us completou no sexto dia Sua obra que Ele tinha feito; e Ele descansou no sétimo dia de toda a Sua obra que Ele tinha feito… E D’us abençoou o sétimo dia, e o santificou, porque nele Ele descansou de toda sua obra que D’us tinha criado…” (Bereshit/Gênesis 1:31-2:3).

Pelo rito judaico, o Shabat sempre começa a ser celebrado ao anoitecer de sexta-feira e se estende até o pôr-do-sol de sábado. Em hebraico, a etimologia da palavra Shabat está relacionada com o verbo shvat, que significa “cessar”. Apesar de ser traduzida universalmente como descanso, uma tradução mais literal seria “cessação”, no sentido de parar o trabalho. Portanto, Shabat pode ser entendido como o dia em que D’us cessou seu trabalho de criação; deixando o conceito de descanso implícito. A palavra também é a raiz para o termo sábado, em português, e para a denominação desse dia da semana em muitas outras línguas. O termo sabático é outro que deriva do original em hebraico.

Os judeus observantes respeitam tanto os mandamentos positivos do Shabat – as três refeições festivas (jantar de sexta-feira, almoço de sábado e refeição de fim de tarde no sábado) –, como as restrições de algumas ações. No total, há 39 proibições de atividades (melachot ou “trabalhos”) que são descritas por fontes religiosas judaicas. Entre elas está escrever, acender o fogo ou produzir qualquer tipo de faíscas, construir ou montar qualquer coisa. Na maioria dos casos, a proibição é relacionada a um trabalho por meio do qual se cria algo que não existia antes. Isso porque, de acordo com a tradição judaica, assim como D’us cessou sua criação em seis dias e “descansou” no sétimo, as pessoas que se espelham em D’us se privam de criar no Shabat, como demonstração de que só Ele está por trás de todas as criações.

Partido político israelense, acrônimo em hebraico de Shomrei Shabat Sefardim ou Guardiões Sefaraditas do Shabat. Fundado em 1984, representa os ortodoxos sefaraditas e os judeus mizrachim (orientais), cuja origem está nos países árabes e do norte da África. Sua criação foi uma resposta a décadas de predomínio dos judeus de origem ashkenazita na política e na coordenação de assuntos religiosos em Israel. No espectro político israelense, está localizado à direita. Seu líder espiritual é o rabino Ovadia Yossef, responsável pela orientação interna da legenda e realização de acordos com outros partidos, assim como autorização para a participação em coalizões de governo. O braço-direito do rabino é Eli Yishai, líder do partido na Knesset.

Como legenda ortodoxa, defende a aplicação da halachá (o código religioso de leis judaicas) no dia-a-dia dos cidadãos israelenses, bem como a aplicação de todos os preceitos, como as restrições do Shabat, a alimentação kasher e a supervisão rabínica de casamentos, enterros, etc. Em relação ao conflito árabe-israelense, sua posição é mais flexível e pragmática que a de outros partidos de direita. Não é grande apoiador dos núcleos na margem ocidental do rio Jordão, mas vê com simpatia a inclusão desse território a Israel. O partido reivindica a indenização aos judeus que tiveram de fugir dos países árabes e abandonar suas propriedades, após o estabelecimento de Israel, em 1948. De acordo com o partido, essa cláusula deveria fazer parte dos eventuais acordos de paz com países árabes onde houve grande presença judaica.

Dentro de Israel, o Shas tem uma grande rede de escolas religiosas e instituições sociais que atendem a seus simpatizantes. Seus eleitores não são apenas os ortodoxos sefaraditas, judeus tradicionais de origem mizrachi também votam na legenda. Isso tem feito o Shas oscilar bastante nas eleições. Em 1999, por exemplo, atingiu sua melhor marca histórica, quando conquistou 17 cadeiras na Knesset. Mas nas eleições de 2003 e 2006 caiu para 11 e 12 cadeiras, respectivamente. Nas eleições de março de 2009, ficou com 11. De qualquer maneira, desde sua fundação, tem sido fundamental na formação de coalizões de governo, aliando-se tanto ao Likud como ao Partido Trabalhista ou ao Kadima.

Festa que marca a entrega dos Dez Mandamentos (Torá) por D’us a Moisés e ao povo de Israel ainda no deserto do Sinai, após a saída da escravidão no Egito. De acordo com a tradição judaica, a outorga das leis sagradas aconteceu no ano de 2448 no calendário hebraico, ou por volta do ano 1300 A.E.C. (antes da Era Comum). Em hebraico, Shavuot significa “semanas” e remete à contagem das sete semanas que separam o Êxodo do Egito da entrega dos Dez Mandamentos. Em Pessach (Páscoa), os judeus saíram da escravidão e em Shavuot receberam seu código de leis.

A festa de Shavuot também é conhecida por outros dois nomes: Hag Habikurim (Festa dos Primeiros Frutos) e Hag Hakatzir (Festa da Colheita). Esses nomes remontam ao período em que o Templo de Jerusalém ainda existia. Na época de Shavuot, os agricultores levavam ao Templo Sagrado uma oferenda do primeiro trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras que cresciam no campo, como forma de agradecimento a D’us. Era também nessa época do ano que o trigo, o último dos grãos a ficar pronto para ser cortado, era colhido. Por isso, juntamente com Pessach e Sucot, a festa de Shavuot era um dos três grandes períodos de peregrinação ao Templo de Jerusalém (Shloshet ha Regalim).

(1923 – )

Político e estadista israelense, nascido em Wieniawa, na Polônia (atual Vishniev, Bielorrússia). Imigrou com a família para a Palestina, em 1934. Já aos vinte anos foi eleito secretário-geral do movimento juvenil socialista sionista, quando se aproximaria de David Ben Gurion, de quem se tornou um dos mais aplicados discípulos políticos. Em 1947, dentro da Haganá, embrião do futuro exército israelense, organizou a divisão de armas e de pessoal. Em 1953, aos 29 anos, foi nomeado por Ben Gurion diretor-geral do Ministério da Defesa, cargo que manteve até 1959. Nesse período, foi fundamental na aproximação entre Israel e França e ajudou a criar a poderosa indústria aeronáutica do país.

Em 1965, ao lado de Ben Gurion, deixou o Mapai para criar o pequeno partido Rafi. Dois anos depois, foi fundamental na reaproximação das duas correntes políticas que fundaram o Partido Trabalhista. De 1969 a 1977, ocupou diversos cargos ministeriais. Com a vitória do Likud nas eleições gerais de 1977, Peres assumiu o comando do Partido Trabalhista, cargo em que ficou até 1992. Nesse período, também foi eleito vice-presidente da Internacional Socialista. Nas eleições de 1984, após a renúncia de Begin, foi formado o governo de União Nacional, quando Likud e trabalhistas fecharam acordo para um rodízio nos cargos-chave do governo. Esse período ficou conhecido em Israel como “rotatzia” (rodízio). Peres foi premiê de 1984 a 1986. Nesse período, promoveu a retirada parcial do Exército israelense para uma estreita faixa territorial no sul do Líbano, que ficou conhecida como “zona de segurança”.

Também foi responsável por um audacioso plano econômico, que reduziu a inflação israelense. Em 1984, o índice chegava a 445% ao ano. Um ano depois, baixara para 185%, chegando a 20%, em 1986. No fim do governo de União Nacional, entre 1990 e 1991, o índice era de apenas 8%. Em 1992, Peres perdeu a liderança do trabalhismo para seu principal rival dentro do partido, Yitzhak Rabin. O partido venceu as eleições gerais, e Peres ficou com o cargo de ministro das Relações Exteriores. Foi o arquiteto dos acordos de Oslo, que resultaram no início do processo de paz com os palestinos, assinado em 1993, em Washington. Um ano depois, ao lado de Rabin e Yasser Arafat, Peres recebeu o prêmio Nobel da Paz.

Em novembro de 1995, com o assassinato de Rabin, assumiu o cargo de primeiro-ministro. Nas eleições do ano seguinte, foi derrotado por Binyamin Netanyahu e deixou o comando do partido.

Em 2005, tentou voltar à liderança, mas acabou derrotado pelo ex-sindicalista Amir Peretz. Em novembro daquele ano, Peres anunciou sua saída do trabalhismo e, ao lado de Ariel Sharon, fundou o partido Kadima (“Adiante”, em hebraico). Em junho de 2007, foi eleito, pela Knesset, o nono presidente da história de Israel.

A comemoração da festa judaica de Simchat Torá (Júbilo da Torá) teve início durante o exílio dos judeus na Babilônia (587-539 A.E.C.), após a destruição do Primeiro Templo, em Jerusalém. Antes do exílio, a leitura da Torá era feita em períodos de três anos; na Babilônia, passou a ser lida com periodicidade anual. A festa não foi celebrada na Terra de Israel até o final do primeiro milênio. Assim, é uma comemoração originada na diáspora.

A tradição de comemorar com alegria o término da leitura da Torá começou durante o nono e décimo séculos da era comum, no tempo dos Geonim [presidentes de duas academias talmúdicas na Babilônia], e o nome original da celebração não era “Simchat Torá”, mas sim “Iom Habrachá” [O Dia da Bênção], em homenagem a “Vezot Habrachá”, o último capítulo de Devarim [Deuteronômio]. O nome Simchat Torá teve origem na Espanha, depois do primeiro milênio.

Simchat Torá é marcada por muita alegria e dança com os rolos de Torá, ao redor da bimá (púlpito usado para a leitura). Há também uma leitura especial feita pelas crianças.

A leitura regular é feita semanalmente, em trechos chamados de parashiot ou, no singular, parashá (porção), concluindo-se em um ano, justamente em Simchat Torá. Em algumas comunidades, manteve-se o costume de se completar as leituras em um ciclo trienal. Nestas, lê-se anualmente um terço das parashiot.

Nas sinagogas, a Torá é lida às segundas e quintas-feiras e aos sábados, além das datas festivas e no início de cada mês do calendário judaico.

Em Simchat Torá, três rolos são tirados da Arca. No primeiro, a última porção da Torá – Vezot Habrachá – é lida. A primeira porção de Bereshit [Gênesis] é lida no segundo rolo; finalmente, o Maftir, trecho dos profetas que acompanha a leitura, é lido no terceiro rolo.

A leitura da Torá prossegue em ciclos que nunca se encerram e mostram que não há fim no Livro sagrado, que deve ser lido e estudado constantemente, formando um dos elos na eterna união entre D’us, Torá e Israel.

Shemini Atzeret, que significa “reunião solene no oitavo dia” (Mamidbar-Números: 29-35) é um feriado de origem bíblica que antecede Simchat Torá e é comemorado após o sétimo dia de Sucot. Na diáspora, é comum se referir ao primeiro dia do feriado como Shemini Atzeret e ao segundo, como Simchat Torá. Em Israel, Simchat Torá é celebrada no primeiro e único dia de Shemini Atzeret.

É a casa de orações do povo judeu. A sinagoga está para os judeus, assim como igreja está para os cristãos e a mesquita para os muçulmanos. A palavra tem raiz grega, cujo significado é “ajuntamento”. O nome original, em hebraico, é Beit Haknesset ou casa de reunião ou casa da assembleia. Sua origem está ligada ao episódio da destruição do Primeiro Templo, em 586 A.E.C., e o exílio para a Babilônia. Sem o templo e longe de sua terra ancestral, os judeus começaram a se reunir em ambientes próprios para realizar os serviços religiosos e o estudo das fontes judaicas. Durante vários séculos, a sinagoga foi considerada pelos sábios judeus um local que ocupava o segundo lugar em santidade, atrás somente do Templo. Tanto assim, que ganhou outras denominações em hebraico, como “mikdash me’at”, ou pequeno santuário.

Há serviços religiosos todos os dias nas sinagogas. Os judeus mais observantes rezam três vezes por dia: pela manhã (shacharit), no fim da tarde (minchá) e no início da noite (maariv). Três vezes por semana (segundas, quintas e sábados) há a leitura de um trecho da Torá. Para a realização dos serviços religiosos, é preciso haver a presença de, pelo menos, dez judeus acima da idade de bar mitzvá, o chamado minian. Nas congregações de linha reformista, o minian também pode ser composto por mulheres, desde que acima da idade de bat mitzvá. As rezas são sempre realizadas com os fieis voltados em direção a Jerusalém, cidade que abrigou o Templo e que é o centro espiritual do povo judeu.

Uma sinagoga, grande ou pequena, deve conter os seguintes elementos básicos: a arca sagrada (aron hacodesh ), onde são guardadas as escrituras sagradas (sifrei Torá) , também deve haver a luz eterna (ner tamid), uma lâmpada colocada acima e em frente da arca sagrada e que é deixada sempre acesa, simbolizando a instrução que está presente na Bíblia de “fazer uma lâmpada arder continuamente no tabernáculo” (Shemot/Deuterônimo 27:20-21), e outra parte importante é o púlpito (bimá) sobre o qual há uma mesa (shulchan). Nela, a Torá é lida para a congregação.

Movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu em um Estado judaico. Ganhou força no fim do século 19, impulsionado pelo avanço do antissemitismo e desenvolveu-se simultaneamente a outros movimentos nacionalistas, como o de unificação de países como a Itália e a Alemanha. O nome sionismo deriva de Sion, um importante monte nas cercanias da cidade velha de Jerusalém, e representa o desejo milenar dos judeus de, após o exílio forçado, retornar à terra dos seus ancestrais bíblicos.

Sua organização política ganhou impulso em 1897, com a realização do primeiro Congresso Sionista Mundial na Basileia, Suíça, inspirado nas ideias do jornalista Theodor Herzl. O sionismo não é unificado em sua doutrina. Desde seu surgimento, foi influenciado por vários pensadores como Aaron David Gordon e Dov Beer Borochov, pais do sionismo socialista, Rav Kook, inspirador do sionismo religioso, Achad Haam, do sionismo cultural, e Zeev Jabotinsky, que protagonizou o primeiro racha, ao criar a união dos sionistas revisionistas.

Na medida em que o sionismo se consolidava na Europa, começaram a ser organizadas ondas imigratórias de judeus que desejavam escapar da miséria e das perseguições e construir novas vidas na terra de seus antepassados. No total, foram cinco grandes ondas, chamadas de Aliot (plural de Aliá, “ascensão”, em hebraico), em pouco mais de cinquenta anos. A primeira ocorreu entre os anos de 1882 e 1903, quando 25 mil judeus desembarcaram na região. A falta de estrutura e de preparo para trabalhar na agricultura levou a maioria desses imigrantes a abandonar a então Palestina, regressando aos seus países de origem ou se mudando para outros países.

Com o fim da Primeira Guerra e início do mandato britânico na Palestina, o sionismo ganhou impulso com a Declaração Balfour, em 1917, na qual o governo britânico anunciou que via com bons olhos a criação de um Estado judaico na Palestina. A estrutura burocrática e institucional do movimento sionista se consolidou. Com a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha, a imigração aumentou. Com o fim da Segunda Guerra, em 1945, e a revelação das atrocidades nazistas, o sionismo ganhou apoio e solidariedade em grande parte da comunidade internacional. O auge do movimento ocorreu entre 1947 e 1948, com a votação da Partilha da Palestina e a fundação do Estado de Israel.

Mesmo após o surgimento do Estado Judaico, o movimento sionista continuou trabalhando para atrair judeus ao país. Ajudou na imigração de comunidades que viviam sob ameaça imimente de extinção ou violência. Foi assim com os judeus iemenitas e iraquianos, no início dos anos 50, ou os etíopes, na década de 80, e, recentemente, os da antiga União Soviética.

É uma das principais correntes do pensamento sionista. Sua principal figura inspiradora foi Asher Ginzberg, mais conhecido como Achad Haam. Os sionistas culturais defendiam uma revisão de prioridades do nacionalismo judaico. O movimento não queria resolver “o problema dos judeus”, mas “o problema do judaísmo”. Segundo seus seguidores, os anos de exílio e dominação em países estrangeiros, e o desejo de incorporação às sociedades onde viviam, trouxeram desafios. Esse movimento apoiava a imigração para a antiga Terra de Israel, lar dos ancestrais e profetas, como forma a criar um grande núcleo com maioria judaica. Eles acreditavam que o Estado independente não era uma necessidade primordial, mas seria uma etapa natural da evolução judaica, impulsionada pelas expressões culturais do povo.

Para o sionismo cultural, a redenção nacional e espiritual dos judeus viria com o livre desenvolvimento de expressões culturais e científicas próprias, longe da Europa e da dominação por estrangeiros. Esse crescimento cultural passaria a ser o centro da nação judaica, que irradiaria a cultura para as comunidades na diáspora e as atrairia para a então Palestina, fortalecendo a identidade do povo. Quando a maturidade e a produção cultural dos judeus atingissem o auge, o Estado nasceria. “Será um Estado Judeu e não meramente um Estado de judeus”, dizia Achad Haam.

Corrente que une o sionismo aos preceitos do judaísmo e da Torá. Sua principal figura inspiradora foi o rabino Abraham Yitzhak Kook, ou Rav Kook. Sua doutrina defende que a volta dos judeus a Israel tem significado teológico e histórico, ou seja, representa o início da divina redenção, cujo auge será a vinda do Messias.

O sionismo religioso defende o princípio de que a Terra de Israel (Eretz Israel) foi dada aos judeus por D’us e, por isso, o direito do povo à terra é permanente e inalienável. Seus integrantes acreditam que os imigrantes (olim) são inspirados pela vontade divina. O principal representante dessa corrente sionista é o movimento juvenil Bnei Akiva, que trabalha na educação e formação de jovens judeus no mundo inteiro.

Corrente derivada do sionismo político, fundada em 1925 por Vladimir Zeev Jabotinsky. O nome original do movimento era Aliança Revisionista Sionista e seu principal objetivo era reexaminar os princípios políticos do sionismo, bem como alterar políticas moderadas do movimento sionista mundial, então comandado por Chaim Weizmann, em relação ao mandato britânico. Os revisionistas defendiam o fim de negociações com os britânicos e a realização de uma forte pressão sobre Londres, incluindo petições e manifestações de massa, para a criação de um Estado Judaico em ambas as margens do Rio Jordão.

A ideologia revisionista se expandiu muito na década de 30 com a criação, por Jabotinsky, do movimento juvenil Betar, que educava jovens na Europa. No seu nascimento, o Betar foi muito bem recebido em algumas comunidades judaicas, principalmente na Polônia e Reino Unido. Os integrantes do sionismo revisionista também protagonizaram uma divisão dentro da Haganá, embrião do exército israelense, por discordar de sua política de defesa da comunidade judaica na então Palestina e, em 1931, fundaram o Irgun. O principal herdeiro político do movimento foi o partido Herut, que nas décadas seguintes uniu-se a legendas menores e formou o Likud, um dos mais influentes partidos de Israel.

Corrente predominante durante os anos de retorno de judeus à então Palestina e, por isso, com grande influência na formação política de Israel. Seus principais ideólogos foram Aaron David Gordon e Dov Beer Borochov. Acreditavam que a imigração e o trabalho na terra eram condições obrigatórias para a mudança do caráter do povo.

Por milhares de anos, os judeus viveram na Diáspora, governados e subjugados por estrangeiros. A proposta era a de imigrar para a terra dos ancestrais, trabalhar a terra e tomar o destino nas próprias mãos. “Viemos para construir e para nos construirmos”, dizia um dos slogans mais famosos desse movimento.

Esta visão era complementada com a ideia de construção de uma sociedade justa, igualitária, baseada na ajuda mútua como pilar do desenvolvimento individual e da nova nação judaica. Uma das ferramentas de aplicação dessa ideologia foi a criação do kibutz, comunidade agrícola em que os bens e os meios de produção eram totalmente coletivos. Nesse sistema não havia propriedade privada. Esse modelo foi responsável por grande parte da presença judaica na região.

Após o estabelecimento de Israel, diversos partidos políticos seguiram essa linha ideológica. Os mais conhecidos são o Mapai (acrônimo de Mifleguet Poalei Eretz Israel, ou Partido dos Trabalhadores de Israel), Achdut Avoda (Movimento para União do Trabalho) e Mapam (acrônimo de Mifleguet Hapoalim hamehuchedet, ou Partido dos Trabalhadores Unidos). Esses partidos passaram por inúmeras cisões e uniões e deram origem a partidos importantes da atualidade, como o Trabalhista e o Meretz.

Plano de aniquilação sistemática do povo judeu pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Foi concebido a partir de 1942, com a expansão da conquista alemã na Europa Oriental. Pelo plano, o Estado deveria organizar e fornecer os meios para erradicar a presença judaica no continente europeu. Seu mentor foi Heinrich Himmler, comandante das SS, as tropas especiais do 3º Reich, sob as ordens de Adolf Hitler. A decisão de realizar uma matança em escala industrial foi tomada após a invasão de regiões que continham grandes contingentes judaicos, como Polônia e a União Soviética e suas repúblicas. Os métodos utilizados até então, como os fuzilamentos e execuções pelos pelotões alemães de extermínio (Einsatzgruppen), se mostravam muito demorados.

Em 20 de janeiro de 1942, oficiais nazistas se reuniram em uma mansão no distrito de Wannsee, ao sul de Berlim, para debater métodos para deportação e execução dos judeus europeus. A reunião ficou conhecida como a Conferência de Wannsee. Entre os participantes estavam Adolf Eichmann e seu superior Reinhard Heydrich, chefe da Gestapo, que comandou toda a planificação. Uma ata do encontro, recuperada pelo Exército Aliado em 1945 e mostrada no Julgamento de Nuremberg, em 1946, revelou que os nazistas estimavam em 11 milhões o número de judeus na Europa que estariam sujeitos ao extermínio.

A Solução Final começou a ser implementada ainda em 1942, com o início da construção de vários campos de extermínio, a maioria deles localizados em território polonês ocupado, como Sobibor, Chelmno, Belzec, Treblinka, Majdanek e Birkenau, este último erguido ao lado do campo de concentração de Auschwitz. Os campos de extermínio foram pensados para tornar a tarefa de matar tão eficiente como uma linha de montagem industrial. Tudo foi cuidadosamente planejado. Desde a chegada dos prisioneiros, passando pela separação de seus pertences, execução e cremação.

Além disso, os nazistas planejaram uma complexa rede logística, que consistia em organizar transportes, por via férrea, de judeus capturados em todos os países da Europa. Coube a Adolf Eichmann coordenar e supervisionar a logística da Solução Final. O auge da matança ocorreu nos anos de 1943 e 1944. De acordo com registros guardados no Museu do Holocausto, em Washington, na primavera de 1944, o complexo Auschwitz Birkenau exterminou 8 mil pessoas por dia. No Holocausto, morreram seis milhões de judeus.

(Festa das Cabanas ou dos Tabernáculos)

Festa que começa no 15º dia do mês de Tishrei. É uma das três maiores festas do calendário judaico, as quais são conhecidas como “Shloshet ha Regalim”. Elas têm origem na antiguidade, quando o povo de Israel peregrinava para o Templo de Jerusalém. Sucot relembra os 40 anos da trajetória dos judeus no deserto, após a saída do Egito. Nesse período, o povo era nômade e vivia em pequenas tendas ou cabanas frágeis e temporárias. Por isso, o principal costume da festa, atualmente, é a construção de uma Sucá (Cabana), onde os judeus fazem pelo menos uma refeição, com o objetivo de recordar o que passaram seus ancestrais no deserto. Em latim, a palavra Sucá foi traduzida como Tabernaculum, que significa abrigo provisório ou cabana.

Como a festa coincide com a estação das colheitas em Israel, o período também é conhecido como festa das colheitas. No fim da festa de Sucot, os judeus celebram outro feriado, chamado de Shemini Atzeret e Simchá Torá. Em Israel, essas passagens no calendário são comemoradas em um único dia. Nas comunidades judaicas da Diáspora, são dois dias. Uma das principais características do feriado é que ele marca o final do período anual de leitura da Torá e a abertura de um novo ciclo de leitura e estudos das escrituras sagradas.

T

Theodor Herzl ou Hertzl (1860 – 1904)

Fundador do sionismo político, nasceu em Budapeste, Hungria, em 2 de maio de 1860. Foi educado sob a influência do iluminismo judaico, que defendia a saída dos guetos e a redução da importância da educação religiosa. Em 1878, sua família se mudou para Viena, Áustria. Theodor formou-se em direito na Universidade de Viena, em 1884. Tentou se estabelecer em Salzburgo, onde pretendia seguir a carreira de magistrado, mas, por ser judeu, teve o pedido rejeitado pelas autoridades. Decidiu dedicar-se a literatura, jornalismo e dramaturgia.

Em 1891, o renomado jornal austríaco “Neue Presse” lhe ofereceu o cargo de correspondente em Paris. Sua primeira obra relacionada à questão judaica foi uma peça chamada “o Novo Gueto”, em 1894, que trata o dilema dos judeus de Viena, para os quais a conversão e assimilação eram rejeitadas como solução para o problema do antissemitismo. Sua intenção era suscitar o debate de que a tolerância e o respeito mútuo entre cristãos e judeus resolveriam o problema.

Mas, nesse mesmo ano, o processo do oficial judeu francês Alfred Dreyfuss, injustamente acusado de espionagem para a Alemanha, mudaria radicalmente sua visão. O caso levantou uma onda de antissemitismo na França. Em 1896, publicou o livro “O Estado Judeu”, no qual defendia a criação de um Estado nacional judaico como a única saída para os judeus serem aceitos no mundo, deixando de ser uma anomalia entre as nações. Propôs um programa de coleta de fundos entre os judeus espalhados pelo mundo, para uma instituição que trabalharia para assentá-los na Palestina e lá assegurar a criação de um Estado. Assim, foi fundada a Organização Sionista Mundial que, em 1897, faria seu primeiro congresso na cidade da Basiléia, Suíça, e da qual Herzl seria o primeiro presidente.

Nos quatro anos seguintes, faria inúmeras viagens e reuniões com líderes políticos mundiais em busca de apoio à causa sionista. Em 1904, aos 44 anos, Herzl morreu em Viena. Seus restos mortais foram levados para Israel em 1949, um ano depois da criação do Estado. Está enterrado no cemitério de Monte Herzl, em Jerusalém.

As ideias de alguns autores anteriores a Herzl podem ser consideradas pré-sionistas. A Primavera dos Povos, onda revolucionária européia de 1848, disseminou o sentimento nacionalista entre os países europeus, contra as diretrizes do Congresso de Viena. Ela fez aflorar o sentimento nacionalista nas populações (com muitos judeus envolvidos nos processos revolucionários), mas também reavivou o antissemitismo, uma vez que os judeus eram vistos como estrangeiros nos diferentes países.

Moses Hess, no livro “Roma e Jerusalém” (de 1862), pregou que os judeus deveriam preservar sua identidade nacional por meio da religião, até que estabelecessem um Estado na então Palestina, o qual deveria estar baseado no incentivo ao trabalho e na criação de uma sociedade judaica em todos os seus setores, como agricultura, indústria e comércio.

Outro autor importante foi Leon Pinsker, que considerava como geradora do antissemitismo europeu justamente a ideia de que os judeus eram estrangeiros. Assim, ele era contrário ao processo de assimilação então vigente e pregava o retorno dos judeus à Terra de Israel, como expôs no livro “Autoemancipação”(de 1882).

Melhorar o mundo. Na raíz das palavras em hebraico, tikun vem do verbo letaken, que significa reparar ou consertar. Olam quer dizer mundo. Este importante conceito judaico foi elaborado pelo grande rabino cabalista Isaac Luria, no século 16, que vivia na cidade de Safad (Tzfat), um dos centros espirituais judaicos na Terra de Israel, depois da destruição do Segundo Templo pelos romanos. O tikun olam é formado por um tripé de valores e práticas: tzedaká (justiça), compaixão (chessed) e paz (shalom). Na prática, representa o desafio do ser humano de buscar constantemente a justiça social, liberdade, igualdade, paz e o cuidado com tudo que cerca a vida humana, incluindo natureza e meio ambiente.

O tikun olam é um chamado às pessoas para agir. De acordo com os ensinamentos espirituais do rabino Luria, cada ato de bondade, não importa o quão pequeno ele seja, já ajuda a iniciar a reconstrução do mundo. Seus ensinamentos dizem que há muitas formas de se engajar nesse movimento, como se voluntariar para ajudar outras pessoas ou instituições, visitar doentes, cozinhar para os pobres, fazer doações materiais, cuidar da natureza, mediar conflitos – sejam eles grandes ou pequenos, profissionais ou pessoais – entre outras várias ações possíveis. O mais importante, dizia o rabino Luria, é agir. A energia positiva de cada pessoa pode contagiar outras de modo que uma corrente de boas ações torne a nossa vida e de todos os nossos semelhantes cada vez melhor. O tikun olam deve ser um movimento constante, que nunca para e se renova sempre.

Corpo central do judaísmo, a Torá é composta de duas partes: a lei escrita e a lei oral. Em hebraico, a palavra Torá significa instrução ou orientação. A Torá escrita, também chamada pelos judeus de Tanach, contém os cinco livros de Moisés (Genesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), os Profetas e os Escritos. Pela tradição judaica, além dos Dez Mandamentos, Moisés recebeu também de D’us a lei oral, que explica e esclarece a lei escrita. Ela teria sido transmitida oralmente de geração a geração até que finalmente foi transcrita no Talmud e no Midrash.

O corpo legal judaico é composto pelos Dez Mandamentos e de mais 613 mandamentos (mitzvot) derivados da lei escrita e da lei oral. Estes 613 são divididos em “mandamentos positivos”, no sentido de realizar determinadas ações (mitzvot assê) e “mandamentos negativos”, na qual o judeu se deve abster de certas ações (mitzvot ló taassê).

(Paz com o Egito)

Tratado que marcou a normalização das relações entre Israel e Egito. Foi o primeiro acordo de paz entre um país árabe e o Estado de Israel. Em 19 de novembro de 1977, apenas quatro anos depois da Guerra do Iom Kipur, o presidente egípcio Anuar Sadat foi a Israel, a convite do governo de Menachem Begin, para uma visita surpreendente e histórica. Era a primeira vez, em trinta anos, que um líder árabe se reunia com um dirigente israelense na tentativa de iniciar negociações de paz. Um mês depois, Begin retribuiu o gesto e viajou a Ismailia, no Egito. Em setembro de 1978, o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, convidou Sadat e Begin para realizar as negociações finais em Camp David, casa de veraneio oficial do governo americano. O diálogo durou doze dias e esteve seriamente ameaçado de fracassar.

Sadat e Begin concordaram em dois princípios: iniciar negociações para normalizar as relações diplomáticas e a retirada total de Israel da Península do Sinai. O diálogo emperrou no terceiro: a concessão de autonomia aos palestinos, uma exigência de Sadat. O líder egípcio quase abandonou as negociações, e Carter exerceu intensa pressão sobre o premiê israelense para que ele cedesse. Begin concordou e, em 17 de setembro de 1978, foram assinados os acordos de Camp David. Eles eram dois; o primeiro previa que, em três meses, todos os aspectos da retirada israelense do Sinai e da normalização de relações entre os dois países deveriam estar concluídos; o segundo norteava o formato das negociações para a autonomia palestina.

Foi acordado que dentro do período de três anos após a assinatura de um tratado de paz, Israel deveria se retirar completamente do Sinai. Em troca, o Egito reconheceria formalmente o Estado de Israel, estabeleceria relações diplomáticas e asseguraria o direito à navegação israelense no Canal de Suez e no Estreito de Tiran. Cinco anos depois de concluída esta primeira fase, as negociações para a autonomia palestina deveriam ser iniciadas. Ratificado pela Knesset, o tratado foi finalmente assinado, em 26 de março de 1979, por Begin, Sadat e Carter, na Casa Branca. O acordo de paz isolou o Egito no mundo árabe e o líder egípcio passou a ser considerado um traidor. O país foi expulso da Liga Árabe, onde seria readmitido apenas no fim da década de 1980. Sadat não viveu para ver a implantação final do acordo. Foi assassinado por terroristas islâmicos, no Cairo, em 1981. Um ano depois, Israel deixaria o Sinai. Divergências sobre os interlocutores que deveriam representar os interesses palestinos para negociar a autonomia contribuíram para que a aplicação desta parte do acordo ficasse congelada.

Tratado que marcou a normalização das relações entre Israel e Jordânia, em 1994. Foi o segundo acordo de paz entre um país árabe e o Estado de Israel (o primeiro foi com o Egito) . O documento foi assinado no Deserto de Aravá, na região fronteiriça entre os dois países, na esteira dos Acordos de Oslo, entre israelenses e palestinos. O rei Hussein, da Jordânia, que mantinha relações informais com líderes israelenses havia muito tempo, esperou a implantação das fases iniciais do acordo israelo-palestino para dar sinal verde à assinatura de um tratado de paz amplo com Israel. Foi uma opção estratégica, pois a maioria da população jordaniana é composta por palestinos.

O documento contém 30 artigos e cinco anexos. Seus principais pontos dizem respeito a acertos fronteiriços, recursos hídricos, cooperação econômica e ambiental e cooperação na área de segurança. Israelenses e jordanianos concordaram em adotar as linhas demarcatórias do fim do mandato britânico como fronteiras. Isso deixaria duas áreas controladas por Israel nas mãos da Jordânia. O impasse foi resolvido com a concessão pelos jordanianos aos israelenses, por 25 anos, dessas faixas de terra para uso privado. Esse prazo será renovado automaticamente após esse período, a menos que uma das partes deseje o contrário.

Conceito judaico para justiça social. Em geral, tzedaká é traduzida como caridade, o que é um erro. O termo tem origem na palavra hebraica tzedek (justiça ou retidão). Trata-se de um dos três preceitos mais importantes da fé judaica. Os outros são a tshuvá (arrependimento) e a tefilá (oração). Segundo a tradição, estas são as únicas ações humanas que têm o poder de reverter as decisões de D’us. Os sábios judeus afirmam que a caridade é um ato louvável, baseado na bondade de coração, mas com efeito limitado e a curto prazo. Já a tzedaká, embora também tenha base na bondade, é um conjunto de ações voltadas ao longo prazo (a longo prazo?) para melhorar as condições de vida de cidadãos ou comunidades, tanto do ponto de vista material como espiritual.

Há várias formas de se fazer tzedaká. A mais simples é a de dar contribuições financeiras a pessoas ou instituições. Porém, há outras modalidades. Doar um pouco do seu tempo para trabalhar ou ajudar os mais necessitados é uma delas. Dar trabalho a uma pessoa desfavorecida ou ajudá-la a encontrar um emprego, de forma que ela não dependa da caridade no futuro, é outra. Também considera-se tzedaká emprestar dinheiro ou fazer sociedade com uma pessoa mais pobre para que ela inicie uma atividade ou negócio próprio. A tzedaká não trata somente de ajudar alguém financeiramente. É também ajudar as pessoas a progredirem e se sentirem íntegras.

(1958 – )

Política israelense que assumiu a liderança do partido Kadima após a renúncia de Ehud Olmert, em 2008. Tzipora Malka nasceu em 1958, em Tel Aviv. Seus pais foram integrantes proeminentes do Irgun. Por isso, Tzipi cresceu sob forte influência da ideologia do sionismo revisionista. No exército israelense, chegou à patente de tenente. Deixou a vida militar em 1983 para se dedicar aos estudos acadêmicos. Formou-se em Direito na Universidade de Bar Ilan, especializando-se em direito público e comercial, áreas em que atuou por dez anos. Decidiu entrar na vida pública e filiou-se ao Likud em 1996. Naquele mesmo ano, concorreu à Knesset pela primeira vez, mas não conseguiu vaga. Nas eleições seguintes, porém, obteve um assento e ficou na oposição ao governo do trabalhista Ehud Barak.

Em 2001, após a vitória de Ariel Sharon, ainda no Likud, foi nomeada ministra para a Cooperação Regional e da Agricultura. No governo seguinte, em 2003, assumiu o comando dos Ministérios da Imigração e Absorção e da Construção e Habitação. Em uma nova reformulação no gabinete, passou a ocupar a pasta da Justiça e, em 2006, das Relações Exteriores, onde se manteve até março de 2009. Em novembro de 2005, com a cisão no Likud por causa da retirada unilateral da Faixa de Gaza, Livni se juntou a outros integrantes do seu partido e do Partido Trabalhista e participou da fundação do Kadima, comandado por Ariel Sharon. Com o derrame sofrido por ele, em janeiro de 2006, a legenda passou a ser liderada por Ehud Olmert, eleito primeiro-ministro naquele ano. Dois anos depois, ele renunciaria e convocaria eleições para o início de 2009.

O Kadima elegeu Tzipi Livni como sua líder e conquistou 28 cadeiras na Knesset, uma a mais do que o Likud. Mas o resultado geral das eleições mostrou um avanço dos partidos de direita, o que deu ao líder likudista, Binyamin Netanyahu, a chance de formar a nova coalizão de governo, deixando o Kadima como o principal partido de oposição.

V

(1880 – 1940)

Ideólogo e fundador do sionismo revisionista, foi jornalista, escritor e poeta. Nasceu em Odessa, na Ucrânia. Aos 18 anos, foi estudar Direito na Itália e Suíça. Atuou como correspondente para jornais russos e assinava seus artigos sob o pseudônimo de Altalena. Em 1903, o sangrento pogrom de Kishinev aproximou Jabotinsky da causa sionista. Ele passou a organizar unidades de autodefesa em comunidades espalhadas pela Rússia. Em 1909, visitou pela primeira vez a Palestina. Estudou os problemas locais e aprendeu a língua hebraica. Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, foi correspondente militar de jornais britânicos. Em Alexandria, no Egito, conheceu Josef Trumpeldor, com quem idealizou a Legião Judaica. A unidade, criada em 1915, foi oficializada somente dois anos depois e participou de batalhas contra os turcos otomanos, ao lado dos britânicos. Em 1920, Jabotinsky foi comandante da Haganá, embrião do futuro exército israelense, na defesa da comunidade judaica de Jerusalém, o que lhe custou um período de um ano na prisão britânica de Acre (Akko).

Em 1923, fundou o movimento juvenil Betar (acrônimo de Brit Trumpeldor, ou Aliança Trumpeldor) em homenagem ao amigo que morrera poucos anos antes. O movimento educava jovens judeus na Europa dentro de princípios nacionalistas e os preparava para imigrar à Palestina. Dois anos depois, contrariado com a posição conciliadora da Organização Sionista Mundial diante dos britânicos, criou a Aliança Revisionista Sionista, cujo objetivo era a pressão sobre Londres para a criação imediata de um Lar Judaico. Em 1929, depois de uma viagem a Londres, não teve permissão para voltar à então Palestina. Daí por diante, continuaria com o ativismo na Diáspora até sua morte. Em 1931, apoiou a criação do Irgun, dissidência militar da Haganá.

Para Jabotinsky, o nacionalismo era a base de tudo. A nação deveria estar acima das liberdades individuais. O “judeu ideal” era aquele que colocava o coletivo acima do individual. Jabotinsky morreu em 1940, quando visitava um acampamento de verão do movimento juvenil Betar, em Nova York. Seus restos mortais foram levados a Israel em 1964 e enterrados no cemitério nacional do Monte Herzl.

Y

(1922-1995)

Político e militar que obteve conquistas importantes para Israel na esfera civil e nos campos de batalha. Foi primeiro-ministro por duas vezes (1974-77 e 1992-1995) e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas durante a Guerra dos Seis Dias (1967). Nasceu em Jerusalém, em 1º de março de 1922. Depois de completar o primeiro grau, sob influência do ideal sionista-socialista, decidiu estudar na Escola Agrícola Kadurie, na Galileia, onde se formou entre os primeiros de sua turma. Em 1941, se alistou na Haganá, a principal organização paramilitar judaica antes da fundação do Estado. Em poucos meses, foi designado para o Palmach, força de elite da Haganá.

Em 1948, comandou as tropas que tentavam liberar o caminho entre Tel Aviv e Jerusalém, bloqueado pelas forças árabes poucos meses antes do fim do mandato britânico na então Palestina. No fim da guerra, em 1949, participou da delegação que negociou o armistício com os egípcios em Rhodes. Em 1964, assumiu o cargo de chefe do Estado-Maior. Quatro anos mais tarde, após a vitória sobre os exércitos árabes na Guerra dos Seis Dias, Rabin deixou a vida militar e foi nomeado embaixador nos EUA, onde ficou até 1973. De volta a Israel, foi eleito líder do Partido Trabalhista.

Um ano depois, assumiu o governo após a renúncia de Golda Meir. A denúncia de que sua mulher, Lea, mantinha uma conta em um banco americano – o que era proibido na época -, abriu uma crise política, e novas eleições foram convocadas. Rabin deixou o cargo e, pela primeira vez desde 1948, os trabalhistas foram derrotados pelo Likud. Nos anos 1980, travou batalha política com Shimon Peres pela liderança do trabalhismo. No início da década seguinte, foi eleito para a liderança do partido. Nas eleições de 1992, os trabalhistas venceram e Rabin assumiu o cargo de primeiro-ministro.

Sob seu governo, foram iniciadas negociações secretas com os palestinos, que desembocaram nos Acordos de Oslo, em 1993. Nesse mesmo ano, outro feito histórico: Israel e o Vaticano estabeleceram relações diplomáticas. O antigo rival Shimon Peres tornou-se seu maior parceiro na busca da paz no Oriente Médio. Em 1994, foi assinado o Acordo do Cairo, que dava autonomia aos palestinos em parte da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. No mesmo ano, Israel e Jordânia assinaram um Acordo de Paz. Rabin, Peres e Yasser Arafat receberam o Nobel da Paz.

O avanço do processo de paz com os palestinos e as negociações com a Síria, que implicavam importantes concessões políticas e territoriais, acirraram divisões na sociedade israelense, por conta do preço que diferentes setores estavam dispostos a pagar. Vários protestos liderados pela oposição foram organizados. Alguns deles terminaram em choques entre manifestantes e a polícia. Em resposta, os aliados de Rabin promoveram uma grande manifestação em favor da paz, em Tel Aviv. No dia 4 de novembro de 1995, após participar da cerimônia, Rabin foi assassinado a tiros pelo judeu extremista Ygal Amir, que foi julgado e condenado à prisão perpétua. Peres assumiu o governo até a realização de eleições em 1996, para as quais era considerado favorito. Um atentado contra um ônibus em Tel Aviv, às vésperas da eleição, fez a balança pender para o lado do Likud.

Rabin está enterrado no cemitério de Monte Herzl, em Jerusalém.

(1915 – )

Político e primeiro-ministro israelense, nasceu na cidade de Ruzinoy, na Polônia. Na adolescência, ingressou no movimento juvenil sionista Betar, que seguia o sionismo revisionista de Vladimir Zeev Jabotinsky. Aos 20 anos, deixou o curso de Direito em Varsóvia e imigrou para a então Palestina, na época sob mandato britânico. Entrou para o Etzel, força paramilitar ligada aos sionistas revisionistas, que combatia os britânicos e enfrentava ações da guerrilha árabe. Em 1940, após uma cisão entre os revisionistas, aderiu ao Lehi, grupo retratado por historiadores israelenses como mais radical do que o Etzel. Foi aprisionado duas vezes pelos britânicos, mas conseguiu escapar. Até a fundação de Israel, em 1948, ficou asilado na França.

Em Israel, entrou para os serviços de segurança e inteligência em meados da década de 1950. Na década seguinte, envolveu-se na campanha pela libertação dos judeus soviéticos, então proibidos de deixar a União Soviética. Nesse período, também se aproximou do Likud, dirigido por Menachem Begin, e, em 1973, foi eleito para a Knesset. Quatro anos mais tarde, após a vitória de seu partido nas eleições gerais, tornou-se o presidente do Parlamento. Foi nessa condição que dirigiu a histórica sessão que, em 1977, marcou a visita de Anuar Sadat a Jerusalém e o início do processo de paz com o Egito. Em 1980, tornou-se ministro das Relações Exteriores, cargo que ocupou até o ano seguinte. Em 1983, com a renúncia de Begin, tornou-se primeiro-ministro de Israel.

Nas eleições de 1984, não houve vencedores claros e, após intensas negociações, Shamir e o trabalhista Shimon Peres formaram o governo de União Nacional. Pelo acordo, os trabalhistas e o Likud se revezaram nos cargos de primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, o que ficou conhecido em Israel como “rotatzia” (rodízio). Nas eleições de 1988, o Likud venceu por pequena margem, mas, sem uma base sólida de apoio político, decidiu formar um novo governo de União Nacional. Shamir ocupou o cargo de premiê e Peres, o de ministro das Relações Exteriores. Uma crise política pôs fim ao acordo, em 1990. Com apoio de partidos religiosos e da direita israelense, Shamir conseguiu formar uma coalizão sem precisar convocar novas eleições.

No fim daquele ano e início de 1991, explodiu a primeira Guerra do Golfo (Operação Tempestade no Deserto). Mesmo com Israel sendo atacado pelo Iraque, Shamir evitou o revide, para não pôr em risco a coalizão militar montada pelos Estados Unidos contra Saddam Hussein. Após a derrota iraquiana, Shamir participou da Conferência de Madri, na qual os americanos pretendiam iniciar o processo de paz entre israelenses e palestinos. Em 1992, o Likud foi derrotado pelos trabalhistas liderados por Yitzhak Rabin. Shamir deixou o comando do Likud. Em 1996, deixou a Knesset e abandonou a vida pública.