22 de outubro de 2017 English Español עברית

Conib Logo

Temer, Serra, Alckmin e Doria prestigiam cerimônia do Dia Internacional do Holocausto em SP

30 Jan 2017 | 18:03
Imprimir


“Relembrar o Holocausto na sua dor, em toda sua angústia, é preparar o futuro. É importantíssimo que tenhamos sempre essa ideia”, afirmou o presidente Michel Temer, solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, realizada este domingo, 29 de janeiro, em São Paulo, com organização da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e Congregação Israelita Paulista (CIP).

“Percebi que as palavras ditas e cantadas por todos aqui hoje não nasciam da mente, mas do coração. Isto é exata e precisamente o sentimento judaico, esta aliança extraordinária que a nação judaica tem entre si em todo o mundo, e que deve servir de exemplo para nós brasileiros. Por isso, agradeço imensamente a Deus, por ter feito com que eu saísse de Brasília para vir aqui dizer, como todos disseram: Shalom!”, finalizou o presidente. Assista na íntegra (5 min) ao discurso de Temer.

Em cerimônia em que crianças e jovens homenagearam os sobreviventes do Holocausto, 850 pessoas lotaram a sinagoga da CIP, ao lado do governador Geraldo Alckmin, o ministro das Relações Exteriores José Serra, o prefeito João Doria; ministra do Superior Tribunal de Justiça Maria Thereza Rocha de Assis Moura; o ministro Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos; secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo Floriano Pesaro; o presidente da Assembleia Legislativa Fernando Capez; os secretários municipais Julio Serson, também diretor da Conib, Alexandre Annenberg e Gilberto Natalini; o cardeal dom Odilo Scherer; o xeque Armando Hussein Saleh, o jurista Celso Lafer; o presidente da OAB-SP, Marcos da Costa; o promotor de Justiça Roberto Livianu; o cônsul de Israel, Dori Goren, e representantes diplomáticos de 15 países.

Também participaram da solenidade Jack Terpins,  presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, os presidentes das federações israelitas do Rio de Janeiro, Herry Rosenberg; do Rio Grande do Sul, Zalmir Chwartzmann; de Minas Gerais, Salvador Ohana; do Paraná, Ari Zugman; de Brasília, Hermano Wrobel; da Bahia, Luciano Fingergut; de Pernambuco, Jáder Tachlitsky, representando a presidente Sonia Sette; do Ceará, Pablo Schejtman; do Rio Grande do Norte, Rosely Soltak, representando o presidente Mario Soltak; do Amapá, Ariela Ohana, representando o presidente Samuel Benchaya; além de líderes comunitários e religiosos.

"Por que é tão importante lembrar?”, perguntou o presidente da Conib, Fernando Lottenberg. “Porque o Holocausto marca o trágico, o doloroso, o inefável ápice de perseguições sofridas ao longo dos séculos até os dias de hoje. Ele é o chamado mais agudo contra a intolerância, o ódio e a injustiça. Desde então, continuamos a dizer: Nunca mais!"

“O povo de Israel está vivo. O Estado de Israel foi criado sob as cinzas das vítimas e as expectativas sobre sua refundação estavam centradas em marcar o início de uma nova era, o que de fato ocorreu. A vitalidade do Estado judeu e o dinamismo da vida judaica nas comunidades da Diáspora são a maior prova de que sobrevivemos e seguimos em frente. Am Israel Chai”, acrescentou.

“Mas o mundo ainda não se tornou imune a genocídios. Outras minorias continuam sendo vitimadas. O Holocausto é o chamado mais agudo contra intolerância, ódio e violência desmedida”, alertou.

E lembrou que o antissemitismo continua à espreita: “Em 2016, houve um aumento de 200% de incidentes antissemitas na Alemanha; em Londres, de 62%, e não são apenas extremistas: o Partido Trabalhista britânico suspendeu dezenas de membros no ano passado por comentários antissemitas".

Leia o pronunciamento completo de Fernando Lottenberg.


UM ATO DE TODOS

O governador Geraldo Alckmin lembrou no início de sua fala o filósofo George Santayana: “Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo”.

Ele notou que, em 1944, cerca de 6.000 pessoas morriam diariamente em Auschwitz. “E não apenas judeus. Também oponentes políticos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos”.

‘Wiesel nos ensinou que não relatar significa assassinar pela segunda vez e ser cúmplice do inimigo”, prosseguiu. “Precisamos rever as condições que deram origem ao nazismo. A USP tem um legado concreto, com o Arqshoah [arquivo que tem como objeto a história e a memória dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazifascismo radicados no Brasil e conta com um acervo de cerca de 250 entrevistas], desde 2006.

"Esta solenidade reforça a importância de discutir um assunto que, lamentavelmente, está cada vez mais evidente: a intolerância no mundo. Como lembrou Fernando Lottenberg, este ato não é apenas dos judeus, é de todos nós!”.


AS ARMAS DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA

“É uma honra para mim compartilhar com vocês estas reflexões e comoventes testemunhos. A comunidade judaica do Brasil é uma prova de que o nazismo fracassou”, afirmou o ministro José Serra.

“O Holocausto não pode ser justificado, ainda que seja negado. E isso deve ser combatido com as armas da educação e da cultura. O presidente Temer nos orientou para fortalecer os laços com Israel. E já temos novos embaixadores, tanto aqui como no Estado judeu”, prosseguiu.

Como ministro das Relações Exteriores, lembrou os diplomatas Aracy Guimarães Rosa e Luís Martins de Souza Dantas, “os justos que descumpriram instruções” para salvar judeus do nazifascismo.


JUDEUS ERGUEM A BANDEIRA DA PAZ

O prefeito João Doria afirmou que “esta é uma cerimônia judaica, mas universal como o sentimento da paz e da harmonia.

“Mas também é um ato contra a intolerância e a injustiça. Que o ato de hoje nos sirva de alerta”, prosseguiu.

“Os judeus erguem as bandeiras da paz. E dão continuamente exemplos disso”, acrescentou.


O TEMPO APAGOU O “NUNCA MAIS”

O senhor Thomas Venetianer chegou com os pais ao Rio de Janeiro há 79 anos, refugiados do nazismo. Para ele, “o tempo apagou certas lembranças, e os homens não tiraram a lição do Holocausto”

“Nos séculos 20 e 21, é angustiantemente longa a lista das vítimas de perseguição. E os dias atuais me lembram aqueles precedentes à Segunda Guerra”, prosseguiu.

“Precisamos de um ‘Novo Nunca Mais’. A missão dos sobreviventes é continuar a contar a história e mostrar que as mortes não foram em vão”, finalizou.


A CHAMA DA MEMÓRIA

O rabino Schlesinger e o chazan Alexandre Edelstein rezaram o El Male Rachamim, oração em lembrança às vítimas do Holocausto. Em seguida, rezaram o Kadish, oração para os falecidos.

Posteriormente, foram acesas seis velas em homenagem aos seis milhões de judeus mortos.

Acender a primeira vela coube ao presidente Michel Temer, a Fernando Lottenberg, Claudio Lottenberg, Jack Terpins, Celso Lafer, Sra. Janina Schlesinger e a jovem Paula Lottenberg. A segunda vela foi acesa pelo governador Geraldo Alckmin, Floriano Pesaro, Fernando Capez, Marcos da Costa, Roberto Livianu, Bruno Laskowsky, Sr. Laci Lazlo Kardos e os jovens Fábio  Widman e Mauricio Homsi. A terceira, pelo prefeito João Doria, Julio Serson, Ricardo Berkiensztat, Gilberto Natalini, Daniel Annenberg, Sergio Kulikovsky,  Sr. Jose Fleischmann, Sra. Zsuzsanna Venetianer e a jovem Suzana Gross. A quarta vela, por Claudio Bobrow, Abraham Goldstein, Daniel Bialski, Mirko Lebl, Celia Parnes, Eduardo El Kobbi,  Sr. Stefan, Sras. Ruth Lipman e Rita Braum e o jovem Bruno Pekler. A quinta vela, pelo ministro José Serra, Dori Goren, representes diplomáticos, Sr. Gabriel Desiderio Varkony, Sra. Miriam Nekrycz e a jovem Debora Shertzman. A sexta, por Maria Tereza Assis Moura, o cardeal dom Odilo Scherer, o xeque Armando Hussein Saleh, Sr. José Gabriel Wejnberger, Sra. Nanete Konig, Sra. Rivka Daskal Fidelholc, Marcio Pitliuk e o jovem Samy Stein.


EVENTO MERECE DESTAQUE NA MÍDIA BRASILEIRA

A solenidade do Dia do Holocausto, em São Paulo, mereceu grande destaque na mídia brasileira:

JTAO Estado de S. PauloFolha de S. PauloO GloboGloboNewsG1BandValorCorreio BrazilienseVejaIstoÉAgência BrasilPalácio do Planalto.

DISCURSO DE FERNANDO LOTTENBERG

PRONUNCIAMENTO – DIA EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO – 27.01.17 – São Paulo - CIP
 
Exmo. Sr. Presidente da República
Srs. Ministros de Estado
Sr. Governador
Sr. Prefeito
Srs. Secretários
Sobreviventes e familiares aqui presentes
Srs. Rabinos
Colegas de diretoria da Conib
Presidentes de Federações Israelitas
Demais autoridades
 
Senhoras e Senhores 
 

 
Estamos aqui reunidos para um ato solene: homenagear as vítimas do Holocausto e lutar para que sua memória siga viva nos corações e mentes das pessoas.
 
E por que é tão importante lembrar? Porque o Holocausto marca o trágico, o doloroso, o inefável ápice de perseguições sofridas ao longo dos séculos até os dias de hoje. Ele é o chamado mais agudo contra a intolerância, o ódio e a injustiça. Desde então, continuamos a dizer: Nunca mais!
 
O povo de Israel está vivo. O Estado de Israel foi criado sob as cinzas das vítimas e as expectativas sobre sua refundação estavam centradas em marcar o início de uma nova era, o que de fato ocorreu. A vitalidade do Estado judeu e o dinamismo da vida judaica nas comunidades da Diáspora são a maior prova de que sobrevivemos e seguimos em frente. Am Israel Chai.
 
Em 2005, com o apoio do Brasil, a ONU adotou uma Resolução, com base nos arts. 3º e 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.  A Resolução, além de “condenar, sem reservas, todas as manifestações de intolerância religiosa, ódio e perseguição por causas étnicas ou religiosas, onde quer que ocorram”, rejeita qualquer negação do Holocausto como um evento histórico e pede aos países-membros que elaborem programas de educação sobre o tema.

Em seu discurso de agradecimento do Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel disse que era impossível falar em nome dos milhões de mortos. Mas disse estar feliz por poder dizer que o Nobel pertencia aos sobreviventes, seus filhos e filhas, e ao povo judeu. Falecido no ano passado, fez um alerta definitivo: “Sempre que homens ou mulheres são perseguidos por sua raça, religião ou visão política, aquele lugar, naquele momento, se torna o centro do universo”.
 
A presença aqui hoje dos sobreviventes, seus familiares e descendentes, nos inspira e nos fortalece nessa luta sem tréguas pela preservação da memória e contra as injustiças. Obrigado por terem vindo.

Amigos e amigas
 
Apesar de todas as advertências e ações de indivíduos, comunidades e governos, o mundo ainda não se tornou um lugar mais seguro ou imune a genocídios.
 
O Museu do Holocausto, em Washington, apresenta neste mês a mostra “Genocídio: A Ameaça Continua”, focada nas atrocidades que ocorrem na Síria e no Iraque, onde outras minorias continuam a serem vitimadas.
 
Acreditamos que a memória do Holocausto ajuda o mundo a combater injustiças como essas. Mas não é tarefa fácil. Há dois anos, pesquisa da Liga Antidifamação, conduzida em mais de cem países apontou que 46% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar do Holocausto. Apesar de toda a documentação e da memória dolorida, das testemunhas e de seus descendentes, ainda existem aqueles que se empenham em negar a existência do extermínio perpetrado e documentado pelos próprios nazistas. Como afirmava Pierre Vidal-Naquet: “Aqueles que procuram negar a existência do Holocausto, tentam atingir a cada um de nós em sua própria memória individual”.
 
Por isso, Sr. Presidente, é preciso recordar. Sua presença aqui hoje muito nos honra, retomando uma tradição que nos é preciosa, da presença presidencial em uma data tão significativa. Do mesmo modo, hoje se somam a nós ilustres representantes desta cidade, deste Estado e da República, representando diferentes partidos e tendências, o que nos deixa ainda mais orgulhosos de sermos brasileiros.
 
O Brasil sempre foi uma terra de acolhida para nossa comunidade. Aqui podemos viver com liberdade e professar livremente nossa fé e nossas convicções. Durante a guerra, além de termos sido o único país latino-americano a enviar tropas para combater os países do Eixo, diplomatas corajosos como Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Luiz Martins de Souza Dantas, contrariando ordens oficiais, emitiam vistos que representaram a salvação para muitas famílias, algumas delas hoje aqui presentes. Mas o antissemitismo não morreu. Continua vivo, à espreita, por vezes disfarçado sob novos trajes, alguns até que se pretendem politicamente corretos.
 
Utilizando-se agora dos meios mais modernos e eficientes para propagar o ódio e a intolerância, continua insidioso, violento - e letal. Por isso, é preciso lembrar.
 
E lembrar não apenas em cerimônias como esta. A comunidade judaica mantém programas educacionais para jovens e adultos, tal como A Marcha da Vida, visitando países da Europa onde o genocídio foi concebido e executado. Assim, eles podem conhecer de perto o que ali ocorreu e compreender melhor, in loco, como é importante lutar contra os ódios e os preconceitos. Apoiamos projetos como o Arqshoah, que preserva depoimentos de sobreviventes e os do Instituto Liberta que combate a violência contra crianças. Solicitamos ao Ministério da Educação, na pessoa do Ministro Mendonça Filho que, em cumprimento à resolução das Nações Unidas, inclua na Base Nacional Curricular o tema do Holocausto.
 
Recente relatório sobre o antissemitismo no mundo aponta para um aumento significativo de ocorrências em 2016 - no mundo real e em seu espelho virtual. Na Alemanha, os incidentes antissemitas cresceram 200% no ano passado em relação a 2015. No Reino Unido, somente em Londres, os ataques a judeus aumentaram 62% no ano passado. E não se restringiram aos jihadistas ou à extrema direita, cujos candidatos aparecem em posições de destaque em eleições e em pesquisas. O Partido Trabalhista britânico suspendeu dezenas de membros no ano passado por comentários antissemitas. Na Europa Oriental, onde o genocídio foi mais intenso, ações para negar a dimensão do Holocausto crescem em diferentes países e governos. Nas universidades americanas, o número de incidentes antissemitas cresceu 45%. No Brasil, temos contado com um acompanhamento constante e resposta firme de nossas instituições e das autoridades – nos níveis federal e estadual - quando eventos dessa natureza ocorrem.
 
Por isso tudo, amigos e amigas, estamos aqui reunidos nesta cerimônia solene. A presença de cada um aqui nesta noite de domingo contribui para que o mundo nunca mais reviva os horrores da Segunda Guerra, para que seres humanos não sejam marcados para morrer apenas por professarem uma religião, fazerem parte de um grupo étnico ou militarem numa facção política.
Afinal, esta não é uma cerimônia judaica, e sim universal. Como afirmei em artigo publicado na imprensa na última sexta-feira, “Em um tempo de ressurgência de nacionalismos e extremismos, não pergunte por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.
 
Vamos lembrar dos nossos parentes que foram assassinados e prestar-lhes mais uma homenagem: agir sempre contra as injustiças, onde quer que estejam.
 
Muito obrigado pela presença. Muito obrigado pela memória.
 

Após seu pronunciamento, 
Fernando Lottenberg é cumprimentado por Temer e Alckmin. Foto: Beto Barata/PR.

Jovens da comunidade judaica entregam flores aos sobreviventes do Holocausto. Foto: Guga Gerchmann.


Crianças da CIP cantam "Oyfn pripetchik", clássico da música judaica. Foto: Guga Gerchmann



Acendimento da primeira vela. Foto: Eliana Assumpção.


Acendimento da segunda vela. Foto: Eliana Assumpção.


Acendimento da terceira vela. Foto: Eliana Assumpção.


Acendimento da quarta vela. Foto: Eliana Assumpção.


Acendimento da quinta vela. Foto: Eliana Assumpção.


Acendimento da sexta vela. Foto: Eliana Assumpção.


Ministra Maria Tereza Assis Moura e o xeque Armando Hussein Saleh.
 Foto: Guga Gerchmann.


Jack Terpins, Michel Schlesinger, Dori Goren, Floriano Pesaro, dom Odilo Scherer, Ricardo Berkiensztat, Bruno Laskowsky,
José Serra, Geraldo Alckmin, João Doria e Fernando Lottenberg. Foto: Guga Gerchmann.



Bruno Laskowsky, Nancy e Fernando Lottenberg, Célia Parnes, Claudio Lottenberg, João Doria, Lu e Geraldo Alckmin.

Foto: Guga Gerchmann.


Paulo Maltz, Luciano Fingergut, Salvador Ohana, Herry Rosenberg, Jáder Tachlitsky e Sérgio Kulikovsky. Foto: Eliana Assumpção. 


Panorama da cerimônia na CIP. Foto: Beto Barata/PR.


Coluna Sonia Racy, 31 de janeiro de 2017. Reprodução/OESP.


Coluna Mônica Bergamo, 31 de janeiro de 2017. Reprodução/Folha.





Comentários


Últimas do Blog

Vídeos