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3º Encontro Nacional de Escolas Judaicas aborda diversidade e mediação dos conflitos

30 Mar 2017 | 16:44
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Com a participação de integrantes das entidades mantenedoras, diretores gerais e coordenadores da área judaica de 14 escolas, que contemplam um universo de 9.000 alunos, a  Confederação Israelita do Brasil (Conib) promoveu nos dias 26 e 27 de março, no clube A Hebraica em São Paulo, seu terceiro encontro anual com os principais protagonistas da área de educação judaica no Brasil.
 
Os debates tiveram como focos principais a abordagem de diferentes pontos de vista e de versões históricas divergentes, o tratamento da diversidade nas escolas e a mediação dos conflitos.

Diana Vidal, professora de História da Educação na USP, trouxe a visão atual da historiografia, de que toda história é ideológica, pois o historiador sempre parte de um conjunto de referências. Assim, a representação do passado deve ser compromissada com a verdade, mantendo patamares institucionais de cientificidade.

Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional na Unicamp, e o rabino Reuven Segal, falaram sobre a convivência ética na escola. 

Vinha ressaltou a importância da relação professor-aluno e da moral como um objeto de conhecimento, dentro da grade curricular, em diferentes disciplinas. Segal destacou a importância do método da chavruta, no qual pares de alunos estudam um texto e o debatem, nas escolas ortodoxas.

O rabino abordou os fatores que moldam uma personalidade, de acordo com os textos judaicos, e como trabalhar os aspectos que devem ser aprimorados. A partir de uma pergunta do público, a professora abordou o que o senso comum chama de conflito de valores entre velhos e jovens. Para ela, os valores são comuns a todos. O que mudou é a força deles. Hoje, os valores não morais (exemplo: ser popular na escola) são mais fortes que os morais (exemplo: ter o respeito dos colegas). Assim, é importante que haja uma base moral sólida na escola.

Lilian Starobinas, professora de história na Escola Vera Cruz, em São Paulo, abordou a internet como instrumento para a expressão dos diversos pontos de vista na escola e o seguinte dilema: “Como lidar com a aceleração do tempo e resistir à pressão para tomadas rápidas de posição, já que a vivência institucional é necessariamente mais lenta? A escola precisa mostrar quem tem direito ao lugar de fala e que as opiniões têm que ser embasadas”.

A reforma do ensino médio

O economista Cláudio de Moura Castro apresentou uma comparação dos sistemas de ensino na Europa e nos EUA que, segundo ele, servem de base aos sistemas educacionais de todo o mundo.

E concluiu que o sistema brasileiro é “o pior do mundo”, pois une a escola única americana com o currículo único europeu. “Cada país tem o seu ensino médio, e há uma gama ampla de variações, mas a ‘cópia’ deve ser seletiva”.

Para ele, a necessária reforma do ensino médio “não pode ser julgada por alguns detalhes – e há centenas deles”. 

Experiências inovadoras no Brasil e nos EUA

O MEC mapeou em 2015 iniciativas inovadoras e criativas na educação básica no Brasil. No total, 3.876 pessoas e 683 organizações se inscreveram. Helena Singer, da comissão avaliadora do MEC, apresentou no encontro os projetos mais marcantes entre os 178 selecionados.

“As inovações transformam o modelo atual e são resultado da criação de pessoas e comunidades”, diz Singer. Ela ressalva: “As inovações são locais, não dissemináveis. Uma não resolverá o problema de todos”.

O rabino Rogério Cukierman apresentou tendências dos projetos educacionais judaicos nos EUA, envolvendo apoio das comunidades às escolas, parcerias entre instituições de diferentes linhas religiosas, como o projeto conjunto do Hebrew Union College, do Jewish Theological Seminary e da Yeshiva University, patrocinado pela Jim Joseph Foundation.

Novidades no Conecteinu

Beatriz Aspis, Dov Bigio e Ivo Minkovicius, da nova equipe do Conecteinu, a plataforma online criada pela Conib para capacitação de professores da área judaica, apresentaram as funcionalidades da segunda fase da plataforma, que busca aumentar a conexão e a interação entre os participantes e ser um espaço de ressignificação do que foi lecionado/aprendido.

Ainda em 2017, a plataforma disponibilizará o “Programa de Extensão em História Judaica”, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da Fierj.

Periodização da história judaica e memória

O historiador Reuven Faingold, professor do Colégio Iavne, apresentou uma teoria cíclica da história judaica, proposta por Ben-Zion Dinur (1884-1973) na obra “Israel and the Diaspora” (1969), em que a periodização é feita por eras de crise e estabilidade.

Dinur foi também ministro da Educação de Israel e o idealizador do Yad Vashem.

Beatriz Blay, gerente geral do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo, apresentou rico material do acervo da instituição, que incluiu o acervo do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, criado há 40 anos, e que passou a fazer parte do Museu, após a fusão das duas entidades.

Gestão eficiente

Manoel Knopfholz, pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade Positivo, procurou mostrar os caminhos para a gestão eficiente e como tratar os problemas de governança dentro das escolas. Ele reiterou a importância da utilização das técnicas de gestão: as escolas precisam buscar a autossustentabilidade financeira

Alexandre Ostrowiecki falou sobre a fusão das Escolas Alef e Peretz, em São Paulo, mostrando o que foi feito em termos de gestão. Abordou pontos essenciais para o sucesso da gestão, como o número de alunos pagantes por sala, a busca de um quadro enxuto de funcionários administrativos e a busca por um superávit. Também mostrou os indicadores pedagógicos estão sendo utilizados para a análise do desempenho da escola.

Captação e retenção de alunos

Luis Antonio Laurelli, diretor da Tuneduc Assessoria Empresarial e ex-diretor geral e regional de importantes redes de ensino, como o Pueri Domus, afirmou que as escolas, “para evoluir, precisam atravessar a zona de medo, sair da zona de conforto. É por meio do aprendizado da superação que se estabelecem objetivos claros e metas”, disse, ao destacar que o marketing está por trás de todo esse processo.

Laurelli citou Piaget, Freud, Chaplin e os Beatles como exemplos de personalidades que fizeram bom uso desse processo. “É preciso ousar para superar desafios”, disse ele. E o maior desafio, segundo afirma, é aglutinar pessoas em torno de uma ideia, de um projeto pedagógico. 

Para ele, a infraestrutura de um local de ensino é importante, mas não é diferencial: “É preciso envolver e unir as pessoas (funcionários) em torno de um projeto. A primeira venda é interna”. As ferramentas digitais são importantes meios para alcançar esses objetivos e gerar conteúdos. “E o maior veículo de comunicação é a própria comunidade”.

A partir daí, é possível planejar ações para atrair alunos, por meio de calendários, definição de metas, pesquisas internas e externas, campanhas e previsão de custos. Entretanto, é importante ter uma base de dados para um “funil de vendas”, que inclua contatos, visita à escola e assinatura de contrato. A base de dados administrativos e financeiros deve incluir: valor e número de mensalidades e formas de pagamento, assim como cálculo de inadimplência, bolsas, descontos, convênios e bônus.

Educação digital e segurança

Rony Vainzof, secretário da Conib e especialista em Direito Digital, falou sobre educação digital e segurança na internet. Ele abordou o comportamento na era das redes sociais, os limites da liberdade de expressão, a prática de cyberbullying entre alunos e a responsabilidade da escola e apresentou os elementos da cidadania digital.

O encontro das escolas

Já inseridos no marco institucional da comunidade judaica brasileira, estes encontros anuais buscam incrementar o papel das escolas na continuidade da vida judaica, fortalecer a rede de relacionamento entre escolas e entre professores e atualizar a todos sobre os debates mais recentes no campo da educação.

O terceiro encontro, que teve curadoria da Conib, contou com os seguintes especialistas: Diana Vidal, educadora da USP; Claudio de Moura Castro, articulista e especialista na área de Educação; Rony Vainzof, diretor da CONIB e especialista em direito digital; Helena Singer, diretora nacional de Ações Estratégicas e Inovação do SESC; Lilian Starobinas, historiadora e educadora da USP; o historiador e professor Reuven Faingold; rabinos Rogério Cukierman e Reuven Segal; Bia Blay, do Museu Judaico de São Paulo; Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp; Manoel Knopfholz, especialista em gestão escolar; Luis Laurelli, diretor na Tuneduc Assessoria Empresarial, e Vanessa Trielli, professora de Práticas de Atenção e Concentração na Palas Athena.
 
Também participaram Alberto Milkewitz, diretor da Fisesp, e Sergio Napchan, Eduardo Wurzmann e Karen Didio Sasson, diretores da Conib; Revital Poleg, da Agência Judaica,  Celso Zilbovicius, da Marcha da Vida, além de Yael Sandberg, diretora executiva do  Instituto Samuel Klein, que apoia o evento desde sua primeira edição. 


Fernando Lottenberg fala aos participantes. Foto: Eliana Assumpção.



Yael Sandberg, Sérgio Napchan, Rogerio Cukierman e Helena Singer. Foto: Eliana Assumpção.


Eduardo Wurzmann e Cláudio de Moura Castro. Foto: Eliana Assumpção.


Apresentação do Conecteinu. Foto: Eliana Assumpção.


Equipe do Conecteinu: Bia Aspis, Dov Bigio e Ivo Minkovicius. Foto: Eliana Assumpção.


Rony Vainzof fala aos participantes. Foto: Eliana Assumpção.


Rabino Reuven Segal, Alberto Milkewitz e Telma Vinha. Foto: Eliana Assumpção.


Diana Vidal, Reuven Faingold e Celso Zilbovicius. Foto: Eliana Assumpção.


Manoel Knopfholz e Alexandre Ostrowiecki. Foto: Eliana Assumpção.


Apresentação de Lilian Starobinas. Foto: Eliana Assumpção.


Vanessa Trielli fala sobre práticas de atenção e concentração. Foto: Eliana Assumpção.


Fala de Luis Antonio Laurelli. Foto: Eliana Assumpção.





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