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Conib homenageia a comunidade negra no Dia da Abolição

12 Mai 2017 | 17:31
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A abolição da escravatura foi tema de debate nesta quinta-feira, 11 de maio, na Câmara Municipal de São Paulo. Durante o evento, promovido pelo vereador Isac Félix (PR), os participantes chamaram a atenção para o racismo e os problemas que os negros enfrentam no mercado de trabalho.

De acordo com o IBGE, pretos e pardos somam mais da metade da população. Eles representam 75% dos brasileiros mais pobres e não chegam a um quinto dos mais ricos.  O IDH da população negra é 15% inferior ao dos brancos.

“O preconceito contra os negros continua na educação, habitação, saúde e na hora de procurar emprego. Somos quase metade dos mais de 14 milhões de desempregados no Brasil”, disse o presidente da Câmara do Comércio Brasil/Benin, Arthur Neto. Saiba mais sobre o debate
 

Leia abaixo o texto do presidente da Conib, Fernando Lottenberg, lido no evento:

A Confederação Israelita do Brasil é o órgão de representação política da comunidade judaica brasileira.

Atuamos com base em princípios como paz, democracia, combate à intolerância e ao terrorismo, justiça social e diálogo inter-religioso. 

Em quase sete décadas, temos nos empenhado também no estreitamento dos laços com diversos organismos da sociedade civil brasileira que privilegiam o respeito aos direitos humanos.

A luta contra o racismo é de todos. Não apenas dos grupos atingidos por conta de suas singularidades ou especificidades, mas também daqueles não atingidos diretamente. Não temos espaço para a indiferença, temos que protestar e condenar todo e qualquer discurso de ódio.

Este ano, publicamos a quarta edição de nossos Cadernos Conib, destacando uma seleção de escritos focados na promoção da tolerância e no combate à intolerância. A revista inclui textos do babalawô Ivanir dos Santos, sobre a intolerância religiosa no Brasil, e de Lelette Couto, sobre a atuação da Coordenadoria Especial de Promoção das Políticas de Igualdade Racial no Rio de Janeiro.

A Conib participa do CNPIR- Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial desde sua criação, em 2003. No Rio de Janeiro, participamos anualmente da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em parceria com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.

Negros e judeus no Brasil têm uma história de convivência, iniciada no Rio de Janeiro, nas primeiras décadas do século 20. Negros vindos da Bahia e da região cafeeira do Estado do Rio e judeus do Leste Europeu dividiam ruas, escolas e mesmo casas no entorno da Praça Onze. Eles vendiam mercadorias, produziam boa música e boa comida. Ao redor da praça, os judeus criaram sinagogas e escolas.

“Eles fizeram juntos o que de melhor existe na cultura brasileira: o samba se tornou um produto comercial, se solidificou, as escolas de samba surgiram, e havia uma coisa muito boa em comum: ambos gostavam de música e festa. O judeu fez a cultura negra, o samba, o choro e a escola de samba virarem produto comercial”, afirma a pesquisadora Beatriz Coelho Silva, autora do livro Negros e Judeus na Praça Onze. A história que não ficou na memória.

É também fundamental lembrar que os judeus se envolveram fortemente no movimento pelos direitos civis nos EUA, na década de 1960. O rabino, teólogo e ativista social Abraham Heschel, um dos principais líderes religiosos no século 20, foi um dos apoiadores de Martin Luther King.

Após o assassinato de King, a primeira pessoa com quem a esposa dele conversou foi Heschel. Ela lhe pediu que ajudasse a dirigir o serviço religioso.

Dez dias antes da morte do líder negro, Heschel falou desta forma sobre King: “Martin Luther King é um sinal de que Deus não abandonou os Estados Unidos. Ele nos foi enviado, sua missão é sagrada. Eu convoco todos os judeus a ouvir sua voz, compartilhar sua visão, seguir seu caminho. O futuro dos EUA depende da influência de King”.

Heschel conheceu King em uma conferência sobre as relações raciais, em 1963, e tornou-se um aliado vocal e defensor dos esforços para acabar com a segregação. Em março de 1965, o rabino caminhou ao lado de King na famosa marcha de Selma a Montgomery.

A data da abolição da escravatura deve ser lembrada sempre como estímulo para o movimento de emancipação negra, e sobretudo neste momento em que vivemos o recrudescimento da intolerância e o crescimento do discurso de ódio. Na cerimônia do Dia Internacional do Holocausto, em 2016, homenageamos a menina Kaylane Campos, praticante do candomblé atacada com pedras em 2015. Ela também foi recebida em uma escola judaica do Rio de Janeiro.

Quando perdemos a capacidade de nos indignar com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerar seres humanos civilizados.

A comunidade judaica defende, de forma intransigente, os valores da democracia e da tolerância e o respeito absoluto a todos os grupos que compõem o mosaico social brasileiro.

Muito obrigado!”





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