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Recrudescimento do antissemitismo é questão global, diz presidente da Conib, na Folha de S. Paulo

27 Set 2017 | 15:56
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Nesta quarta-feira (20), véspera do Ano-Novo judaico, a Folha de S. Paulo publicou texto do presidente da Conib, intitulado 'Resoluções de Ano-Novo". Nele, Fernando Lottenberg afirma que o “recrudescimento em escala mundial do antissemitismo e de sua versão mais desavergonhada pós-Holocausto, o antissionismo” é não apenas uma questão judaica; ela é global.
 

Leia o texto na íntegra:

 

Como costuma acontecer ao longo dos séculos - para não dizer milênios-, 14 milhões de judeus, em todo o mundo, começam hoje a celebrar o Rosh Hashaná, o Ano-Novo judaico, tendo diante de si questões fundamentais de ordem individual e coletiva.

Entretanto é possível que a questão mais frequente e premente seja, hoje em dia, como responder ao recrudescimento em escala mundial do antissemitismo e de sua versão mais desavergonhada pós-Holocausto, o antissionismo.

Essa questão judaica é, na verdade, global. Todos estamos assustados com o mundo novo de "haters" e "trolls" que promovem campanhas de difamação cada vez mais eficientes e violentas.

Infelizmente, isso não é novidade para os judeus. As ameaças e infâmias lançadas contra as comunidades judaicas de todo o mundo e contra Israel crescem e se multiplicam, embaladas por organizações do mundo digital.

E, como se constata ao longo da história, os ataques contra judeus são geralmente prenúncios de ataques sistêmicos. Foi assim na Alemanha nazista e é assim agora com o terrorismo islâmico, que repete em cidades europeias o que pratica há tempos em Israel.

Atropelamentos e esfaqueamentos iniciados em Jerusalém repetem-se em Nice, Paris, Londres.

Por tudo isso, as comunidades podem e devem contribuir para a urgente tarefa de combater a propagação do ódio e da intolerância - e o extremismo que os explora.

As redes sociais e as novas tecnologias são pontos focais de recrutamento e doutrinação, promovendo não somente o ódio mas também técnicas de ação violenta.

Extremistas brasileiros de todo tipo estão conectados com facções internacionais com o intuito de compartilhar estratégias, experiências e propaganda.

As fileiras que marcharam em Charlottesville (EUA) empunhando tochas e entoando cânticos contra judeus e outras minorias atualizam fielmente as imagens dos comícios da Alemanha nazista. Mas o choque e o pavor diante daquelas cenas serviram de chamado à ação. Gigantes de tecnologia começaram, finalmente, a tomar providências.

O Airbnb cancelou contas de extremistas que usaram seus serviços para se hospedarem na cidade. O Google, o PayPal e o GoDaddy barraram sites racistas. O Facebook está finalmente endurecendo sua conduta, assim como serviços eletrônicos de coleta de recursos.

É pouco, mas é um começo. E antes tarde do que nunca.

Por aqui, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) inicia um movimento para que essas mesmas empresas tomem atitudes semelhantes por aqui. O Brasil dispõe de uma legislação adequada para combater a propagação do ódio e do preconceito. Não podemos nos omitir. Diante do mal, a pior atitude das pessoas de bem é nada fazer.

Um dos significados mais relevantes do Rosh Hashaná é o de que a cada novo ano celebramos, além da criação da vida, aquilo que de modo simultâneo foi atribuído ao ser humano: o livre arbítrio.

Se anualmente renovamos a licença para decidir o que fazer doravante de nossas vidas, parece claro que entre as causas mais urgentes está o combate à intolerância -bem como a promoção de seu oposto, o entendimento.

A sociedade brasileira pode contar com sua comunidade judaica nessa dura tarefa. Sabemos bem aonde a propagação do ódio e do preconceito pode nos levar. E estamos dispostos a agir.

Façamos deste próximo ano de 5778 do calendário judaico um período mais feliz”.
 

FERNANDO LOTTENBERG
PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO ISRAELITA DO BRASIL





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