11 de dezembro de 2017 English Español עברית

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Fernando Lottenberg é reeleito presidente da Confederação Israelita do Brasil

21 Nov 2017 | 15:41
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Com a presença do governador Geraldo Alckmin, do ministro da Educação, Mendonça Filho, do senador José Serra e do prefeito João Doria, a 48ª Convenção Nacional da Conib, realizada no último fim de semana em São Paulo, reelegeu por aclamação Fernando Lottenberg como seu presidente para o triênio 2017-2020.

Temos orgulho do que já foi feito e vamos continuar enfrentando os desafios de liderar a comunidade judaica, de forma ativa e sem improvisação”, disse Lottenberg.

“Continuaremos promovendo o judaísmo no Brasil e a ligação de nossa comunidade com o mundo e com Israel, por meio de parcerias”, prosseguiu.

Ele agradeceu ao senador José Serra a resolução da crise diplomática com Israel e seu trabalho, quando no Itamaraty, em prol da distensão nas relações bilaterais Brasil-Israel. “Ainda buscamos um maior equilíbrio na posição brasileira com relação ao conflito israelo-palestino, mas já há alguns sinais nessa direção”.

Entre os projetos da nova gestão estão o combate ao discurso de ódio, em parceria com a FGV (veja abaixo), o fortalecimento do diálogo inter-religioso e a continuidade do apoio ao aprimoramento da educação judaica. Leia o discurso na íntegra.

O presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, Adrián Werthein, enviou cumprimentos a Lottenberg: “É um prazer tomar conhecimento de sua reeleição como presidente da Conib. Não há dúvida de que seu trabalho e compromisso à frente da comunidade judaica no Brasil foram valorizados por seus compatriotas e reconhecidos no momento de reelegê-lo como líder de uma instituição tão importante”.

O convidado especial do evento foi David Harris, diretor executivo do American Jewish Committee. O ministro Mendonça Filho e o diplomata Oswaldo Aranha, representado por seu neto, Pedro Corrêa do Lago, foram os homenageados.

O ator Dan Stulbach protagonizou vídeo exibido no jantar de gala da Convenção, apresentando as realizações da Conib nos últimos três anos e convocando a comunidade judaica a atuar de forma mais próxima da Conib e das entidades judaicas brasileiras".


Alckmin: eleição por unanimidade

Em seu pronunciamento, o governador Geraldo Alckmin perguntou a Lottenberg o “segredo para se eleger por unanimidade”. Ele afirmou que a comunidade judaica “faz a diferença nas artes, na cultura, na ciência, na economia. E, especialmente, no amor às pessoas”.

Serra lembrou de seu encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em Israel em 2016, importante para a normalização das relações diplomáticas com o Brasil.

Em 2009, quando governador, ele recebeu o então presidente de Israel, Shimon Peres, em São Paulo. “Firmamos uma parceria tecnológica e comercial, que aprimorei no Ministério das Relações Exteriores”.

O prefeito João Doria destacou que convive com pessoas da comunidade judaica desde os seis anos de idade, no Colégio Rio Branco. “Estar aqui neste evento faz parte do meu DNA”.

Veja vídeo com trechos dos pronunciamentos.


Homenagem ao ministro Mendonça Filho

O ministro Mendonça Filho destacou a “atenção especial” dada pelos judeus à educação e a contribuição judaica para a igualdade e a justiça. “Há uma agenda comum entre os judeus e a educação”. Ele foi homenageado na Convenção por sua compreensão e sensibilidade para que o Enem deixasse ser aplicado aos sábados.

“Já habitué das convenções da Conib”, como lembrou Fernando Lottenberg, o ministro afirmou que a prova aos sábados era um constrangimento para quem guarda o dia por motivos religiosos, além de acarretar condição desfavorável a um bom desempenho.

Mendonça destacou o “diálogo aberto” que teve com o presidente da Conib sobre a dificuldade de mudar o calendário. Ele pediu a mobilização da comunidade judaica para a consulta pública que houve no início de 2017 e que ajudou a levar adiante a mudança.

Lottenberg agradeceu não apenas a solução para a pauta do Enem, como também pela receptividade do Ministério a outros temas, como a inclusão da Inquisição e do Holocausto na Base Nacional Curricular. Também lembrou que o ministro reagiu prontamente ao edital antissionista da UFABC, que foi corrigido pela universidade.

O secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, foi convidado pela Conib para entregar placa em homenagem ao ministro.

 

David Harris: o “ministro das Relações Exteriores do povo judeu”

O convidado especial da Convenção foi David Harris, diretor executivo do American Jewish Committee, considerado pelo ex-presidente de Israel, Shimon Peres, o “ministro das Relações Exteriores do povo judeu”. Ele ficou impressionado com o grande número de autoridades presentes à Convenção da Conib.

Harris contou aspectos marcantes de sua trajetória. Seu pai, cientista brilhante, foi expulso da universidade em Viena, em 1938, e teve que limpar botas de nazistas, até conseguir fugir da Áustria. Ele, David, despertou para a causa judaica nos anos 1970, com o movimento pela emigração dos judeus da União Soviética. E define sua conexão com o judaísmo como “tribal: tenho muita história, em várias línguas”.

No mês em que se comemora o 70º aniversário da aprovação da Partilha da Partilha na ONU, sublinhou: “Nunca esqueceremos o voto do Brasil pela Partilha”.

Entrevistado em um dos painéis pelo jornalista Caio Blinder, Harris abordou, entre outros temas, o governo Trump e a relação Israel-EUA.

“Trump herdou uma América dividida. Poderia tentar agregar ou polarizar. E preferiu a segunda opção. Duas Américas são um perigo”, afirmou.

“Ele errou também ao rejeitar o Departamento de Estado. Nosso número de embaixadores caiu 30%, inclusive em países como a Coreia do Sul. Sair do Acordo Transpacífico e criticar a OTAN também foram erros”, acrescentou.

Por outro lado, há “alguns aspectos bons em sua política externa: ele entendeu que é necessário agir de forma diferente de Obama nos casos da Coreia do Norte e do Irã”.

EUA e Israel

Harris criticou também o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por “quebrar o consenso bipartidário sobre Israel, ao alinhar-se com os republicanos e com Trump e, sobretudo, por falar no Congresso Americano contra o acordo com o Irã. Ele poderia ter falado a mesma coisa, mas em outro lugar. Ao fazê-lo ali, cuspiu em Obama”.

“O gap entre democratas e republicanos sobre Israel vem aumentando. A liderança democrata hoje é pró-Israel, mas isso pode mudar no futuro”, advertiu.
 

BDS

“O BDS tem colecionado fracassos espetaculares: os investimentos estrangeiros em Israel têm crescido, o número de turistas no país bate recordes; nos EUA, os 50 governadores se opuseram ao movimento de boicote”, afirmou.

“Apesar da forte atuação do movimento em universidades e sindicatos nos EUA, nenhuma universidade boicota Israel”, acrescentou.
 

Assimilação

“A questão é: por que ser judeu no século 21? Vivemos em sociedades abertas, e há outras opções no mercado de ideias”, observou.

“Precisamos conversar com os jovens, em encontros feitos nos finais de semana. Hoje, vocês podem ser judeus e brasileiros, não é necessário fazer uma escolha! Ser judeu é um bom ‘produto’, e o judaísmo é uma civilização, com muitas portas de entrada”.

 

Homenagem a Oswaldo Aranha

O diplomata Oswaldo Aranha, representado por seu neto Pedro Corrêa do Lago, foi homenageado, em lembrança aos 70 anos da Assembleia Geral da ONU que votou pela Partilha da Palestina.

Lago detalhou aspectos dos bastidores da votação, que demostram a importância da atuação de Aranha para que a resolução fosse aprovada.

A Conib apresentou um vídeo que mostra trechos da votação e da comemoração após o resultado. ASSISTA.

 

Debate sobre a conjuntura nacional e internacional

Os jornalistas Sergio Malbergier, diretor de Comunicação da Conib, e Alon Feuerwerker, debateram os principais temas da conjuntura nacional e internacional. A mediação foi de Milton Seligman, diretor da Conib.

Fake news

Para Alon, a maior parte não é divulgada por “bandidos”, mas vem da própria imprensa, “sensacionalista”.

Nas eleições de 2018, as “mentiras afetarão sobretudo os brasileiros com menor nível educacional, que não têm acesso à discussão aprofundada”, avaliou Malbergier.

Campanhas descoladas da realidade terão problemas, mas não podemos esquecer que política é teatro”, completou Alon.

A criação do Instituto Brasil Israel (veja abaixo), bem como a atuação da Conib e das federadas nos ajudarão a combater as notícias falsas, disse Malbergier. Para ele, Facebook e Google estão se movimentando neste sentido.

Alon considera que não há como controlar as redes sociais. Assim, “devemos tomar posições distintas dos radicais”.

Antissemitismo no Brasil

Para Alon, o antissemitismo tem enraizamento cultural no país, “assentado sobre o Tribunal do Santo Ofício e a Companhia de Jesus”. Já o antissionismo vem principalmente da esquerda, que se diz “progressista”.

Malbergier afirmou que os brasileiros gostam de Israel, mas Governo e Estado (Itamaraty) têm visão mais negativa. Ele acredita que uma pesquisa de opinião pública sobre o tema poderia fazer as autoridades mudarem de postura.

Também considera que a penetração da Igreja Católica é menor hoje no País. E vê um marco na relação da esquerda com Israel: o deputado federal Jean Wyllys. “Antes, não tínhamos defensores nesse setor”.

Voto brasileiro na Unesco pode mudar?

Alon observou que China e Índia deixaram de se alinhar automaticamente contra Israel e questionou: isso pode influenciar a posição do Brasil?

Para Malbergier, a queda da esquerda em todo o mundo aumenta o apoio a Israel: “O pico de desaprovação caiu. De qualquer forma, precisamos focar a relação bilateral: tecnologia, água, saúde, combate ao terrorismo”, observou.

Alon acrescentou que as viagens de parlamentares a Israel, promovidas por Conib, Fisesp e Project Interchange são um canal de diálogo muito importante, opinião compartilhada por Fernando Lottenberg.

 

Projeto “Contra o Discurso de ódio” – parceria com a FGV

Os advogados Alexandre Pacheco da Silva e Marina Feferbaum, da FGV, apresentaram a proposta Projeto “Contra o Discurso de ódio”, criado em parceria com a Conib.

As novas tecnologias permitem ao Direito o desenvolvimento de novos modelos de pesquisa. O Centro criado na FGV estudará os ataques à identidade, danos e prejuízos, o controle do discurso e as dimensões da lesão.

Algumas das questões levantadas: Como as grandes plataformas reagem à troca de ofensas no ambiente digital? Como definirão quem são os denunciantes confiáveis?

Os advogados também apresentaram a evolução do conceito de discurso de ódio e as diferentes matrizes de pensamento. Nos EUA, é o efeito do discurso que mostra se ele é de ódio; na Alemanha, é a característica do discurso que permite sua remoção.

No Brasil o grupo da FGV examinou 67 decisões judiciais sobre o tema, a maioria oriunda de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os exemplos apresentados mostram decisões bem justificadas.

O Centro pretende lançar um e-book com o ferramental para identificar discursos de ódio, com lançamento previsto para o final de 2018.

 

O Instituto Brasil Israel

David Diesendruck, presidente do Instituto, apresentou os motivos da criação do Instituto, em 2016:

“Como Abrahão, devemos tomar o destino em nossas próprias mãos. Não podemos ter medo de falar, nem apenas reagir à agenda imposta pelo outro lado. Devemos propor a nossa agenda, de tolerância”, atuando nas redes sociais, universidades e imprensa.

“Um debate recente com BDS e PSOL, realizado em São Paulo, mostrou como alguns deles – no caso, membros do PSOL - podem mudar de posição com relação ao conflito israelo-palestino”, acrescentou.

“Como afirmou o presidente da Conib nesta Convenção, nossa postura será construtiva”, explicou.

Os participantes da Convenção foram divididos em três dinâmicas de grupo para definir formas de atuação do IBI com respeito a três grandes temas: as comemorações dos 70 anos de Israel, as universidades e as redes sociais.

Veja galeria de fotos. Veja reportagem fotográfica do Glamurama.


PRONUNCIAMENTO – FERNANDO LOTTENBERG

Exmas. Autoridades

Presidente das federações

Ex-Presidentes da Conib – Claudio Lottenberg e José Meiches

Líderes comunitários

Srs. Rabinos e demais autoridades religiosas

Embaixador Yossi Shelley

Sr. David Harris

Sr. Pedro Corrêa do Lago

Amigas e amigos da Conib,

 

"Boa noite.

Três anos atrás, fizemos aqui nosso primeiro discurso, como presidente eleito da Conib. Hoje, ao final do primeiro mandato, prestamos contas do que fizemos e apresentamos nossos planos para os próximos três anos.

É possível afirmar, em primeiro lugar, que o Brasil e o mundo, em 2017, estão muito diferentes daqueles de 2014. Nossa jornada, no entanto, é longa e, por mais que as coisas sigam mudando, nossos valores e princípios, construídos ao longo dos séculos, seguem firmes, a nos guiar nesse mar revolto de novos desafios e, também, de novas oportunidades.

A Conib move-se para o futuro focada na promoção do judaísmo no Brasil e conectada de forma inquebrantável com nossos irmãos e irmãs em todo o mundo - e em Israel.

Temos orgulho do que fizemos nesses três anos, levando adiante a herança bendita das gestões que vieram antes de nós.

Nosso querido Dan Stulbach – a quem agradecemos pela participação voluntária na gravação desse filme - já apresentou um resumo de nossas conquistas nesse período. Mas, como o Dan mesmo disse, nós queremos mais.

Liderar uma comunidade judaica em qualquer parte do mundo, neste início de século 21, é desafiador – e quando não foi? – diante de barreiras enormes, como as transformações na identidade judaica, o crescimento do antissemitismo e da sua versão contemporânea, o antissionismo.

Como, por exemplo, enfrentar os problemas dos judeus franceses que, tal qual estampou a manchete do Le Monde na semana passada, vivem com medo, em razão do preconceito e das agressões presentes no seu dia a dia, assim como ocorre também em de outras comunidades judaicas na Europa? Como responder ao aumento do extremismo - à esquerda e à direita - que frequentemente flerta com o antissemitismo? Como responder ao alerta trazido pela passeata em Charlotesville, onde neonazistas americanos marcharam em fila indiana com tochas nas mãos e braços erguidos, lembrando-nos das sombrias marchas na Alemanha dos anos 1930?

Como conter o ódio irracional e discriminatório contra Israel, o único país democrático a ser alvo de boicote internacional? Como combater a chaga global do terrorismo, com atentados contra a vida cotidiana de civis inocentes, usando caminhões, carros e facas, que primeiro vimos acontecer em Jerusalém e logo se espalharam por cidades como Nice, Barcelona, Paris e Nova York? Como fortalecer a identidade judaica num mundo em transformação radical, nas esferas pessoal e social?

MEUS AMIGOS

Não temos ainda respostas prontas para essas e outras grandes questões. Seguindo nossa tradição, muitas vezes procuramos responder com novas perguntas. Foi assim que chegamos até aqui e desse modo vamos construir nosso futuro, questionando em busca de respostas.

Um bom lugar para buscar caminhos é sem dúvida o incremento de nossas relações com outras comunidades judaicas do mundo, que enfrentam problemas muito semelhantes aos nossos. É o que estamos fazendo aqui na Conib, estreitando parcerias com Israel e comunidades judaicas da América Latina, Europa e Estados Unidos.

Depois de termos trazido Natan Sharansky, presidente da Agência Judaica, à nossa convenção do ano passado, temos a honra de ter aqui conosco hoje um dos principais líderes do judaísmo americano e internacional, o nosso querido amigo e parceiro David Harris.

David, a quem o saudoso Shimon Peres chamou de “o ministro das Relações Exteriores do povo judeu”, comanda o American Jewish Committee, uma organização relevante na promoção das comunidades judaicas nos Estados Unidos e no mundo - com quem firmamos um acordo de cooperação - um líder incansável, por meio de ideias e realizações.

Obrigado por nos prestigiar, David e termos conosco também nossa querida amiga, Dina Siegel Vann.

Tivemos uma intensa atuação diplomática de bons ofícios, ao longo do último ano, entre os governos do Brasil e de Israel, para que fosse superada a crise decorrente da nomeação do embaixador. Registramos, publicamente, o agradecimento ao Senador José Serra que, em sua gestão à frente do Itamaraty, atuou decisivamente para que se instalasse o clima de distensão, nas relações bilaterais, que hoje presenciamos. Continuamos buscando uma posição mais equilibrada do Brasil nos foros internacionais, com relação às votações que envolvam Israel.

2017 é um ano pleno de simbolismos. Nesta noite, estamos homenageando o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha, que 70 anos atrás comandou com firmeza a Sessão das Nações Unidas que decidiu pela partilha da Palestina em dois Estados, possibilitando assim o nascimento do Estado de Israel.

Recordamos e comemoramos também os 120 anos do Primeiro Congresso Sionista, na Basileia, em 1897 e o centenário da Declaração Balfour, do governo britânico, que pela primeira vez admitiu oficialmente a criação de um lar judaico na Palestina.

Mas também 2018 nos reservará comemorações importantes.

No ano que vem, a Conib completará 70 anos. Estamos preparando um livro histórico e outros marcos para mostrar como as instituições judaicas brasileiras se entrelaçaram com a sociedade ao longo das décadas, contribuindo de forma fundamental para a sua segurança e o seu desenvolvimento.

Nossos 70 anos coincidem com os 70 anos do moderno Estado de Israel. E isso não é uma mera coincidência. Depois de séculos de perseguições violentas e dos horrores incomparáveis da Segunda guerra Mundial, a vida judaica prospera na dualidade Israel-Diáspora, um contexto relativamente novo em nossa história, que passa agora por questionamentos e revisões.

A comunidade judaica brasileira está entre as dez maiores do mundo e provê líderes em diversas áreas do nosso país – na política, na universidade, nas artes e na economia.

Temos orgulho e gratidão dessa terra que recebeu nossos antepassados de braços abertos. Aqui nos formamos e nos desenvolvemos. Nossa comunidade realiza muito no Brasil, e é justamente por isso que podemos projetar realizações ainda maiores.

Novas tecnologias já permitem empreendimentos antes impensáveis. No mês passado, a comunidade de São Paulo promoveu um crowdfunding para angariar recursos para bolsas de estudo em escolas judaicas. Foi um sucesso, que abre novos caminhos. As mídias sociais abrem oportunidades inéditas de engajamento e liderança.

Queremos aprofundar a nossa pegada digital e usar a internet para fazer o bem, promover nossas causas e transformar cada integrante de nossa comunidade e simpatizante num ativista potencial combatendo, simultaneamente, o discurso do ódio.

Vemos, na ação digital diária e crescente da Conib, como as redes são eficazes para promover nossas causas.

Nosso site alcançou em outubro a marca de 710 mil visitantes (IPs) únicos. O Google reconheceu nosso trabalho, ao aprovar a participação do site da Conib no programa Google Ad Grants, que oferece soluções de publicidade gratuita, para organizações sem fins lucrativos cujo conteúdo seja relevante.

Num momento de radicalização dos espíritos e das mentes, onde as fake news assumem foro de verdade, com eleições tão importantes ocorrendo no ano que vem, queremos participar dos debates de forma democrática e plural, levando questionamentos relevantes aos candidatos e candidatas.

Nós, judeus brasileiros, como todos os cidadãos, queremos - e devemos - participar desse momento tão importante na vida do país. Precisamos fazer isso de forma organizada, coordenada e equilibrada, evitando extremismos, do qual nós somos vítimas históricas. O professor Timothy Snyder, de Yale, afirmou: “Não somos mais sábios do que os europeus que viram a democracia dar lugar ao fascismo, ao nazismo ou ao comunismo no século XX. Nossa única vantagem é poder aprender com a experiência deles".

Sr. Governador: a Conib e as entidades federadas não têm partido nem preferências eleitorais. Procuramos representar toda a comunidade, e somos uma comunidade plural.

Temos um posicionamento firme e inquebrantável, no entanto, com a democracia. Nosso partido é o do bom debate, da discussão construtiva e honesta das questões nacionais, da busca de soluções que respeitem o Estado Democrático de Direito e os direitos das minorias.

SENHORAS E SENHORES.

Há muito a fazer.

Devemos seguir na construção de uma comunidade judaica viva e forte. Agradeço a todos que nos ajudaram, voluntários e profissionais devotados, apaixonados pela causa.

Agradeço especialmente à nossa diretoria voluntária, que peço que estejam aqui comigo: Gilberto Meiches, Paulo Maltz, Eduardo Wurzmann, Rony Vainzof, Paulo Gartner, Itche Vasserman, Milton Seligman, Ruth Goldberg, Sergio Malbergier, Julio Serson, Boris Ber e Mauricio Szporer. Aos que se incorporam ao nosso time a partir de hoje, como Herry Rosenberg e aos nossos profissionais, nas figuras do Sergio Napchan e da Karen Sasson.

Agradecemos a nossos patrocinadores, pessoas físicas, jurídicas, institutos e fundações que permitem o desenvolvimento de nossas atividades. Nesta noite, registramos em especial o apoio da Avianca, do Hospital Israelita Albert Einstein, de Fernanda e Marcelo Kalim, Amil e Banco Rendimento.

E é preciso também agradecer àqueles que estão próximos de nós – à família, pelo apoio constante e pela participação nos temas a que tenho me dedicado. Nancy, minha companheira de toda a vida; Arthur, que hoje aqui também representa a Paula, que não pode estar conosco, minha irmã Norma, minhas sobrinhas, Beatriz e Vivian.

E é justamente para vocês, a nova geração, que nosso trabalho deve ser relevante. Que vocês possam crescer e se desenvolver, como nós e como seus avós, em uma sociedade brasileira aberta e democrática, livre do preconceito, da qual participem ativamente e orgulhosos de seu passado.

Entre nossos projetos para os próximos três anos estão: (i) a intensificação dos contatos institucionais com autoridades nacionais e estrangeiras; (ii) a criação de um índice, que possa medir com mais precisão a ocorrência de atos antissemitas no Brasil; (iii) o apoio à educação judaica de qualidade e acessível; (iv) a consolidação de novas formas de financiamento de projetos; (v) o aumento do engajamento da comunidade com questões comunitárias; (vi) o aprofundamento do diálogo inter-religioso; (vii) a parceria com a Fundação Getúlio Vargas para conceituar melhor o discurso de ódio; (viii) a realização de uma exposição, no exterior, sobre a fundação de Nova York local por judeus brasileiros.

Não nos faltam metas e desafios. Não faltam questões difíceis e tarefas hercúleas.

Mas, assim como David venceu Golias;

Assim como o povo judeu sobreviveu a perseguições terríveis e prosperou;

Assim como Israel tornou-se uma nação próspera e democrática - ainda com muitos desafios a alcançar - mas com um registro impressionante de realizações em sua curta existência;

Assim nós queremos manter viva e forte a chama do judaísmo no Brasil.

Muito obrigado pela confiança.

Shalom!"


José Serra, Claudio Lottenberg, Geraldo Alckmin, Fernando Lottenberg e João Doria. Foto: Eliana Assumpção.

 


Nancy e Fernando Lottenberg, Lu e Geraldo Alckmin. Foto: Eliana Assumpção.

 


Floriano Pesaro, Fernando Lottenberg e Mendonça Filho. Foto: Eliana Assumpção.

 


Fernando Lottenberg, José Serra e David Harris. Foto: Eliana Assumpção.

 


Xeque Houssam Ahmad el Boustani, João Doria e rabino Michel Schlesinger. Foto: Eliana Assumpção.

 


Embaixador Yossi Shelley e Fernando Lottenberg. Foto: Eliana Assumpção.

 


Dori e Cecilia Goren. Foto: Eliana Assumpção.

 


Mustafa Göktepe e Fernando Lottenberg. Foto: Eliana Assumpção.





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