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“Educar as futuras gerações é o caminho para se evitar novos genocídios e a intolerância”, diz Lottenberg em evento na CIP

02 Fev 2018 | 16:54
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Em discurso na CIP – Congregação Israelita Paulista –, no dia 28, por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Fernando Lottenberg, lembrou que a resolução ONU, ao criar a data internacional em homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas do extermínio nazista, diz que “é dever dos Estados educar as futuras gerações sobre os horrores do genocídio e condena as manifestações de intolerância ou violência baseadas em origem étnica ou crença”. Leia a íntegra do discurso a seguir:

“Senhoras e Senhores sobreviventes e seus familiares

Autoridades políticas, diplomáticas, civis e religiosas presentes a este ato, já nominados anteriormente

Presidentes das Federações e Associações Israelitas de todo o Brasil

Lideranças das instituições comunitárias

Caros amigos, boa noite!

Foi numa Europa moderna, civilizada e até então democrática - que ocorreram a guerra e o genocídio. Infelizmente, a intolerância, o racismo e o antissemitismo não pararam por ali.

Com uma frequência espantosa, continuamos a ver, em vários lugares do mundo, a ocorrência de perseguições com base na origem, crença ou pertencimento a determinado grupo. Yazidis e rohingyas são apenas as vítimas mais recentes, na Ásia, África, entre outros.

É por isso que aqui estamos reunidos para comemorar, para juntos lembrarmos do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. A data foi criada pela ONU em homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas do extermínio nazista. A resolução rejeita qualquer questionamento de que o Holocausto foi um evento histórico, enfatiza o dever dos Estados-membros de educar futuras gerações sobre os horrores do genocídio e condena as manifestações de intolerância ou violência baseadas em origem étnica ou crença.

A data de hoje como se sabe, marca o aniversário da libertação, pelas tropas soviéticas, do campo de concentração e extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 1945. O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi proclamado oficialmente pela Assembleia Geral das Nações Unidas, e em 2018, tem como tema “Lembrança e educação sobre o Holocausto, nossa responsabilidade compartilhada”.

O que nos move a estar neste ato é o imperativo da memória e dos novos significados, contemporâneos, de episódios históricos.

Na Polônia, uma nova legislação, aprovada recentemente na Câmara de Deputados, distorce acontecimentos históricos e pretende punir quem mencionar o papel daqueles que apoiaram os nazistas a cometer seus crimes.

O Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em artigo publicado na última sexta-feira, afirmou que “a rememoração desse passado trágico constitui, mais que uma homenagem às vítimas, um dever moral e uma responsabilidade de todos”. Disse mais: “O antissemitismo continua presente hoje, em formas recicladas, porém não menos odiosas inclusive, em alguns casos, encoberto pelo antissionismo”. 

Portanto, não estamos aqui apenas olhando para trás. Somente isso já seria suficiente. Mas também estamos juntos aqui, hoje, atentos ao que acontece no presente e buscando um futuro melhor para todos.

Assim, nunca foi tão urgente ensinar sobre o Holocausto e incluir o tema nas escolas, nos currículos escolares. As lições devem ser repassadas, às novas gerações, para que com ele aprendam e rejeitem a intolerância. Em nossa comunidade, iniciativas como a Marcha da Vida, para jovens e adultos, procuram aumentar o conhecimento sobre o tema, levando seus participantes a aprender, in loco, sobre as atrocidades ali perpetradas e o que levou o mundo a aceitar que isso ocorresse.

Meus amigos

Ainda impressionava o fato de que, até o nono ano do currículo escolar, no Brasil. não havia sequer uma menção ao Holocausto como objeto de conhecimento merecedor de espaço único e adequado à sua complexidade. Não se via o conceito de antissemitismo nos livros escolares.

Mas isso agora vai mudar. Temos alguns motivos para comemorar: o Conselho Nacional de Educação, no final de 2017, aprovou e recomendou o ensino do Holocausto como matéria curricular, decisão ratificada pelo Ministério da Educação. O documento oficial sobre a nova Base Nacional Comum Curricular inclui como temas obrigatórios: "Judeus e outras vítimas do Holocausto" e o estudo "do extermínio dos judeus”.  Ambos os temas foram incluídos no nono ano do Ensino Fundamental.

 Essa foi certamente uma grande vitória para nossa comunidade, para os que ensinam história e para todos aqueles que, há muitos anos, vêm lutando para que esse resultado fosse alcançado.

O Brasil, assim, passa a integrar a relação de países que cumprem a Resolução 60/7 (2005) da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Resolução 34C/61 (2007) da Conferência Geral da UNESCO, sobre a Lembrança do Holocausto, que enfatizam a relevância histórica do tema e destacam a importância de seu ensinamento como uma contribuição à prevenção desses crimes contra a Humanidade. A educação sobre o Holocausto é parte dos esforços da ONU para promover a Educação para a Cidadania Global, uma prioridade da Agenda Educação 2030.

Trata-se de vitória importante de nossa comunidade, obtida por meio de grandes esforços e da ação decisiva da Conib. A tarefa, no entanto, não termina aqui. O desafio agora, ao longo do ano de 2018, será de apoiar o MEC e os especialistas a planejar como será feita a capacitação de educadores, em todo o país para que, a partir de 2019, os materiais didáticos estejam disponíveis e os educadores capacitados a tornar concreta essa nova disposição.

Senhoras e Senhores

Concluo essas palavras com o relato de um acontecimento recente.

No último dia 19 de janeiro, na Itália, Liliana Segre, uma sobrevivente de 87 anos, nascida em uma família judia de Milão, foi nomeada pelo Presidente Sergio Mattarella como Senadora vitalícia. Logo após receber a honrosa designação, afirmou:

“Minha missão é contar o que realmente aconteceu, minha responsabilidade é levar para o Senado da República aquelas vozes que correm o risco de se dispersar. Meu empenho para transmitir a memória, para combater o racismo, para construir um mundo de fraternidade, compreensão e respeito, agora também continuará no Parlamento, mas, digo agora, sem negligenciar minhas atividades com estudantes. Continuarei até ter forças para contar aos jovens o horror da Shoá, a loucura do racismo, a barbaridade da discriminação e a pregação do ódio. Sempre fiz isso, sem esquecer e não perdoar, mas sem ódio e vingança.”

A missão de Liliana é a nossa missão. Nós não esqueceremos”.

Fernando Lottenberg,

Presidente da Confederação Israelita do Brasil - Conib





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