“Netanyahu acertou ao aceitar cessar-fogo com o Hamas?”

Benjamin Netanyahu, um dos maiores gênios políticos do mundo, independentemente de concordar ou discordar de suas posições, entende mais do que ninguém o que pulsa no eleitorado da direita israelense. Sua decisão de firmar um cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza, no entanto, provocou críticas de nacionalistas e conservadores em Israel. Seu ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, um de seus rivais na direita israelense, renunciou. Em Sderot, cidade próxima à fronteira com o território palestino, houve protestos de centenas de pessoas contra o premier. Ainda assim, Bibi, como é conhecido o primeiro-ministro, tomou a atitude correta. Não é o momento para mais um conflito inútil na Faixa de Gaza. Inclusive, a atual escalada ocorreu por acidente. Uma missão secreta de serviços de Inteligência de Israel foi descoberta em Khan Younis. Nada de anormal nesta operação, que é bem comum. Mas o Hamas, ao descobrir a ação, respondeu. No conflito, sete palestinos e um soldado israelense morreram. O Hamas lançou foguetes, e Israel reagiu atingindo alvos em Gaza. O Qatar e o Egito, com o apoio da Noruega, têm negociado uma acomodação entre Israel e Hamas, que vinha avançando. Estas negociações quase entraram em colapso com os choques no fim de semana. Diante do risco de uma guerra, Doha, Cairo e Oslo intercederam e convenceram os dois lados a aceitarem o cessar-fogo. A partir de agora, volta o cenário anterior: Israel reduzindo o bloqueio a Gaza, e o Hamas suspendendo os lançamentos de foguetes e recebendo uma ajuda do Qatar. Com a possibilidade crescente de eleições antecipadas em Israel, este status quo deve perdurar ao menos por alguns meses – claro, naquela região, prevalece sempre o imprevisível (Guga Chacra, O Globo).