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Parente de Arafat vendeu terras aos judeus no início do século 20: análise de "argumento" clássico da esquerda

31 Jan 2016 | 20:47
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100  imigrantes judeus participam de sorteio para divisão de 12 acres de terra (ou melhor, areia) em 11 de abril de 1909, no local que veio a se tornar a cidade de Tel Aviv. Foto: Stanford University [http://stanford.io/1KkxaEL]
 

Um dos "argumentos" clássicos da propaganda contra Israel é que os judeus, ao emigrarem para a região da Palestina no final do século 19 e início do século 20, “roubaram” terras “palestinas”. 

Um grande número de fontes árabes, otomanas e britânicas indica exatamente o contrário. E a mais improvável delas é a mais contundente: não só comprova que os judeus não roubaram terras, como também confirma que as compraram de vendedores muito dispostos a se desfazer delas: os proprietários legais da terra, árabes.

A fonte documental em questão é absolutamente isenta de qualquer viés pró-Israel, pró-judaico ou pró-sionista: trata-se simplesmente do Grande Mufti de Jerusalém, Hajj Amin el-Husseini. Sim, ele, o amigo de Hitler.

El-Husseini foi uma figura-chave na criação do conceito de nacionalismo palestino e o opositor mais violento e incendiário ao sionismo, desde a década de 1920 até a criação do Estado de Israel, quando sua liderança se tornou irrelevante. 

Foi aliado de Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial, recrutou legiões muçulmanos na Bósnia para servir Hitler, e desenvolveu planos para campos de concentração na Palestina. Rejeitou o plano de partilha da Palestina da Comissão Peel, em 1937, e também o plano de partilha da ONU, de 1947. Ninguém pode dizer que ele é parcial pró-israel.

Como o mais alto representante oficial árabe do Mandato Britânica na Palestina, el-Husseini foi entrevistado em 1936 pela Comissão Real de Inquérito Peel, enviada pelo Reino Unido à região do Mandato Britânico sobre a Palestina, com a finalidade de analisar as causas da violência entre árabes e judeus e sugerir possíveis soluções. Depois de meses de pesquisa e entrevistas com líderes judeus e árabes, a Comissão publicou o seu relatório em 1937.

O relatório recomendou um plano de partilha com um Estado árabe e um Estado judeu, separados – que foi usado como referência pela ONU em 1947. A Comissão Peel propôs que 80% do território fossem para um Estado árabe; e 20%, para um Estado judeu (veja mapa abaixo). O Mufti, no entanto, rejeitou a proposta, inaugurando a longa de série de rejeição, pelos palestinos, de todos os acordos de paz propostos.


Proposta de partilha da Peel Comission (1937-38). O Estado judeu ficaria dentro do território com contorno preto. A área quadriculada seria um corredor sob administração do Mandato Britânico.

 

O relatório também aborda a presença dos judeus e seu impacto sobre a terra e sobre a sociedade e economia árabes. Abaixo, trecho do Capítulo V:

"A população árabe mostra um crescimento notável desde 1920, e tem participado no aumento da prosperidade da Palestina. Muitos proprietários árabes se beneficiaram com a venda de terras aos judeus, e o investimento da renda com o dinheiro da compra. Os fellaheen (camponeses árabes) estão em melhor situação no seu conjunto do que em 1920. Este progresso árabe é em parte devido à importação de capital judaico para a Palestina e outros fatores associados ao crescimento do Lar Nacional Judaico.

Em particular, os árabes se beneficiaram com os serviços sociais, que não poderiam ter chegado à escala atual sem a receita obtida dos judeus. Muitas das terras cultivadas pelos judeus, onde hoje crescem laranjais, eram dunas de areia ou pântanos incultos quando foram comprados. Havia no momento da venda destas terras pouca evidência de que os proprietários possuíam tanto os recursos ou treinamento necessários para desenvolvê-las. ‘A escassez de terra lamentada pelos árabes é devida menos à quantidade de terrenos adquiridos por judeus do que ao aumento da população árabe’".

Judeus e árabes trabalham juntos no empacotamento de laranjas em Rehovot, ano 1934. Foto: Library of Congress.

 

A entrevista de El-Husseini, de 12 de janeiro de 1937, foi mantida em notas da Comissão e referenciada, embora não publicada, no relatório completo. Ela foi resumida por grande número de estudiosos, incluindo Kenneth Stein, em “The Land Question in Palestine, 1917-1939 (Univ. Of North Carolina Press, 2009) e M. Howard Sachar, em “A History of Israel from the Rise of Zionism to our Time” (Alfred A. Knopf, 1976). Uma análise detalhada com citações da entrevista pode ser encontrada em “The Palestine Royal Comission” de 1937, de Aaron Kleiman (Garland Publications, 1987). 


APERTADO, O MUFTI “CONFESSA”

Sir Laurie Hammond, um membro da Comissão Peel, entrevistou o Mufti sobre sua insistência em dizer que os sionistas estavam “roubando terras árabes e deixando os camponeses sem moradia”. Leia trecho:

SIR L. HAMMOND: Você poderia me dar novamente os números para a terra? Eu quero saber quanta terra foi comprada pelos judeus antes da ocupação britânica

MUFTI: Cerca de 100 mil dunams.

SIR L. HAMMOND: Em que ano?

MUFTI: Na data da ocupação britânica.

SIR L. HAMMOND: E agora eles detêm quanto?

MUFTI: Cerca de 1,5 milhão de dunams, dos quais 1,2 mihão estão registrados em nome dos titulares judeus. Há 300 mil dunams que são tema de discussão para acordos escritos, e que ainda não foram registrados. Isso não significa, é claro, os cerca de 100 mil dunams atribuídos originalmente.

SIR L. HAMMOND: Quais 100 mil dunams foram atribuídos? Eles não estão incluídos no 1,2 milhão de dunams? O ponto é este. Você diz que em 1920, no momento da ocupação britânica, os judeus só tinham 100 mil dunams, é isso? Consultei os dados do Registo Predial. Você se surpreenderia ao saber que não foram 100 mil, mas 650 mil dunams?

MUFTI: Pode ser que esta diferença se deva ao fato de que muitas terras foram compradas em contratos que não foram registrados.

SIR L. HAMMOND: Há uma diferença enorme entre 100 mil e 650 mil ...

MUFTI: Em um dos casos, foram vendidos cerca de 400 mil dunams em um lote.

SIR L. HAMMOND: Quem vendeu? Um árabe?

MUFTI: Sarsuk. Um árabe de Beirute.

SIR L. HAMMOND: Você quis nos passar a ideia de que os árabes foram expulsos de suas terras e suas aldeias foram varridas. O que quero saber é se o Governo da Palestina, a Administração, adquiriu os terrenos para, em seguida, passá-los aos judeus?

MUFTI: Na maioria dos casos, as terras foram adquiridas.

SIR L. HAMMOND: Eu quero dizer: foi uma aquisição compulsória de terras, para uso público?

MUFTI: Não, não foi.

SIR L. HAMMOND: Não foi aquisição compulsória?

MUFTI: Não.

SIR L. HAMMOND: Mas estes cerca de 700 mil dunams foram efetivamente vendidos?

MUFTI: Sim, eles foram vendidos, mas o país foi colocado em condições tais que facilitassem essas compras.

SIR I HAMMOND: Eu não entendo muito bem o que você quer dizer com isso. Estas terras foram vendidas. Quem as vendeu?

MUFTI: Os proprietários de terra.

SIR L. HAMMOND: Árabes?

MUFTI: Na maioria dos casos, eles eram árabes.

SIR L. HAMMOND: Eles foram compelidos a vendê-las? Em caso afirmativo, por quem?

MUFTI: Como em outros países, há pessoas que por força das circunstâncias, das forças econômicas, vendem suas terras.

SIR L. HAMMOND: Isso é tudo que você tem a dizer?

MUFTI: Uma grande parte dessas terras pertencia a proprietários ausentes, que venderam a terra sem qualquer consideração sobre seus inquilinos, os quais foram despejados à força. A maioria destes senhorios estava ausente. Não eram palestinos, mas libaneses.

SIR L. HAMMOND: Você pode dar à Comissão a lista das pessoas, os árabes que venderam terras, além destes proprietários ausentes?

MUFTI: Sim, é possível fazê-la. [leia mais sobre essa lista, abaixo].

SIR L. HAMMOND: Como você compara o padrão de vida atual com aquele que existia sob o domínio turco? A posição dos fellahin (camponeses) melhorou ou piorou?

MUFTI: De um modo geral, acho que sua situação piorou.

SIR L. HAMMOND: Os impostos eram mais pesados ou mais leves?

MUFTI: Os impostos hoje são menores, mas agora existem encargos adicionais.

SIR L. HAMMOND: O que estou perguntando-lhe é se, nos dias de hoje, os fellahin não têm um imposto muito mais leve do que tinham sob o governo turco. 

MUFTI: A tributação hoje é mais leve, mas os árabes, no entanto, têm outros impostos. Por exemplo, alfândega.

SIR L. HAMMOND: E a condição dos fellahin no que diz respeito, por exemplo, à educação. Há mais escolas ou menos escolas agora?

MUFTI: Eles podem ter mais escolas, comparativamente, mas, ao mesmo tempo, houve aumento populacional.
 

ÁRABES VENDEM TERRAS AOS JUDEUS

Análise das vendas de terra de 1880 a 1948 mostra que 73% das terras compradas pelos judeus eram de grandes proprietários [ver “The Land System in Palestine”, de Abraham Granott (London, Eyre and Spottiswoode, 1952), p. 278].

Em “The Land Question in Palestine, 1917-1939”, Kenneth Stein afirma que os judeus foram capazes de comprar o núcleo de um Lar Nacional na Palestina por três razões: eles tinham a obstinação, assim como o capital para comprar a terra; os árabes, economicamente empobrecidos, politicamente fragmentados e socialmente atomizados, estavam dispostos a vender a terra; e os britânicos foram ineficazes em regular a venda de terras e proteger os inquilinos árabes dos proprietários de terra árabes que as vendiam.

Segundo Stein, nem a oposição árabe à venda de terras, nem as tentativas britânicas de regular a aquisição de terras limitaram as vendas: “Houve sempre mais terra árabe para vender do que fundos judaicos para comprar. Na verdade, muitas terras foram vendidas por políticos árabes que eram publicamente contra o sionismo e até mesmo organizaram agitações contra a aquisição de terras por judeus. Por outro lado, os judeus tinham boa compreensão da burocracia, o que lhes permitiu escrever leis e influenciar decisões administrativas. Além disso, sabiam como tirar proveito das clivagens sociais e econômicas dentro da sociedade árabe”.

A afirmação de Stein é confirmada tanto por Simon Sebag Montefiore, em “Jerusalém – A Biografia” (Companhia das Letras, 2013 - veja abaixo trecho do original, em inglês) como também por uma lista publicada em 2011 pelo semanário árabe-israelense Fasl al-Maqal, de Nazaré, maior cidade árabe de Israel.


Trecho de "Jerusalém - A Biografia", de Simon Sebag Montefiore. Reprodução.
 

Em matéria intitulada “Nossos pais levando vantagem”, o Fasl al-Maqal listou 54 líderes palestinos que venderam terras aos judeus até 1945.

O editor-chefe, Awad Abdel Fatah, afirmou que os nomes constam de um documento oficial da época do Mandato Britânico, que ele recebeu de fontes jordanianas. “Publicamos somente uma lista parcial, mostrando o papel da liderança palestina no fluxo de terras para a Agência Judaica, antes de 1948”.

Um dos proprietários mais proeminentes na lista daqueles que venderam terras, ainda durante o domínio otomano, era parente de Yasser Arafat: Mohammed Taher al-Husseini (1842–1908), pai de al-Hajj Amin al-Husseini, (sim, aquele, o grande mufti de Jerusalém e amigo de Hitler). O nome completo de Arafat é Mohamed Abdel Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini. Arafat, que tinha o mufti como mentor político, se dizia sobrinho dele, mas era apenas parente.

Yaakub al-Ghussein, que chefiou o Fundo Árabe, criado para reunir dinheiro para a causa palestina, vendeu terras para judeus em Jaffa e no território que é hoje a Faixa de Gaza.

Deborah Bernstein fez um estudo específico das relações entre árabes e judeus na cidade de Haifa e chegou às mesmas conclusões, em “Constructing Boundaries: Jewish and Arab Workers in Mandatory Palestine” (State University of New York Press, 2000), cujo texto original mostramos abaixo.


AS TERRAS DA UNIVERSIDADE HEBRAICA DE JERUSALÉM

A nova moda na “esquerda” brasileira é dizer - depois que o deputado federal Jean Wyllys participou de um simpósio na Universidade Hebraica-, que a instituição foi construída sobre “terras palestinas”.

Este é apenas mais um mal-ajambrado mito criado pela propaganda anti-Israel. Vamos aos fatos:

Ragheb al-Nashashibi, prefeito de Jerusalém de 1920 a 1934, vendeu mais de 120 hectares de terras em Jaffa e também terras em Jerusalém, onde a Universidade Hebraica foi posteriormente construída, no Monte Scopus. Esta venda  também é mencionada no livro “Jerusalém – A Biografia”, de Simon Sebag Montefiore (Companhia das Letras, 2013), como vimos acima.

A ideia de criar uma universidade judaica na região já existia desde o início do século 20, quando a região estava sob domínio otomano e nem se chamava Palestina - o que só veio a ocorrer quando os britânicos retomaram o nome com o qual os romanos batizaram a revoltosa província da Judeia, no ano 135 da Era Comum. Em 1914, foi conseguida a opção de compra do terreno no monte Scopus, em Jerusalém, mas a transação só ocorreu em 1918, após a conquista britânica de Jerusalém. O processo de construção da Universidade foi de 1918 a 1925. [ver “História de Israel”, de Martin Gilbert (Edições 70, 2010)].

Um vídeo de 1939 mostra (aos 2:21 min) a Universidade Hebraica de Jerusalém, no monte Scopus.

Uma delegação da United Nations Special Committee on Palestine visitou a UHJ em junho de 1947, como parte de uma missão para resolver o litígio entre judeus e árabes. Assista.

Ralph Bunche, um dos delegados, escreveu posteriormente em seu diário que a UHJ o impressionou “fortemente”. No Hospital Hadassah, inaugurado no monte Scopus em 1939, a delegação viu que muitos árabes eram atendidos e tinham acesso aos modernos serviços médicos [nos dias de hoje, 33% dos pacientes são árabes, que compõem 20% da população de Israel]. O Hadassah era “muito moderno e impressionante”, segundo Bunche [ver “The Mediator: Ralph Bunche and the Arab-Israeli Conflict 1947-1949”, de Elad Ben-Dror (Ben Gurion Institute, 2012)]

Bunche ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1950, pela mediação dos acordos de armistício obtidos entre Israel e os países árabes, em 1949. No entanto, a Jordânia desrespeitou estes acordos, como veremos a seguir:

Durante a guerra árabe-Israelense de 1948, o campus do Monte Scopus foi isolado de Jerusalém. Após o acordo de cessar-fogo de 30 de novembro de 1948, que estabeleceu a divisão de Jerusalém ocidental e oriental, Israel controlava a parte ocidental da cidade, enquanto a Jordânia (e não os palestinos) controlava a parte oriental. Assim, a orientação da Partilha da ONU, em que Jerusalém seria um “corpus separatum” (veja mapa abaixo), governada internacionalmente, nunca chegou a entrar em vigor, por causa da guerra lançada pelos árabes em 1948.

 


Assim ficou a Jerusalém dividida. Foto: Israel21c.

 

Várias zonas desmilitarizadas, as chamadas "terra de ninguém", foram estabelecidas ao longo da fronteira, uma delas o enclave no monte Scopus (ver mapa abaixo). Comboios quinzenais, que transportavam suprimentos para a universidade e o hospital Hadassah, localizados na parte israelense da zona desmilitarizada, foram realizados por tropas jordanianas. Portanto, o monte Scopus, onde fica a Universidade Hebraica, continuou a ser território israelense, mesmo após a divisão de Jerusalém. Para ficar claro: não passou a ser território jordaniano, muito menos palestino (os países árabes e os palestinos rejeitaram a Partilha da Palestina proposta pela ONU em 1947, provocaram a guerra de 1948-49 e perderam-na. Após o fim da guerra, a Jordânia anexou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, e o Egito anexou Gaza, territórios reivindicados hoje pelos palestinos para seu Estado...). E o mapa abaixo é da Al Jazeera... 


 


Divisão de Jerusalém após a guerra de 1948. Fonte: Al Jazeera.

 

Assinado em abril de 1949, o armistício com a Jordânia previa que o país permitiria o acesso dos israelenses ao monte Scopus, mas os jordanianos violaram o acordo, e o acesso foi bloqueado. O Artigo VIII do armistício assinados trata da retomada do "funcionamento normal das instituições culturais e humanitárias no Monte Scopus e do acesso aos mesmos”. Mas, na Jordânia, essa cláusula - e outras mais...- não “pegou”. Esse é um caso em que a “esquerda” poderia protestar retroativamente. Afinal, os árabes da região deixaram de ter acesso ao Hospital Hadassah.

 


Este era o estado de abandono do Hospital Hadassah, em 1958. 

 

Um novo campus foi construído por Israel em Givat Ram, em Jerusalém ocidental, e concluído em 1958. Em janeiro daquele ano (após nove anos de violações por parte da Jordânia), Francisco Urrutia, representante do secretário-geral das Nações Unidas, tentou convencer os jordanianos a respeitar o artigo VIII, mas sem sucesso. O próprio Bunche tentou resolver a parada, também sem sucesso – pena que a “esquerda” não estava lá para protestar.

Mais um “pequeno” detalhe: os jordanianos também proibiram os judeus de visitar o Muro das Lamentações, de 1949 a 1967. Nesse período, 58 sinagogas foram destruídas ou dessacralizadas


FALTA DE MORAL DA HISTÓRIA

É inacreditável que a “esquerda” continue a acreditar na velha propaganda, que diz que os judeus “expulsaram” os palestinos – nem o Mufti acreditava nisso-, e ainda passe a acreditar na nova, que diz que a UHJ foi “construída sobre terra palestina” – só porque Jean Wyllys teve a “audácia” de participar de um simpósio lá.


RESULTADO DA INTRANSIGÊNCIA ÁRABE: OS REFUGIADOS PALESTINOS

Em 29 de novembro de 1947, a ONU, em Assembleia Geral presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou o plano de Partilha da Palestina (Resolução 181), com a criação de um Estado judeu e um Estado árabe (note que a ONU não se refere a um Estado palestino, mas árabe). Pois se o território da Palestina seria partilhado, os dois Estados advindos desta Partilha seriam obrigatoriamente palestinos, o árabe e o judeu. Os judeus aceitaram a Partilha; os árabes, não. Resultado: o Estado judeu palestino é Israel; os árabes não aceitaram a Partilha e, nas muitas guerras que se seguiram após a fundação de Israel, mostraram que estavam mais preocupados em destruí-lo do que em construir o seu Estado.

Em 30 de novembro de 1947, um dia após a recusa da Partilha pelos árabes, começou uma espiral de violência - incitada pelos líderes árabes e não pelo povo palestino.

No dia da saída dos britânicos da Palestina, 14 de maio de 1948, os judeus criaram Israel. Cinco países árabes - Egito, Síria, Transjordânia (atual Jordânia), Iraque e Líbano-, em desrespeito flagrante à resolução 181, atacaram Israel um dia após sua independência.

Mesmo com a morte de 1% de sua população durante um ano de guerra - Israel venceu. A intransigência árabe criou o problema dos refugiados palestinos. Criou também a "causa palestina" e a tão citada Nakba, a catástrofe palestina.

Uma parte dos palestinos fugiu, outra saiu a pedido dos próprios países árabes invasores - que lhes garantiram que poderiam voltar assim que a guerra estivesse ganha-, e outra parte foi expulsa (a propaganda "pró-palestina" clássica afirma que todos foram expulsos), e mesmo estes o foram em um contexto de guerra. Não houve política deliberada de expulsão – e nem poderia haver, porque Israel foi o atacado e não o agressor. Boa parte dos palestinos ficou em Israel; eles são hoje 20% da população – , artistas, estudante universitários, médicos, engenheiros, jogadores de futebol, ministros na Suprema Corte. A Lista Árabe é o terceiro partido no Parlamento.

Fato: se os árabes tivessem aceitado a Partilha, os palestinos não teriam sido desalojados. O próprio Mahmoud Abbas reconheceu (apenas em 2011) o erro árabe.

Não é muito difícil ver a dimensão deste erro. Este é o mapa da Partilha:

Note-se que o deserto do Negev, ao sul de Bersheba – única grande cidade do Negev, que ficaria no Estado árabe-, é uma região pouco habitada até hoje, e representava 60 % (8.600 km2) da área designada ao Estado judeu. Na parte não desértica, a área árabe (11.700 km2) seria o dobro da área judaica (5.700 km2). Para efeito de comparação, a área do Estado de Sergipe é 21.900 km2.

Após a Guerra de Independência (1948-1949), Israel conquistou parte da área árabe indicada pela Partilha; a Jordânia anexou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, em 1950; o Egito ocupou Gaza (nenhum dos dois jamais pensou em criar ali um Estado palestino, tanto que mantiveram a ocupação até a Guerra dos Seis Dias, em 1967).





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