23 de junho de 2017 English Español עברית

Conib Logo

Ao completar 70 anos, Fisesp é homenageada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

14 Mar 2017 | 16:07
Imprimir

As comemorações dos 70 anos da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), tiveram início nesta segunda-feira, 13 de março, com uma Sessão Solene na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, por iniciativa do deputado Fernando Capez.

O evento teve a presença do presidente da Conib, Fernando Lottenberg; o presidente do Grupo One Health, Claudio Lottenberg; o secretário Daniel Annenberg, representando o prefeito João Doria; o secretário Floriano Pesaro, representando o governador Geraldo Alckmin, o promotor Roberto Livianu, além de lideranças da comunidade judaica, rabinos e ex-presidentes da entidade.

Bruno Laskowsky, presidente da Fisesp, destacou a importância do trabalho voluntário como a grande força da comunidade judaica, preocupada também em servir a comunidade maior: “Não somos muitos, mas temos um ecossistema de entidades bastante atuantes. Hoje somos todos cidadãos brasileiros, cientes das nossas obrigações com o país que nos abrigou e nos recebeu com respeito. Nesse país de potencial imenso, procuramos organizar uma comunidade dinâmica, engajada, que trabalha na busca da harmonia social e contra o preconceito e a discriminação e que realiza ações sociais em prol de toda a sociedade brasileira”.

O presidente da Conib, Fernando Lottenberg, ressaltou os diferentes papéis da Federação:

“A Fisesp vem cumprindo, com excelência, seu duplo papel de, por um lado, atuar como articuladora das atividades comunitárias, nas áreas da educação, da capacitação em gestão de entidades sem fins lucrativos, e de profissionais e voluntários na área da Terceira Idade, para citar apenas alguns e, de outro, como órgão político, representando a comunidade judaica do Estado de São Paulo”.

“É aqui que se encontra a maior comunidade judaica do Brasil, com cerca de 60 mil integrantes, o que torna a Fisesp uma parceira natural da Conib em muitos de seus projetos e iniciativas”, prosseguiu.

“A qualidade da liderança comunitária, expressa na figura de seu atual Presidente e de seus antecessores, alguns presentes no dia de hoje, além da capacidade de seus profissionais, certamente tem sido um fator que explica o sucesso de suas realizações, sabendo se adaptar às necessidades comunitárias e desenvolvendo novas ações, conforme mudam os tempos”, completou o presidente da Conib. Leia abaixo o pronunciamento na íntegra.

O deputado Fernando Capez falou sobre a homenagem: “Não é a Assembleia Legislativa que homenageia a Federação Israelita, mas a Federação que consagra o povo de São Paulo participando desta Sessão Solene, aprovada por unanimidade pelos líderes desta Casa. O Estado de São Paulo e o Brasil têm muito o que aprender com as tradições do povo judeu, bem como seu apego à fé, à família, às tradições, ao diálogo e à visão construtiva”.
 

PRONUNCIAMENTO DE FERNANDO LOTTENBERG

Senhor Presidente da Assembleia Legislativa – Deputado Fernando Capez

Senhor Presidente da Fisesp – Bruno Laskowsky

Demais autoridades presentes

Senhores rabinos

Senhoras e Senhores

Ao final da Segunda Guerra Mundial, com o conhecimento das atrocidades cometidas pelos nazistas, tornou-se urgente o acolhimento de milhares de refugiados da guerra.

Muitos deles escolheram como destino o Estado de São Paulo - que já contava então com uma comunidade judaica bastante estruturada.

A Federação Israelita assim foi criada, em 1946, primordialmente para organizar a acolhida desses refugiados, coordenando o trabalho das entidades judaicas já existentes.

 

Em 1948, a entidade instalou um Comitê de Emergência de Assistência aos Imigrantes e, no ano seguinte, um Conselho de Assistência Social, que passou a coordenar as atividades de instituições atuantes nesse setor, o que possibilitou a unificação da coleta de recursos na comunidade e a centralização da distribuição de recursos provenientes de entidades internacionais de assistência aos refugiados, o que se provou necessário também nos anos 50, quando judeus foram expulsos de países árabes e houve igualmente um fluxo importante da comunidade proveniente da Hungria, após a invasão soviética de 1956.

 

Nos anos 1960, por iniciativa da Federação e de uma comissão de professores, a Universidade de São Paulo instituiu o Centro de Estudos Judaicos, que até hoje elabora estudos e promove seminários de grande densidade intelectual.

 

A entidade mobiliza os jovens da comunidade há mais de quinze anos com a Campanha Anual de Arrecadação de Agasalhos, em sintonia com o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo.

Assim, a Fisesp vem cumprindo, com excelência, seu duplo papel de, por um lado, atuar como articuladora das atividades comunitárias, nas áreas da educação, da capacitação em gestão de entidades sem fins lucrativos, e de profissionais e voluntários na área da Terceira Idade, para citar apenas alguns e, de outro, como órgão político, representando a comunidade judaica do Estado de São Paulo.

 

A Federação cumpre 70 anos, mas os judeus estão no Estado de São Paulo desde a chegada dos portugueses. Nossa história e nossas fronteiras foram escritas pelos bandeirantes, vários dos quais tinham origem judaica, como Raposo Tavares, Fernão Dias Paes e Brás Leme, entre outros.

 

Paulo Prado (1869-1943), patrono da Semana de Arte Moderna de 1922, foi o primeiro a mencionar a influência dos judeus na São Paulo dos séculos 16 e 17. No livro "Paulística Etc." (1925) ele cita atas da Câmara, de 1578 e 1582, que fazem referências a "judeus cristãos".

 

O isolamento de São Paulo, segundo Prado, levava judeus de Pernambuco e da Bahia a migrar para a cidade. Nas suas palavras: "(...) nenhum outro sítio povoado do território colonial oferecia melhor acolhida para a migração judia. Em São Paulo não os perseguia esse formidável instrumento da Inquisição, que nunca chegou aqui".

 

Conforme relata o jornalista Mario Cesar Carvalho, na realidade Prado ignorava, na época, que dois cristãos novos que moravam em São Paulo haviam sido executados pela Inquisição: Theotonio da Costa, em 1686, e Miguel de Mendonça Valladolid, em 1731.

 

Os que tinham origem judaica tinham de pagar mais tributos e não tinham acesso a certos cargos. Para ingressar no exército, por exemplo, o candidato precisava provar que não tinha antepassados judeus por várias gerações. Mas isso felizmente ficou no passado.

 

Hoje a comunidade judaica está integrada e é participante ativa da vida paulista – na economia, na cultura, na política, na ciência e nas artes. É aqui que se encontra a maior comunidade judaica do Brasil, com cerca de sessenta mil integrantes, o que torna a Fisesp uma parceira natural da Conib em muitos de seus projetos e inciativas.

 

A qualidade da liderança comunitária, expressa na figura de seu atual Presidente e de seus antecessores, alguns presentes no dia de hoje, além da capacidade de seus profissionais, certamente tem sido um fator que explica o sucesso de suas realizações, sabendo se adaptar às necessidades comunitárias e desenvolvendo novas ações, conforme mudam os tempos.

 

E a quantidade de realizações nestes 70 anos mostra uma entidade pujante e consciente de seu papel fundamental na organização da vida comunitária, tal como idealizado por seu fundador, o saudoso Leon Feffer.

 

Que venham os próximos setenta anos!

 

Muito obrigado e Shalom!





Comentários


Últimas do blog

Vídeos