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'Não estou triste por morrer, mas por não poder me vingar': o relato de um prisioneiro de Auschwitz

11 Out 2017 | 11:29
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Uma carta escrita por um judeu grego prisioneiro em Auschwitz, um dos mais impressionantes documentos do Holocausto, foi descoberta por um estudante nos anos 1980 e, após anos de restauração, agora pode ser lida quase na íntegra.

O documento foi escrito em 1944, e encontrado dentro de uma garrafa térmica enterrada no campo de extermínio nazista. Somente agora, com o uso de modernas técnicas de imagem, as palavras foram reconstruídas para descrever, segundo o autor do texto, Marcel Nadjari, a miséria que “a mente humana não pode imaginar”.

Todos os dias, ele era recrutado junto com outros prisioneiros para o “Sonderkommando”, grupo comandado pelos nazistas para a execução de tarefas que os alemães não se dispunham a realizar, como enterrar os corpos dos assassinados e limpar as câmaras de gás.

“Todos nós sofremos coisas aqui que a mente humana não pode imaginar”, escreveu Nadjari. “Embaixo de um jardim, existe um porão com dois cômodos infinitamente grandes: um é para as pessoas se despirem, o outro é a câmara de gás”, relatou. “As pessoas entram nuas e, quando está cheia com cerca de 3.000 pessoas, a câmara é fechada, e elas são asfixiadas com gás”.

Segundo a carta, os prisioneiros eram embalados “como sardinhas”, enquanto os alemães usavam chicotes para que as pessoas se apertassem antes de as portas serem seladas.

“Após meia hora, nós abrimos as portas, e nosso trabalho começa”, descreveu ele sobre a sua função: carregar os corpos da câmara de gás para os fornos de cremação, onde “um ser humano se transforma em cerca de 640 gramas de cinzas”.

De acordo com o historiador russo Pavel Polian, a mensagem de Nadjari é um de nove documentos distintos encontrados enterrados em Auschwitz. O conjunto de textos, escritos por cinco membros do Sonderkommando, compõe “os documentos mais centrais do Holocausto", afirma o pesquisador.

Leia mais, em O Globo.





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