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Com presença da Conib, American Jewish Committee homenageia o presidente colombiano Juan Santos

06 Dez 2017 | 11:05
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O presidente da Colômbia e Prêmio Nobel da Paz de 2016, Juan Manuel Santos, recebeu no  Fórum Estratégico Anual do American Jewish Committee para a América Latina, realizado no último fim de semana em Bogotá,  o Prêmio Gesher - "ponte" em hebraico -, em reconhecimento por seus “incansáveis ​​esforços para construir pontes entre a Colômbia, Estados Unidos e Israel, e entre a Colômbia e seus inimigos de longa data [as FARC]”.

Mais de 70 líderes de comunidades judaicas da América Latina, Espanha e Portugal, acompanhados por líderes do AJC e por judeus latinos que vivem nos Estados Unidos, participaram do Fórum. A Conib foi representada por seu presidente, Fernando Lottenberg.

O evento também comemorou o 100º aniversário da Declaração Balfour e os 70 anos da Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, que recomendou a partilha da Palestina.

Santos falou sobre sua admiração pelo povo judeu e por Israel: "Expresso minha gratidão à comunidade judaica e ao AJC por seu apoio ao processo de paz na Colômbia e sua contribuição para as relações Colômbia-EUA. Valorizamos nosso forte relacionamento com Israel e queremos aprender a criar mais oportunidades para o nosso povo, vindas de Israel ".

Durante o evento, os participantes do Fórum discutiram os desafios que enfrenta a América Latina, bem como estratégias para promover o bem-estar das comunidades judaicas. Os embaixadores israelenses na Colômbia, Marco Sermoneta, e no México, Jonathan Peled, abordaram a significativa melhora nas relações entre a América Latina e Israel e as novas oportunidades criadas após a visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, à região, no início de 2017.

Fernando Lottenberg foi um dos palestrantes do painel “De Balfour à Partilha”. Ele falou sobre a importância da Declaração Balfour, “uma simples carta, com palavras dúbias e sem peso legal”, para a criação de Israel. Leia abaixo o pronunciamento completo.

PRONUNCIAMENTO DE FERNANDO LOTTENBERG 

Neste mês de novembro, celebramos o 70º aniversário da decisão das nações unidas sobre a partilha da palestina para a criação de dois estados independentes, um judeu e um árabe.

Este evento não teria provavelmente ocorrido, se 30 anos antes, no final da Primeira Guerra Mundial, o governo britânico não tivesse decidido apoiar a criação, na palestina, de um lar nacional judaico.

A Declaração Balfour, como sabemos, foi um documento que, embora sem valor jurídico, expressava as intenções do governo inglês da época de influenciar a liderança judaica em países como a Rússia e os Estados Unidos.

Em novembro de 1917, em um momento crítico da luta contra os alemães, os ingleses acreditaram que pessoas como o juiz Brandeis nos EUA e os líderes revolucionários judeus da Rússia, poderiam fazer seus governos apoiarem o esforço aliado.

Esta ideia foi baseada parcialmente no preconceito e na crença em uma desproporcional influência judaica, mas combinada com uma profunda crença religiosa de vários membros do gabinete inglês.

A decisão de publicar a Declaração Balfour foi, por isso, o primeiro reconhecimento significativo de uma grande potência, em séculos, da conexão entre o povo judeu e sua terra ancestral.

Mas, já na época, as sementes dos problemas e complicações na região eram tangíveis:

A Inglaterra concordou com a França em dividir a região após a derrota otomana e, para obter o apoio árabe para seu esforço militar, também prometeu independência ao xerife Hussein de Meca.

A Declaração Balfour foi, assim, somente um dos vários documentos produzidos na época que, posteriormente, seriam utilizados para justificar demandas territoriais na região.

Outro aspecto importante relaciona-se com a maneira como a declaração foi vista pelas principais lideranças judaicas de então.

A perspectiva de um estado judaico independente apresentou um dilema: após décadas de Esclarecimento e assimilação nas sociedades ocidentais, elas viam o risco de uma demanda pela emigração de populações judaicas, no momento em que um Estado judeu se tornasse realidade.

Isso significava o reforço do medo da dupla lealdade, que por milênios atormentou as comunidades judaicas.

Como mencionei antes, a Declaração Balfour não teve valor legal, somente moral. Mas demonstraria sua importância quando, na conferência de San Remo, os aliados decidiram manter a Palestina na área britânica de influência e instituíram o conceito de um mandato para reger a região, até que seus habitantes pudessem se autogovernar - uma definição muito abstrata.

A inclusão dos princípios da Declaração Balfour no texto do Mandato concedido aos britânicos dava-lhe o status legal que faltava e garantia que, pelo menos durante seus primeiros anos, a liderança judaica na região representaria também os interesses britânicos.

Os anos seguintes representariam um desafio e uma montanha-russa nas relações entre as partes envolvidas.

As condições de vida na região requeriam muitas melhorias, e a guerra provocou o caos. Muito rapidamente, segmentos da população árabe iniciaram a oposição ao apoio britânico à imigração judaica.

É também importante lembrar que, apesar do apoio britânico nos primeiros anos, houve muito pouca imigração.

Os judeus da Rússia, principal fonte de imigrantes potenciais, estavam então livres do antissemitismo czarista e tinham poucos incentivos para enfrentar as duras condições da Palestina.

E a hostilidade árabe não contribuiu em nada.

A Declaração Balfour foi somente um ponto de ligação, ainda que importante, em uma cadeia evolutiva que começou com a emancipação judaica na Europa, passando pelo persistente antissemitismo, para fazer nascer a ideia sionista, que insistiria na Palestina como único lugar para a redenção nacional judaica.

A ideia sobreviveu à resistência árabe, à rejeição britânica de suas promessas, à revolta árabe e ao Holocausto.

Em 1937, estava claro para todos os que judeus e árabes não poderiam viver em paz naquela estreita faixa entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão, de modo que a Comissão Peel britânica recomendou a partilha do território.

Ainda que custasse muito à liderança sionista aceitar a proposta, com a Inglaterra rumo à Segunda Guerra Mundial, ela reconheceu que a alternativa seria o fim de sua empreitada.

Assim, estava aberto o caminho para a decisão de 1947, dez anos mais tarde, mas ao custo de seis milhões de vidas judaicas na Europa.

Alguns dos dilemas da Declaração Balfour persistiam 30 anos mais tarde:

A Palestina já havia sido desmembrada para a criação da Transjordânia, no início da década de 1920, e a população árabe do território restante era muito maior do que a judaica.

Mas a ideia por trás da Partilha era oferecer uma solução para a imigração judaica e, após a tragédia da Segunda Guerra Mundial, também um lugar de refúgio para os sobreviventes do Holocausto.

No final, o Estado de Israel tornou-se também a casa de centenas de milhares de judeus expulsos, sem quaisquer escrúpulos, da maioria dos países árabes.

Hoje, às vésperas do 70º aniversário de Israel, em um mundo que enfrenta a ameaça de um Irã nuclear, associado ao regime assassino de Assad e a milhares de foguetes do Hezbollah, é difícil de acreditar que uma simples carta, com palavras dúbias e sem peso legal, faria nascer uma das mais bem-sucedidas empreitadas na família das nações.

Israel, com todos os seus problemas, é um modelo para a maioria da humanidade e um bastião de estabilidade num Oriente Médio em ruínas.

Ironicamente, se a liderança árabe na década de 1920 tivesse aceitado a ideia de um lar nacional judaico na Palestina, a população árabe da região teria sido poupada de seu destino trágico e poderia ter vivido em paz e prosperidade ao lado de seus vizinhos judeus.

O que os palestinos pretendem obter hoje como estado independente é muito menos que o que lhes foi oferecido pela Liga das Nações - e mais tarde pelas Nações Unidas - como compromisso para terminar o conflito.

Esperemos que Israel possa celebrar seu próximo aniversário em uma atmosfera de otimismo, por um futuro melhor e pacífico.

Muito obrigado.


Presidente 
Juan Manuel Santos e David Harris, diretor executivo do AJC. Foto: AJC.


Tal Becker, assessor legal da chancelaria israelense e integrante da equipe de negociações de paz Israel-Palestina; 
a moderadora Renee Dayan Shabot, diretora da Tribuna Israelita, do México; e Fernando Lottenberg. Foto: Divulgação.





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