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Cinquenta anos sem Martin Luther King

04 Abr 2018 | 17:03
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A voz de Martin Luther King Jr. foi silenciada com um tiro no dia 4 de abril de 1968, em Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos. O mundo lembra agora de sua luta e de seus sonhos, por ocasião dos 50 anos da morte do ativista, completados nesta quarta-feira. Pastor da Igreja Batista e doutor em Teologia, King passou à história como o maior líder norte-americano na luta dos negros por igualdade. Seu ideal de ver uma sociedade inclusiva, com direitos civis resguardados a todos e em que a cor da pele não tivesse importância, ainda permanece como tarefa não completada.

A trajetória de King, que pautava a luta pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos em uma campanha de não violência – tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1964 -  ganhou amplo apoio dos judeus norte-americanos. Muitos foram os que se envolveram no movimento. O rabino, teólogo, e ativista social Abraham Joshua Heschel, um dos principais líderes religiosos no século 20, foi um dos grandes apoiadores de King. Em uma das famosas marchas organizadas pelo movimento negro, na cidade de Selma, no Alabama, para a capital do Estado, Montgomery, em março de 1965, Heschel participou, caminhando ao lado de King. “Martin Luther King é um sinal de que Deus não abandonou os Estados Unidos. Ele nos foi enviado, sua missão é sagrada... Eu convoco todos os judeus a ouvir sua voz, compartilhar sua visão, seguir seu caminho. O futuro dos EUA depende da influência de King”, havia dito o rabino, dez dias antes da morte do líder negro.

King, por sua vez, fez um discurso no encontro anual do American Jewish Committee (AJC), em 1965, em que abordou os princípios do protesto não violento, que guiaram o movimento dos direitos civis. O líder falou principalmente sobre as aspirações dos negros norte-americanos, mas tratou também da busca judaica por liberdade e segurança e disse que pessoas de todo o mundo deveriam protestar contra o antissemitismo na então União Soviética. “Há o perigo do silêncio, que involuntariamente encoraja o mal a florescer”, afirmou King naquela ocasião.

A busca pela igualdade e pela garantia de direitos a todos faz parte de uma pauta comum entre as comunidades judaica e afrodescendente. “Assim como nos Estados Unidos de Luther King, no Brasil de hoje, a comunidade judaica se empenha em busca de uma sociedade mais justa. A Confederação Israelita do Brasil - Conib pauta suas ações em valores como a paz, a democracia, o combate à intolerância e a justiça social. Inspirados pelo sonho e pela memória de Luther King, trabalhamos diariamente por um país mais inclusivo. Este silêncio perigoso, uma vez destacado por Luther King, não nos cabe”, diz o Presidente da Conib, Fernando Lottenberg.

E esta atuação se dá de maneira ampla. Representante da comunidade judaica brasileira, a Conib prontamente condenou o assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco, morta a tiros no Rio de Janeiro, assim como Luther King, cinquenta anos atrás, em Memphis. "Os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes no Rio de Janeiro são uma afronta ao combate ao crime organizado e à democracia. A Confederação Israelita do Brasil presta sua solidariedade a familiares das vítimas desse crime bárbaro e espera punição severa e rápida a seus perpetradores. Que crimes como esse não se tornem mais um marco das violências diárias cometidas contra os brasileiros, em especial contra as minorias, mas um marco da mobilização nacional por um enfrentamento eficiente da questão de segurança pública", conforme nota divulgada em 16 de março último.

No Brasil, os judeus estão presentes e atuantes na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que tem o objetivo de combater o racismo, desde a sua criação em 2003. “Judeus e negros têm em comum a luta contra a perseguição e o preconceito”, diz Jack Terpins. Foi durante a sua gestão, que a Conib foi convidada a integrar a primeira Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPPIR). Além da Conib, a comunidade judaica está também representada no CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) pela B´nai B´rith [Filhos da Aliança, em hebraico] – entidade judaica de direitos humanos. “O objetivo é criar políticas públicas de aproximação, dentro do riquíssimo mosaico da cultura brasileira e buscar soluções. Devemos conviver com harmonia em busca de um país melhor”, afirmou Abraham Goldstein, Presidente da B’nai B’rith do Brasil. A atual representante da Conib no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial é a pedagoga Patrícia Tolmasquim. Na III CONAPIR, os judeus reiteraram a importância de políticas públicas que, pela educação, valorizem a diversidade da sociedade brasileira, como a necessidade de um calendário interétnico e o maior conhecimento da história da presença judaica no Brasil. “Temos anseios em comum com a comunidade afrodescendente. Estamos juntos na luta por um país mais igualitário e mais diverso”, conta Patrícia.

A comunidade judaica apoia os esforços do Plano Nacional de Políticas da Igualdade Racial como forma de implementação de uma sociedade mais justa, com igualdade de oportunidades, liberdade religiosa e pleno direito à cidadania.

O sonho de Luther King também é o nosso.





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