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Abbas enfrenta críticas após discurso antissemita

03 Mai 2018 | 15:13
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Declarações do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sobre as causas do antissemitismo na Europa foram criticadas nesta quarta-feira (02) pela ONU, pela União Europeia, pelos EUA e por Israel, que as consideraram antissemitas. Em um discurso diante do Conselho Nacional Palestino na segunda-feira (30 de abril), Abbas disse que foi a função social da usura realizada por judeus o que causou animosidade contra eles na Europa.

 

Abbas também retratou a criação de Israel como um projeto colonial europeu, dizendo que "a história nos diz que não há base para uma pátria judaica". Judeus europeus sofreram massacres "a cada 10 ou 15 anos em algum país desde o século 11 até o Holocausto", disse Abbas.  Citando o que disse ser livros de autores judeus, ele acrescentou: "Eles dizem que o ódio contra judeus não era por causa de sua religião, mas por causa de sua função social. A questão que se espalhou contra os judeus pela Europa não foi por causa de sua religião, mas por causa da usura e dos bancos".

 

O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolai Mladenov, disse que Abbas proferiu "alguns dos insultos antissemitas mais condenáveis".  "Líderes têm obrigação de confrontar o antissemitismo em todos os lugares e sempre, e não perpetuar as teorias da conspiração que o fomentam", afirmou Mladenov. Em nota, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse que a fala de Abbas foi "o ápice da ignorância" e que o líder da AP "estava novamente recitando os piores slogans antissemitas".

 

A União Europeia disse em comunicado que o discurso "continha declarações inaceitáveis sobre as origens do Holocausto e a legitimidade de Israel".  O comunicado disse ainda que "tal retórica só vai valer nas mãos daqueles que não querem uma solução de dois Estados, algo que o presidente Abbas repetidamente advogou". "O antissemitismo é uma ameaça não apenas para os judeus, mas é uma ameaça fundamental para as nossas sociedades abertas e liberais", disse ainda. 

 

Organizações judaicas se somaram às críticas. "O discurso de Abbas em Ramallah foram as palavras clássicas de um antissemita", disseram Marvin Hier e Abraham Cooper, do Simon Wiesenthal Center, nos EUA. No Brasil, o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, também condenou a fala de Abbas. “A recente afirmação do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de que os próprios judeus seriam os responsáveis pelo Holocausto, reflete mais uma vez sua insistência em um posicionamento abertamente antissemita. No final de sua longa carreira, Abbas retoma teses anteriormente defendidas e demonstra seu fracasso em combater posições insustentáveis, de incitação ao ódio e de racismo dentro da Autoridade Palestina”, afirmou Lottenberg. O governo Abbas não respondeu às críticas. O negociador chefe da AP, Saeb Erekat, disse que as palavras de Abbas haviam sido distorcidas.

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