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Parte do PSOL expressa antissemitismo, diz Fernando Lottenberg

10 Mai 2018 | 16:01
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Em entrevista publicada nesta quinta (10) à Folha de São Paulo, o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, defendeu que a comunidade judaica é plural e abriga diferentes posições políticas. Segundo disse, o apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) é, embora ruidoso, minoritário. “A sociedade é mais tolerante, mais centrista que isso”, declarou ao jornal. Sobre a ala do PSOL que considera Israel um estado genocida, Lottenberg foi taxativo: ”é a expressão contemporânea do antissemitismo.”

 

Segue a entrevista:

Como vê a defesa de Israel pela comunidade evangélica? Com muita simpatia. São sinceros nas convicções, mostram apoio permanente às causas de Israel, é uma relação de respeito. A gente não concorda em tudo. Na questão de direitos de gays, a gente não tem posição contrária como os evangélicos. Ou o aborto. Em Israel, é permitido. Pelo judaísmo, em determinadas circunstâncias, também. Divórcio não é proibido.

 

Bolsonaro faz apelo ao eleitorado evangélico empunhando a bandeira de Israel e com isso atrai parte da comunidade judaica, rachando-a. Bolsonaro é candidato, tem direito de ser. Tem pessoas da comunidade que o apoiam, não saberia dizer quantos, não são 90% [como disse o empresário Meyer Nigri]. A Conib não é partidária, não vamos apoiar candidato A, B ou C.

Qual sua opinião sobre a aproximação do Bolsonaro com os judeus?É um movimento legítimo. É mais um candidato, nada de especial ou extraordinário. Será tratado por nós com todo o respeito, como mais um. Quando discordarmos, vamos responder.

Ele disse que o Estado não tem de ser laico, pois os brasileiros são cristãos, ‘quem não gostar que se mude’. Um equívoco. O Estado brasileiro tem que respeitar todas as religiões, mas não deve ser religioso, deve ser laico.

Por que Bolsonaro tem apoio mesmo com colocações contra minorias? Há preocupação? Por enquanto não, ele representa uma fração do eleitorado, me parece que minoritária. A sociedade é mais tolerante, mais centrista que isso.

O PSOL disse em nota que Israel é um Estado genocida. Além de profundamente injusta e equivocada, é uma expressão contemporânea do antissemitismo. Identifica a bandeira de Israel com a suástica. Quer ofensa maior? Ninguém diz que em Israel está tudo certo, mas quando se diz que o Estado não tem direito de existir e judeus têm de ir embora, aí já é demais.

Boulos foi a Israel a convite do BDS, movimento que prega o boicote ao país, que ele chamou de terrorista. Está nesse grupo? Acho que não chega a tanto. Quando ele foi a Israel, teve o cuidado de ir ao Museu do Holocausto, condenou explicitamente o antissemitismo. Não concordo com ele, mas não chego ao ponto de dizer que seja antissemita.

O antissionismo embute em alguns casos traços de antissemitismo? O antissemitismo se transforma com o tempo como um vírus mutante. Hoje pega nos direitos de expressão, de poder ser um povo como qualquer outro, aí vem o antissemitismo como antissionismo. Não é mais politicamente correto ser antissemita. Então, você vê em manifestações aquilo que vinha do antissemitismo tradicional, mas com uma roupagem, aspas, progressistas.

Há uma corrente na esquerda que defende a existência de Israel, uma posição em geral associada à direita. Há uma mudança em curso? A gente está conseguindo quebrar alguns paradigmas de automatismo. Existem questões em Israel que são vanguarda. A maneira como as mulheres têm independência por direito e como os LGBTs podem se expressar não são comuns no Oriente Médio. Com temas de liberdade intelectual e de expressão, quem tem posição progressista pode se identificar com Israel. Jean Wyllys, Gregorio Duvivier foram ao país e puderam compreender a complexidade, os vários pontos de vista. Têm crítica ao governo e não necessariamente à existência do Estado.

Como o Brasil se posiciona diplomaticamente? A nossa política externa durante muito tempo teve uma visão, pode não ser precisa a palavra, terceiro-mundista. O Brasil tinha de estar com os países não alinhados, não com os desenvolvidos. Isso se acentuou nos governos Lula e Dilma. O Brasil pode e deve ter relações boas com Israel independentemente do conflito. Tem uma pauta econômica, um intercâmbio de US$ 1 bilhão. A relação hoje está melhor. O [ex-chanceler tucano José] Serra resolveu a crise dos embaixadores, Aloysio [Nunes (PSDB), atual chanceler] mostrou interesse.

Há um refluxo no antissemitismo. Como isso é sentido no Brasil? O antissemitismo tradicional, neonazista, é esporádico. A coisa é mais forte, por exemplo, no edital na Universidade Federal do ABC do ano passado, em que se perguntou quais seriam as conexões entre racismo, apartheid, nazismo e sionismo. Foi revogado.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e a sua política externa ajudam a fomentar o discurso anti-Israel? Não era melhor a situação de Israel internacionalmente quando o governo era de esquerda. Existe uma antipatia por causa do antissemitismo. Quando morreu Shimon Peres, que era um pacifista, Nobel da Paz, setores da esquerda o chamaram de genocida.

O sr. aprova o Netanyahu? É o primeiro-ministro eleito pela maioria dos israelenses. Eu não voto em Israel. Será que alguém da comunidade japonesa aqui é questionado sobre o primeiro-ministro de lá?

Há preocupação com o debate em torno do judaísmo nas redes sociais? As redes sociais são o novo território do discurso do ódio. A gente procurou esses grupos [Google, Facebook] e pedimos cuidado extra. A reação foi morna, protocolar. Eles não estão se comportando como meios de comunicação que são.

 





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