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Exodus 1947 – episódio símbolo da luta dos refugiados judeus faz 71 anos

18 Jul 2018 | 20:12
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Há exatos 71 anos, em 18 de julho de 1947, um navio danificado chegava a Haifa, rebocado pela marinha britânica. Estava para se desdobrar o episódio mais emblemático dos refugiados judeus do pós-guerra, que mobilizou a população mundial, acelerou o fim do mandato britânico na Palestina e a partilha na ONU. O navio se tornou símbolo da luta dos refugiados judeus para emigrar para a terra prometida. Mostrou ao mundo o sofrimento dos passageiros, a crueldade a que foram submetidos pelos ingleses, o que levou a um apoio maior nas Nações Unidas à criação de um Estado Judeu. O episódio do Exodus pavimenta a fundação de Israel.

Comprado pela American Friends of the Haganah por 40 mil dólares, o O Exodus 1947 serviria aos propósitos da Aliá Beit de levar sobreviventes da guerra para a então Palestina. A embarcação chamava-se originalmente President Warfield e sua missão começou no porto de Sete, na França, de onde zarpou de 10 para 11 de julho, tendo a Colômbia como destino declarado, mas não planejado. Com 4.554 pessoas, a grande maioria formada por sobreviventes do Holocausto -  entre elas 1.700 mulheres e 950 crianças - a intenção era seguir para a Palestina. Quando a embarcação já estava em alto mar, foi hasteada a bandeira sionista (a atual de Israel) e o navio ganhou o nome pelo qual ficaria conhecido: Exodus 1947, numa alusão à saga bíblica de Moises, que liderou o povo judeu no êxodo do Egito rumo à liberdade e à terra prometida.

Assim que atingiu águas internacionais, a embarcação capitaneada por Ike Aronowicz, de apenas 23 anos, foi abordada pelos britânicos que desejavam evitar seu destino final. Em 18 de julho de 1947, quando distava 35 km de seu destino, o navio recebeu uma mensagem do destróier britânico "Ajax" para deixar a costa da Palestina. O Êxodus seguiu seu curso e o ataque britânico foi imediato. Os marinheiros britânicos, com armas e porretes, atacaram os passageiros e a tripulação e superaram sua resistência (os refugiados estavam “armados” com latas e batatas). No confronto, agrediram violentamente o Segundo Oficial William Bernstein, que morreu quase imediatamente. Morreram também dois adolescentes órfãos.

Ao desembarcarem em Haifa, os judeus do Exodus 1947 enfrentaram um destino cruel. Ao contrário de outros refugiados que tentaram entrar ilegalmente na Palestina, eles não foram levados para campos em Chipre ou nas Ilhas Maurício.Os refugiados foram transferidos à força para três navios mercantes britânicos, "Runnymeade Park", "Ocean Vigor" e "Empire Rival;" onde ficaram presos, para depois serem despachados de volta à França. De lá, como se recusaram a desembarcar, foram transferidos para Hamburgo, na Alemanha.

O horror que a medida provocou naqueles sobreviventes dos campos de extermínio nazistas foi imenso. Foram necessários 100 policiais do exército inglês e mais 200 soldados de um batalhão local para desembarcar boa parte dos judeus à força em Hamburgo.

Enquanto isso, o mundo se escandalizava com o episódio e judeus de Israel planejavam tirar os passageiros do Exodus da Europa. Liderados por membros do Palmach, que em Haifa haviam se infiltrado e seguido viagem nos navios-prisão, muitos fugiram da detenção novamente para a Itália ou para França. De lá, embarcaram em outros navios rumo à Palestina. Todo judeu que esteve a bordo do "Exodus 1947" recebeu um certificado especial da Haganá, intitulando-o a tratamento especial. Ainda assim, quando Israel declarou sua independência em 1948 ainda havia judeus em campos de detenção na Alemanha.

Com a fundação de Israel e a determinação que a imigração de judeus ao novo estado seria irrestrita, entre 1948 e 1951, cerca de 700.000 judeus emigraram para Israel. Deste número, dois terços eram compostos por judeus deslocados pela Guerra na Europa. Os sobreviventes do Holocausto, os antigos passageiros do Exodus, refugiados de países da Europa central, e os judeus detidos pelos britânicos por tentarem entrar ilegalmente na Palestina em campos de prisionais em Chipre foram, enfim, recebidos na sua terra ancestral.

A desastrada ação britânica no tocante ao Exodus causou imensa comoção internacional. O clima político decorrente do episódio teve peso significativo, no ano seguinte, na criação do Estado de Israel. Este é o grande legado daqueles 4.500 passageiros.

Anos mais tarde, em 1958, Leon Uris escreveu Exodus, inspirado na história do navio. No livro, porém, a trama tem um final mais feliz: os judeus refugiados conseguem, através de uma greve de fome, pressionar as autoridades britânicas e desembarcam. Em 1960, um filme baseado na obra de Uris e estrelado por Paul Newman chegou às telas. “Exodus”, de Leon Uris, acaba de ganhar nova edição,em homenagem aos 70 anos da formação do estado de Israel.

Sessenta anos depois do episódio, o capitão do navio, Ike Aronowicz, narrou a longa e dramática travessia do Mediterrâneo, em Julho de 1947, no livro “Eu fui o capitão do Exodus”. Aronowicz morreu em 2009, aos 86 anos.





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