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“Brasil, um paraíso tropical para árabes e judeus”

31 Ago 2018 | 17:28
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Por Ariel Krok.

Se existe um lugar na terra que poderia ser considerado um verdadeiro paraíso para árabes e judeus, é o Brasil. Nasci e cresci neste belo país que, incomodado por corrupção, falta de segurança, desigualdade social e muitas outras questões, possui uma população extremamente diversa, amigável e hospitaleira.

Em geral, as diferentes culturas que chamam o Brasil de lar se dão bem, incluindo as populações judaica e árabe. Eu sou um membro ativo da nossa comunidade judaica, muitos dos meus amigos são árabes - a maioria de ascendência libanesa e síria - com nomes familiares como Dahdal, Skaf, Kalil, Bittar, Mansour, Bechara e Dib.

De fato, o Brasil abriga a maior comunidade de diáspora libanesa do mundo, com cerca de 12 milhões de brasileiros que reivindicam descendência libanesa. Eles começaram sua migração para o Brasil logo após a visita de Dom Pedro II, o último líder do Império do Brasil, ao Oriente Médio em 1880.

Muitos brasileiros influentes possuem raízes árabes, incluindo o nosso atual presidente Michel Temer, o ex prefeito de São Paulo (minha cidade natal e a maior metrópole da América do Sul) Fernando Haddad, e Adib Jatene, um dos cardiologista mais importante no mundo.

O Brasil também era um porto seguro para os judeus que vieram pela primeira vez aqui nos primeiros dias da colonização do século 16 em Portugal, fugindo da Inquisição Espanhola. Mais judeus chegaram posteriormente ao Brasil com os comerciantes holandeses.

Túmulo do rabino Shalom Muyal em Manaus. Foto: Divulgação.

Perseguição religiosa

A Holanda foi um refúgio para os judeus que escaparam da Espanha e de Portugal devido à perseguição religiosa. Os judeus que chegaram com os mercadores holandeses a partir de 1630 fundaram a primeira sinagoga das Américas - que ainda fica no mesmo lugar - na cidade de Recife, no nordeste do país.

Após a expulsão dos holandeses pelos portugueses, os judeus fugiram para Curaçao, nas Antilhas Holandesas, onde outra bela sinagoga foi construída com um piso de areia. Em busca de oportunidades comerciais, os judeus da América holandesa se mudaram para o norte, ajudando a fundar Nova Amsterdã, hoje mais conhecida como Nova York.

Uma nova onda de imigração judaica veio durante o século 19 com a chegada de judeus sefaraditas, principalmente do Marrocos, que se estabeleceram na região amazônica, nas cidades de Manaus e Belém do Pará. Há uma bela história sobre um rabino marroquino chamado Shalom Emanuel Muyal, que veio a Manaus para servir à comunidade judaica do norte da África.

Ele morreu logo após sua chegada, provavelmente de febre amarela, ele foi postumamente "canonizado" por cristãos locais como um milagreiro, capaz de curar as doenças dos peregrinos que continuam a visitar seu túmulo.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e os horrores que a acompanham, muitos outros judeus fugiram para o Brasil de suas terras de origem na Europa. Quando a terrível escala do Holocausto na Europa foi revelada, novas ondas de sobreviventes chegaram ao Brasil.

Árabes e judeus foram prontamente aceitos pela população local de braços abertos. Os brasileiros reconheceram que ambas as comunidades estavam trabalhando duro, e o país valorizou sua contribuição para tornar o Brasil o oitavo maior mercado do mundo. Eles trabalharam juntos muitas vezes e se fortaleceram, ganhando riqueza e influência enquanto continuavam seu apoio mútuo, trabalhando lado a lado, como parceiros, vizinhos, amigos e até como parentes.

Competir e complementar

Dois exemplos perfeitos disso são os melhores hospitais da América do Sul, o “Albert Einstein” da comunidade judaica e o “Sírio-Libanês” da comunidade árabe, ambos localizados em São Paulo e que competem como os melhores da região, enquanto, ao mesmo tempo, colaborando uns com os outros em uma base diária.

São Paulo possui dois clubes esportivos árabes, o Sírio-Libanês e o Monte Líbano, e a comunidade judaica, o clube A Hebraica. Esses clubes trabalham juntos pacificamente em projetos como a caminhada pela rua “Caminho da Paz”.

É possível encontrar inúmeros exemplos de árabes e judeus trabalhando juntos, como a rua comercial no centro de São Paulo, onde eles trabalharam produtivamente lado a lado enquanto competiam pelos mesmos clientes por seus têxteis, e similarmente no mercado Saara do Rio de Janeiro, onde judeus e árabes trabalharam juntos por muitas décadas.

A cooperação se estende até nossas vidas pessoais, com exemplos de casamentos entre as duas comunidades. Uma das festas mais elaboradas foi recentemente lançada para celebrar o casamento entre uma mulher judia e seu noivo, que vem do passado sírio. As famílias de meios consideráveis ​​tornaram-se próximas, assim como suas respectivas comunidades.

O Brasil é um exemplo brilhante de coexistência, uma forma social a ser replicada e exportada. Nosso país é um lugar seguro para todas as raças e crenças, um estado onde pessoas de diversas origens trabalham juntas, lutam juntas e tentam ao máximo construir um mundo melhor.





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