“Países árabes não são os maiores inimigos de Israel”

Os maiores inimigos de Israel não são os países árabes. Esta é uma das narrativas que persistem como se houvesse guerra contínua entre os dois lados e como se o lado árabe fosse algo homogêneo. Na verdade, os principais adversários dos israelenses seriam organizações armadas como o Hezbollah e o Hamas, além do persa Irã. Arábia Saudita talvez seja a principal aliada informal do governo de Benjamin Netanyahu. O premier de Israel se tornou um dos maiores defensores em Washington do príncipe herdeiro e ditador de facto do regime saudita, Mohammad bin Salman. Para o líder israelense, o ditador em Riad seria fundamental na frente para conter o Irã. Afinal, assim como Netanyahu, MBS, como é conhecido o líder saudita, enxerga o regime de Teerã como o seu maior adversário. Serviços de inteligência e de segurança dos dois países agem em coordenação. Os Emirados Árabes adotam uma postura quase idêntica à saudita em relação a Israel. Neste mês, atletas israelenses foram recebidos em Abu Dhabi para um torneio de judô. Os dois lados buscam se aproximar e estreitar as relações. Bahrain e Kuwait seguem na mesma linha. O Qatar é interlocutor constante de Israel em questões ligadas aos palestinos. Omã é a nação que mais abertamente busca aproximação com Israel. O sultão Qaboos, que talvez seja o mais hábil líder do mundo árabe, recebeu Netanyahu em Muscat agora em novembro. Diferentemente da Arábia Saudita e dos Emirados, o líder de Omã não vê o Irã como inimigo. Ao contrário, possui boas relações com o regime de Teerã e foi mediador das negociações do acordo nuclear firmado entre o governo de Barack Obama e os iranianos, além de outras potências (China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha). Esta ligação com o Irã, no entanto, não impede Qaboos de querer ter boas relações com Israel (Guga Chacra, O Globo).