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Rabino Schlesinger avalia visita do papa Francisco ao Brasil

27 Set 2013 | 17:14
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Leia abaixo depoimento de Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista e representante da Conib para o diálogo inter-religioso, sobre a visita do papa Francisco ao Brasil e as relações entre católicos e judeus.

“A convite do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ) e arcebispo de Aparecida, cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, estive, ao lado de outras lideranças religiosas, na missa celebrada em Aparecida pelo papa Francisco.

Após o término da cerimônia, o papa se aproximou dos religiosos presentes e nos cumprimentou individualmente. Em rápida conversa, pedi a ele que mantivesse todo o esforço para o fortalecimento das relações entre católicos e judeus.

A visita de Francisco ao Brasil, durante as comemorações dos cinquenta anos do Concílio Vaticano Segundo, é uma oportuna ocasião para se avaliar as relações entre as duas religiões.

O papado de Pio XII e toda a polêmica em torno de seu comportamento nos anos da Segunda Guerra Mundial marcam o final de muitos séculos de tensão entre a Igreja e a comunidade judaica. Desde que o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, nós, judeus, fomos vítimas de diversas acusações que motivaram perseguições religiosas, expulsões, condenações, tortura e morte. Nas últimas décadas, no entanto, esta relação foi marcada por muito respeito, aprendizado mútuo e diálogo fraterno.

Por iniciativa do papa João XXIII, o Concílio Vaticano Segundo foi convocado em 1962. Quando o papa faleceu em junho de 1963, Paulo VI continuou os trabalhos, até sua conclusão em 1965. Como resultado da convenção religiosa, foi publicada a declaração Nostra Aetate, que pretendia, e conseguiu impactar positivamente a relação entre católicos e outras religiões.

Em seu parágrafo quarto, a declaração afirma o seguinte: 'Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão, sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos.'

No papado de João Paulo II, as relações católico-judaicas atingiram níveis de profundidade inéditos. Pela primeira vez, um papa visitou a Grande Sinagoga de Roma, conduziu uma cerimônia em memória às vítimas do Holocausto dentro do Vaticano e estabeleceu relações diplomáticas plenas com o Estado de Israel.

Algumas dessas iniciativas positivas foram replicadas por Bento XVI, embora seu papado também tenha experimentado momentos de tensões pontuais com a nossa comunidade. A reintegração do bispo lefebvriano Richard Williamson foi amplamente criticada, inclusive por líderes de fora da comunidade judaica, por ele haver mitigado a importância do Holocausto ao afirmar que teriam morrido “apenas” 300 mil judeus, e não seis milhões, e que as câmaras de gás nunca haviam existido.

'O diálogo com a comunidade judaica é uma prioridade absoluta para mim', me assegurou o papa Francisco.

As expectativas em torno dele são as melhores possíveis. Enquanto arcebispo em Buenos Aires, Bergoglio desenvolveu uma relação extremamente próxima com a comunidade judaica portenha. Entre seus melhores amigos está o rabino Abraham Skorka, com quem escreveu um livro. Como bispo de Roma, o papa atual terá a possibilidade de aprofundar ainda mais as relações entre essas duas comunidades religiosas. Sua visita ao Brasil, um país orgulhoso da fluidez que pauta as relações entre pessoas de diferentes credos, enquanto se celebra o jubileu de ouro do Concílio Vaticano Segundo, será um impulso ainda maior para o diálogo inter-religioso”.





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