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Veja imagens da visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel

05 Ago 2010 | 00:00
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O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Israel em março de 2010.  Veja abaixo vídeos que desrtacam pontos importantes de sua viagem, como o discurso no parlamento israelense. Veja também como foi sua visita ao Memorial do Holocausto, em Jerusalém. Leia ainda uma análise da viagem, feita pelo jornalista Bernardo Lerer, enviado pela Conib a Israel.

Veja clip com as principais imagens da viagem de Lula a Israel.

Veja trecho do discurso do presidente Lula na Knesset (Parlamento de Israel) em 15 de março de 2010, em que ele aborda a política externa brasileira. Ouça a íntegra deste discurso.

Veja o Presidente no
YadVashem (Memorial do Holocausto), em Jerusalém. Ao final da visita, ele expressa, emocionado “Nunca mais, nunca mais, nunca mais”.

 

O legado da viagem de Lula a Israel

Texto de Bernardo Lerer

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou exatas 46 horas no Estado de Israel, cumprindo a promessa de visitá-lo. Como afirmou em entrevista à revista da A Hebraica, edição de março de 2010, além de todos os motivos que tinha para isso, atendia ao “pedido dos companheiros da comunidade judaica”. Esta foi a primeira visita de um mandatário brasileiro àquela região do Oriente Médio, desde a viagem privada do imperador do Brasil D. Pedro II à antiga Palestina do Império Otomano, em 1876. O nome do Brasil era lembrado em Israel pelo futebol, pelo carnaval, por sua paisagem, pelos grandes rios e, nos últimos tempos, pelos jovens egressos do serviço militar obrigatório que escolhiam passear por aqui.

Mas os políticos israelenses conhecem muito bem o papel histórico do Brasil na criação do Estado de Israel, quando a ONU decidiu pela partilha da Palestina em reunião memorável presidida por Osvaldo Aranha. Não foi por outra razão, aliás, que o presidente da Knesset [Parlamento de Israel] Reuven Rivlin se valeu do martelo usado por Aranha, naquele 29 de novembro de 1947, como fio condutor do discurso de saudação a Lula.

Às vésperas da viagem, durante o seu transcorrer e depois de encerrada, jornais e políticos brasileiros, assim como os meios de comunicação e os políticos israelenses deram espaço à visita de Lula, apesar da preocupação com os embates diplomáticos entre Israel e os Estados Unidos.

No entanto, a visita de Lula deve ser examinada e entendida por aquilo que significa e não apenas por aquilo que foi. Eventos políticos e diplomáticos se caracterizam também - e principalmente - por gestos. Se Lula não acendeu uma vela no túmulo de Herzl, como reclamou o chanceler Avigdor Liberman – e só ele –, o presidente brasileiro esteve demoradamente em Yad Vashem, onde depositou uma coroa de flores verdes e amarelas com a inscrição “Homenagem do Brasil” no mausoléu com as cinzas de vítimas dos nazistas. Coroa idêntica colocou em um monumento em memória aos soldados israelenses mortos nos conflitos com os árabes, desde a guerra da independência, em 1948. No Bosque de Jerusalém plantou um pé de oliveira, cumprindo o ritual estabelecido pelo KKL [Fundo Ambiental Israelense].

Os gestos realmente contam: desde a sua chegada, o presidente brasileiro fez questão de se cercar o tempo todo das lideranças comunitárias brasileiras, de modo a mostrar claramente seu apreço pela comunidade judaica do país, indo bem além da formalidade burocrática de estes dirigentes integrarem a comitiva oficial, a convite do Itamaraty.

“Foi uma demonstração de efetiva consideração para com a comunidade judaica do Brasil. Eu e o presidente do Congresso Judaico Latino Americano, Jack Terpins, fomos expressamente convidados pelo presidente Lula para algumas de suas reuniões, e delas participamos menos como simples espectadores e mais como testemunhas e protagonistas”, disse o presidente da Conib - Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg.

O presidente brasileiro fez questão da presença de ambos na visita ao Yad Vashem e no encontro com organizações das sociedades civis israelense e palestina interessadas na convivência pacífica entre os dois povos e que reúnem parentes de vítimas dos dois lados do conflito. “Entendi o convite para acompanhá-lo nestes dois eventos como emblemático, pois representam alguns dos momentos mais importantes da história de Israel. Ambos são reveladores da possibilidade de, infelizmente, a partir da tragédia, se consagrar a vida e construir um futuro que todos esperamos promissor”, disse Lottenberg. “No Museu do Holocausto, o presidente Lula emocionou-se. Em um dado momento, dona Marisa chorou, e ele ficou com os olhos marejados. Foi por esta razão que, à saída do museu, como uma espécie de recado para gente como Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que ‘todos os chefes de Estado devem visitar Yad Vashem, para terem consciência de que fatos como este não se devem repetir nunca mais, nunca mais, nunca mais’”.

A reunião com representantes das sociedades civis israelenses e palestinas foi realizada em lugar neutro, o edifício Notre Dame de Jerusalém, erguido em 1882, mas destruído e reconstruído várias vezes, até finalmente, por decreto do Papa João Paulo II, em 1978, ser transformado em Instituto Pontífice e lugar ecumênico sagrado. Os israelenses formam o Círculo de Pais e Filhos, dirigido por Yossi Beilin, e os palestinos integram a Sociedade Acadêmica Palestina – Passius.

“Nessa reunião ficou mais uma vez evidente o interesse de largas camadas das populações de Israel e dos territórios palestinos na paz. Todos querem a paz, e precisamos investir nisso até a exaustão, pois esta é a única saída para a convivência. Tenho certeza de que as famílias com as quais nos reunimos representam a média das opiniões, das tendências e dos desejos dos dois povos”, afirmou Terpins.

Lula também teve um encontro com a reitoria da Universidade Hebraica de Jerusalém, durante o qual se discutiu a importância da educação no desenvolvimento de uma nação. Naquela ocasião, o reitor manifestou a intenção de lhe conceder o título de Doutor Honoris Causa. Lula aceitou a honraria, mas somente depois de deixar o governo. “O presidente nos revelou que irá a Israel receber o título e nós vamos acompanhá-lo”, contou Jack Terpins.

Da agenda oficial fazia parte uma reunião com a líder da oposição, Tzipi Livni. Tema principal: o Irã e a visita de Lula àquele [realizada em maio de 2010]. Depois, Livni se encontrou a portas fechadas com Lottenberg e Terpins, e trataram do mesmo assunto.

Em entrevistas aos jornalistas brasileiros e israelenses a respeito do significado da visita de Lula a Israel, Claudio Lottenberg reforçou sua posição crítica em relação ao atual estágio do relacionamento do Brasil com o Irã: “Nós conversamos longamente com o chanceler Celso Amorim e o assessor especial Marco Aurélio Garcia, e eles nos reafirmaram que Lula não é amigo do presidente iraniano. Trata-se de uma relação entre chefes de Estado, que dialogam nessa condição. O presidente Lula está convencido de que o isolamento do Irã poderá não dar os resultados desejados e de que, por esta razão, é preciso conversar, dialogar e negociar. Lula nos passou a impressão de que vai investir no diálogo e mostrar que ele e, portanto, o Brasil, não é a favor do Irã, mas a favor da paz. O Brasil atingiu um estágio no qual aquilo que pensa, diz e transforma em atos importa, e está preparado para desempenhar este papel”.





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