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Ex-secretária de Goebbels quebra silêncio de 70 anos para dizer: “Eu não sabia de nada”

16 Ago 2016 | 19:01

Brunhilde Pomsel, 105, ex-secretária particular de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazista, é uma das últimas testemunhas oculares das entranhas do regime nazista. No documentário “A German Life”, recentemente lançado no Festival de Cinema de Munique, ela conta sua experiência como funcionária do Ministério, discute sua falta de remorsos e o lado particular de seu chefe monstruoso.

Pomsel disse que resolveu se abrir agora por não acreditar que vá viver por muito mais tempo e só espera que o “mundo não vire de ponta-cabeça novamente. Estou aliviada por não ter tido filhos”.

Por que resolveu quebrar o silêncio somente agora? “Não foi para aliviar minha consciência”. Ela admite que estava no coração da máquina de propaganda nazista, mas descreve sua função como “apenas mais um trabalho”. Isso incluía mascarar o número de soldados alemães mortos e exagerar o de mulheres alemães abusadas pelo Exército Vermelho.

A ex-secretária disse ainda que “apesar de não acreditarem, ela não sabia nada do que acontecia. Nós [secretárias] sabíamos quando Gobbels chegava, mas raramente o víamos até que ele fosse embora. Ele precisava passar por nossa sala para ir para casa, e nessa hora tirávamos dúvidas e dávamos recados. Sei que ninguém acredita em nós – acham que todos sabiam de tudo. Mas não sabíamos de nada, tudo era mantido em segredo”.

Pomsel disse ter notado como a vida de sua amiga judia Eva Löwenthal tornou-se cada vez mais difícil depois que Adolf Hitler chegou ao poder. Também ficou chocada com a prisão de um locutor popular de rádio que foi enviado para um campo de concentração por ser gay.  Mas disse que permanecia em uma bolha, sem saber da destruição causada pelo regime nazista, apesar de estar no centro físico do sistema.

Ela se recusa a admitir que foi ingênua em acreditar que os judeus estavam sendo enviados para vilas que os alemães queriam repovoar. “Nós acreditamos, parecia totalmente plausível”, disse.

Brunhilde lembra de seu chefe como um “cavalheiro”, que vestia as “melhores roupas e sempre tinha um leve bronzeado, além das mãos feitas”. “Não havia nada a ser criticado nele”. Foi quando assistiu ao discurso de Gobbels em fevereiro de 1943, logo depois da batalha de Stalingrado, que percebeu que seu chefe era um ator. “Ninguém poderia interpretar tão bem a transição de um homem civilizado para um raivoso e turbulento. Era um enorme contraste”.

Depois do aniversário de Hitler em 1945, sua vida mudou totalmente. Quando soube que seu chefe e toda sua família haviam morrido, e Hitler se suicidado, ela e suas colegas de trabalho “ficaram boquiabertas”. Sabendo que seria presa, Pomsel decidiu contar a verdade para os russos. Isso a levou a cinco anos de prisão.

Após este período, rapidamente recuperou a vida que costumava ter, trabalhando como secretária de uma emissora de rádio estatal e depois tornando-se secretária executiva do diretor, até aposentar-se em 1971. 

"Hoje em dia, pessoas dizem que teriam ficado contra os nazistas. Acredito que são relatos sinceros, mas acredite em mim, a maioria não ficaria. Depois da ascensão do partido nazista, o país inteiro estava como que sob uma espécie de feitiço", ela insiste. "Eu poderia me abrir sobre as acusações de que não estava interessada em política, mas a verdade é que o idealismo da juventude poderia facilmente ter resultado em um pescoço quebrado."

Somente quando voltou para casa ficou sabendo do Holocausto, ela insiste, referindo-se ao genocídio como a “questão dos judeus”.

Veja um pedaço do documentário “A German Life”. 





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