“Antissemitismo e Misoginia: reflexões para o mês da mulher” - Fundada em 1948, a CONIB – Confederação Israelita do Brasil é o órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira.
Foto: Divulgação

04.04.24 | Mundo

“Antissemitismo e Misoginia: reflexões para o mês da mulher”

Os advogados Andrea Vainer e Rony Vainzof, respectivamente, diretora jurídica da CONIB e secretário da instituição, assinam artigo sob o título acima no Portal iG em que abordam a violência sexual a que estão sendo submetidas mulheres aprisionadas em Gaza, pelo Hamas, de acordo com a ONU. Segue a íntegra do artigo:

Às vésperas do último Dia Internacional da Mulher, a ONU divulgou os resultados de sua investigação sobre a violência sexual perpetrada pelo Hamas nos ataques terroristas de 07/10. Foi confirmado o uso sistemático de tortura, mutilação e estupros, utilizados como armas de guerra contra mulheres judias de todas as idades.

Ainda segundo a apresentação de Pramila Patten, Representante Especial das Nações Unidas para a Violência Sexual em Conflitos, existem informações claras e convincentes de que as reféns aprisionadas em Gaza, pelo Hamas, também estão submetidas à violência sexual. De acordo com Patten, há motivos razoáveis para acreditar que as reféns estão sujeitas a tratamento cruel, desumano e degradante. O relatório também indica a ocorrência de estupros coletivos, nos quais uma mesma mulher é violada por um grupo de homens. O relatório aponta ainda que diversas vítimas dos ataques do dia 07/10 foram encontradas parcialmente nuas, amarradas e feridas em diversas regiões do corpo, o que sugere violência sexual.

No mesmo sentido, meses antes, em dezembro de 2023, o The New York Times divulgou os resultados de sua própria investigação independente sobre as atrocidades praticadas pelo Hamas: constatou “um padrão de violação, mutilação e extrema brutalidade contra as mulheres nos ataques a Israel”.

O conteúdo da investigação revela fatos verdadeiramente macabros, incluindo relatos de testemunhas que presenciaram atos grotescos cometidos pelo Hamas contra mulheres judias como:  “eles arrancaram seu seio e jogaram como se fosse bola de vôlei”, “ela foi arrastada pelo cabelo enquanto escorria sangue entre suas pernas”, “eles a estupraram coletivamente com tanta violência que seu osso da pelve quebrou”, “eles abriram a barriga de uma mulher grávida e arrancaram um bebe morto de dentro”, “o corpo foi encontrado no festival com um tiro nas partes íntimas, “o seu cadáver foi encontrado nu em sua própria cama com restos de sêmen nas costas”, dentro outros inúmeros fatos de igual crueldade e desumanidade.

Não nos esqueçamos ainda de Shani Louk, a jovem judia de 23 anos, cujo corpo ferido e seminu foi desfilado pelas ruas de Gaza na traseira de um caminhão, por um bando de homens ensandecidos que cuspiam nela e, ao mesmo tempo, comemoravam aos gritos de “deus é grande”. A cena foi registrada em vídeo pela multidão em Gaza. Semanas depois, o crânio de Shani foi encontrado.

Não há dúvidas, portanto, que o Hamas utilizou violência sexual das mais cruéis já vistas como arma de guerra, nos ataques do 07/10. Essas evidências estão documentadas pela ONU, pelo New York Times – um dos jornais que goza de maior prestígio no mundo – pelo Governo de Israel e pelos próprios terroristas.

Ainda assim, assistimos perplexos ao que vem acontecendo desde que o assunto veio à tona. Parte do mundo relativizando referidas atrocidades comprovadas ou dizendo às mulheres judiais mutiladas, violentadas e desumanizadas que não há evidências de estupro.

Negar o óbvio, subverter a verdade, encobrir atos terroristas da pior espécie. Ao que isso se deve? Machismo, misoginia, antissemitismo ou uma mistura de tudo isso?

Em pleno ano de 2024, existem homens que ainda enxergam a mulher como um objeto destinado à satisfação de seus desejos e vontades, dos mais torpes, sem direito à voz ou ao não. Esses são cooptados por uma narrativa perversa e milenar de que a mulher existe para servir ao homem e nada mais. A mulher é vista como um ser menos digno de direitos, que deve se submeter ao sexo oposto sem resistência. Em caso de violência, a culpa é sempre da vítima. Essas pessoas, caminham nos tempos modernos vestidas por uma misoginia verdadeiramente medieval.

Do outro lado, diametralmente oposto, estão defensores dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, os ativistas contra o machismo e a misoginia. Combatentes do discurso de ódio contra as mulheres e da violência de gênero. Defensores das minorias e do pluralismo.

O que se esperava espera desses grupos, especialmente no Dia Internacional da Mulher? Que condenassem veementemente o uso de crimes sexuais e violência de gênero pelo Hamas como arma de guerra e dessem voz às vítimas judias da barbárie, que tiveram suas vidas ceifadas de forma grotesca ou que ainda são reféns da situação de abuso.

Foi isso que aconteceu? Infelizmente não...

Coletivos feministas ao redor do globo silenciam diante dos crimes bárbaros cometidos e comprovados contra suas companheiras judias. Igualmente, mulheres públicas no Brasil, políticas, líderes comunitárias, condenam todas as formas de opressão da mulher, desde que as vítimas não sejam judias. E pior, para justificar o seu escancarado antissemitismo recorrem, é claro, aos argumentos machistas mais óbvios e baratos: descredibilizar as vítimas, culpando-as pela sua própria desgraça.

Ficou claro que a evolução contemporânea na luta pelos direitos da mulher só vale só para algumas mulheres, desde que elas não sejam judias.  Neste mês de março de 2024, infelizmente, não há o que celebrar.


Receba nossas notícias

Por favor, preencha este campo.
Por favor, preencha este campo.
Por favor, preencha este campo.
Invalid Input

O conteúdo dos textos aqui publicados não necessariamente refletem a opinião da CONIB. 

Desenvolvido por CAMEJO Estratégias em Comunicação